66 comments on “Influências da Língua Árabe no Português

  1. Graças a pessoas como você que despendem do seu precioso tempo publicando um conhecimento tão rico é que temos acesso a conteúdos tão enriquecedores como este. Parabéns ao trabalho que teve.

  2. Eu sou natural do Algarve,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote de 92 anos de idade e deixo aqui o meu Muito Obrigado a Frederico Mendes Palma por êstes apontamentos históricos que eu li e continuarei a ler com muito interesse.Eu pensava que no idioma português só existiam umas 400 palavras de origem árabe,mas pelo que li,são afinal milhares e até o nome da minha terra natal,Boliqueime,é de origem árabe,o que eu não sabia.A Pátria-Mãe p’ra mim madrasta/empurrou-me p’rà emigração/e maldita seja a Governação/que Portugal p’rà miséria arrasta. Os meus desabafos em poesia/são a forma que tenho à mão/para criticar,dêste mundo cão/a pulhice e a velhacaria. Quer o Boloqueime ou não/quer ande mouro na costa/por uma ou outra razão/quem de poesia não gosta?!

    • Quem agradece sou eu. O Poema, que gostei e muito, e o seu comentário elogiando os meus escritos, que vindo de um homem com esses 92 anos tem um sabor especial. Não é todos os dias que alguém me envia um escrito tão poético e ao mesmo tempo tão amargo, mas a poesia é assim mesmo. O espelho do que nos vai na alma.

  3. Excelente artigo meu caro.
    Quero deixar um comentário acerca do nome Almada…
    Numa viagem ao Cairo, no passado ano de 2015, em conversa com o meu chauffeur/guia/egiptólogo/tradutor/segurança/amigo o Sr.Mohammed Eid, nascido e criado na Cidade dos Mortos, ele pronunciou o topónimo cairense Al-Maadi de uma maneira que me chamou logo à atenção.
    Após o que fiquei a saber que Al-Maadi se traduz por: a travessia.
    Tem inclusive relação com o périplo pelo Egipto da Sagrada Familia durante o exilio neste país.
    É em Al-Maadi que se situa umas das grutas usadas pela Sagrada Família para se proteger e é em Maadi que atravessam o Nilo, aliás ainda hoje se encontra uma travessia, por ferry, deste grandioso rio no sítio da travessia original.
    Atenciosamente

    • Caro António
      Obrigado pelo seu comentário, que merece um esclarecimento da minha parte. De facto existem topónimos de origem não conhecida, cujo significado é muitas vezes referenciado como mera hipótese, já que poderá ter na sua base diferentes palavras semelhantes. Mas quando se encontram referenciados em documentos da época, a dúvida desvanece-se. É o caso de Almada.
      Al-Idrisi, na sua obra “A Primeira Geografia do Ocidente”, escrita no século XII, (neste caso a versão por mim consultada foi a versão francesa “Idrisi, La première géographie de l’Occident”, présentation par Henri Bresc et Annliesse Nef, GF Flammarion, Paris, 1999) refere na página 267 (e traduzo do francês):
      “Situada na proximidade do oceano Tenebroso, esta cidade (Lisboa) tem à sua frente, na margem sul do rio, o burgo fortificado de Almada (al-ma’dan, ‘a mina’), assim chamada porque quando o mar está agitado, deita nesse lugar ouro bruto. Durante o inverno, os habitantes da região vão para perto do burgo fortificado à procura deste metal, e aproveitam ‘a mina’ que se renova ao longo de todo o inverno. É uma das maravilhas do mundo que vimos nós próprios”.
      Assim, não existe dúvida sobre a origem do termo Almada.
      Cumprimentos

  4. Fabulosa . Já agora eu sou de uma aldeia chamada Alcafozes ou outrora Alcanfozes, sem duvida de
    Origem árabe. O que significa? Obrigado.

    • ALCAFOZES (Idanha-a-Nova) – O mesmo que ALCAFAXE. Segundo Adalberto Alves, no seu “Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa”, o termo tem origem em القفص Al-Qafass, que significa “cercado, vedação, jaula, gaiola grande para pássaros”.
      Cumprimentos

  5. Parabens pelo artigo, está realmente um primor. Adorei!
    A Linguística é fascinante, e quando se começa uma pequena busca de informação, acaba-se fazendo uma investigação que não tem fim. A língua portuguesa é riquíssima e importou não só do árabe como de outras línguas. Que tal continuar a pesquisa?

  6. Pingback: Influências da Língua Árabe no Português | Histórias de Portugal e Marrocos | AICL Colóquios da Lusofonia

  7. Caro estudioso Frederico Mendes Paula, aguardo o seu comentário sobre a cooperação de Portugal e mais outro 4 países europeus com o Magrebe, que prevê quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, e que integram o processo de diálogo 5+5 . Essa cooperação tem algo a ver com as ligações seculares de Portugal com o Norte de África?

    • Cara Maria Silva
      Desconheço os acordos de cooperação de que fala e não serei eu certamente a pessoa indicada para os comentar ou sequer falar das nossas relações de mais de 500 anos com o Norte de Africa que refere.
      O que lhe posso dizer é que sou um convicto da nossa identidade mediterrânica e que espero que um dia haja algum bom senso para se perceber a asneira do caminho que Portugal está a trilhar.

  8. Sem dúvida que precisamos de valorizar mais estes legados na nossa cultura, tradição, língua, arquitetura,etc resultantes dos intercâmbios que sempre os povos do Sul da Europa concretizaram com os povos do Norte de África. Certamente que o governo português está certíssimo quando aposta na cooperação com o Magrebe, com quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, que integram o processo de diálogo 5+5 – reunindo dez países dos dois lados do Mediterrâneo -, ao abrigo do qual já foram estabelecidos acordos de cooperação, no qual Portugal é membro, segundo declarações recentes de Teresa Ribeiro, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, do governo português.No final de contas, o Portugal Marrocos contínua vivo, se assim o entendermos e as escolas portuguesas partilhem com os jovens toda esta história de povos tão próximos !

    • A cooperação com o Magrebe, com quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, que integram o processo de diálogo 5+5 , cooperação na qual Portugal participa, tem algo a ver com as nossas relações de mais de 500 anos com o Norte de África?

  9. Existe um Peniche perto de Vigo, na Galiza…ponho muitas dúvidas na sua origem árabe. E trofa, tão ao norte…parece-me muito forçada essa explicação.

    • Sem querer por em causa a eventual justeza das suas dúvidas, até porque a origem de muitos termos do Português poderão ter diversas explicações, lembro que no Norte de Portugal existem muitos topónimos indubitavelmente de origem Árabe, como Mafamude, em Gaia, Marvão, Barbeita, Saímes, Irão e Couce, em Cinfães, Aboadela, em Amarante, Alcácima, Almodafa e Alcaria, em Tarouca, Alcaçovela, Arritana, Cárquere, Córdova, Fazamões, Massora, Maurel e Almozerna, em Resende, Alcoba, na Guarda, Alderuge, Alqueidão, Alvoraçães, Fáfel, Angorês, Lalim, Lazarim, Marrocos e Almacave, em Lamego, Alfaiates, no Sabugal, Algarido, em Moimenta da Beira, Algereu, Boassas, Marame e Alqueive, em Cinfães, Almançor, em Castelo de Paiva, Almoínhas e Maçode, em Armamar, Mamouros, em Castro Daire, Mansores, em Arouca, etc. etc. etc.

    • Bom dia meu caro Eduardo.
      Quero chamar a sua atenção para o facto de que Vilar de Mouros fica no Minho, e que, antes da reconquista cristã, os Mouros chegaram a conquistar e ocupar, durante largos anos, terras além Pirinéus o que fez com que os reis francos se unissem contra a invasão Moura e, anos mais tarde, desse origem aos reinos cristãos da península e o resto é história.
      Passar bem.

  10. Povos & Culturas ! O que lembramos? Lamento que nossas escolas , tanto em Portugal como no Brasil, passem ao lado da história milenar de nossos povos e acabemos por não lembrar e por ter preconceitos em relação a nossos antepassados, como é o caso dos árabes e arabizados. Seria bom acompanharmos o que se publica agora que se celebram os 600 anos da conquista de Ceuta e da presença de Portugal no Norte de África . Os cadernos do Arquivo Municipal , vão lançar no nº 4 este tema e estão anunciando o Call For Papers. http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/investigacao/cadernos-do-arquivo-municipal/call-for-papers/ Os amigos deste excelente espaço , uma boa e corajosa iniciativa do Frederico Mendes Paula, podem-nos atualizar com as boas novas destas memórias?

      • Eu também fico surpreendida com os muitos testemunhos que encontramos em Portugal que se relacionam com o Magrebe. Por exemplo o refrescom muito comum em Portugal, o Mazagran,
        uma das bebidas preferidas do Magrebe e que se serve quente do Inverno e gelada no Verão. Do livro “Mazagran” de José Rentes de Carvalho (Vila Nova de Gaia, 1930), transcrevo o texto que cita o tal refresco do Magrebe: “um copo grande cheio até mais de um terço com café forte, um volume igual de água gasosa, muito açúcar, uma rodela de limão”, e “quando o Profeta abranda a sua vigilância junta-se-lhe um cálice de conhaque”

        • Interessante e engraçado. Essa vigilância do Profeta pode ter diversos significados…a pressão social, a rendição à tentação, o sentimento de solidão…

          • E continuo a “descobrir” literatura que identifica a nossa herança Magrebe, tão propositadamente esquecida!A mesma cultura! . Leiam este texto sobre as Cartas do meu Magrebe de Ernesto de Sousa que li no blog KATEB YACINE que homenageia o escritor magrebino nascido na Constantina (Argélia) no dia 2 de Agosto de 1929: “A viagem de Ernesto de Sousa pelo Magrebe no princípio dos anos 60, teve como ponto alto a sua passagem pela Argélia nas vésperas da independência. É em plena revolução e luta sangrenta pela liberdade, que o criador de Dom Roberto consegue para o JN uma entrevista com o chefe militar e futuro Presidente da República, Houari Boumédiènne. É também nesta altura que Manuel Pacheco de Miranda, director do JN, comunica a Ernesto de Sousa a necessidade de pôr fim às crónicas que vinha escrevendo pois o jornal não poderia continuar a dar notícias acerca de um país que era contra a soberania portuguesa nas “Províncias Ultramarinas”. A curiosidade de Ernesto de Sousa pela cultura do Magrebe e pela luta anticolonial da Argélia não era oportuna à censura de Salazar e só agora, 50 anos depois, se publicam as crónicas de um dos mais interessantes olhares em Portugal sobre a herança cultural do Norte de África. Afinal, os tais Berberes, como há dias afirmou o arqueólogo Cláudio Torres, “ocupavam todo o sul da Península Ibérica. Era a mesma cultura, era a mesma língua, o mesmo espaço, a mesma habitação. (…) Todo este mundo fez parte de um mundo comum. (…) E a gente agora deprecia-os, esquece-os, não percebe que pertencem à nossa estrutura cultural.””

            • Muito interessante. Essa questão da história e origem comuns tem sido tratada com muita ignorância e indiferença

              • Caro Frederico Mendes Paula, A sua incansável pesquisa de bibliografia sobre a historias de Portugal junto com Marrocos e a partilha dos textos constitui uma importante contribuição para o conhecimento da história que nos aproxima do norte de África. E um convite para que outros sigam o seu exemplo! E com certeza que existem publicações em língua portuguesa sobre a herança árabe. Cito adiante um livro que é uma boa fonte:
                Adel SIDARUS (Ed. de); Pierre GUICHARD (Introdução de) – Fontes da História de al-Andalus e do Gharb, Lisboa, Centro de Estudos Africanos e Asiáticos – Instituto de Investigação Científica e Tropical, 2000, 190 pp. + 5 estampas (ISBN 972-672-887-8).
                No endereço
                ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3603.pdf encontramos uma recensão crítica sobre esta obra e outra recensão
                sobre tambem de Adel SIDARUS (Ed. de); Humberto Baquero MORENO (Introdução de) – Islão Minoritário na Península Ibérica, [«Biblioteca de Estudos Árabes», vol. 7], Lisboa, Hugin, 2002, 119 pp. (ISBN 972-794-097-8).

  11. Obrigada pela publicação desta informação. Normalmente só se fala da origem no latim das nossas palavras, esquecendo-se que nós tivemos durante mais tempo sob domínio e influência árabe. O que naturalmente deixou muitas marcas no nosso léxico, pensamento e cultura. Mas tal é pouco investigado e divulgado.

  12. Embora reconheça a nossa influencia judaico-cristã, grega, romana e dos povos galaico-castrejos, o árabe deixou as usas raízes inegáveis e devemos ter gosto nisso.

    • Raízes inegáveis das culturas arabizadas sem dúvida mas não as únicas! Sem dúvida que é importante que se estude este assunto e partilhe, como tão bem faz o gestor deste espaço, o Frederico Mendes Paula, Recomendo a leitura do texto Memórias Árabes em Portugal/ Arabian Memories in Portugal Written by Habeeb Salloum Photographed by Tor Eigeland, no endereço https://www.saudiaramcoworld.com/issue/200102/arabian.memories.in.portugal.htm
      O autor refere as muitas manifestações culturais portuguesas com origem no legado árabe.Gostei de ler e de conhecer esta publicação »» Aramco World Arab and Islamic cultures and connections
      The magazine of cultures and connections

      • Por isso dizia Fernando Pessoa: “Não se pode falar na raça portuguesa, se houvesse uma raça nós éramos uma anti-raça, feita com gente de toda a parte”

  13. obrigado por essa tentativa. contudo convém reflectir um pouco sobre o que se diz ou escreve: 1) a dita “influência gramatical” consiste na derivação do étimo árabe no uso português; 2) neste sentido, não se pode comparar os pretensos 18 mil e tal arabismos portugueses com os 4 mil em castelhano ou catalão, porque os linguístas profissionais contabilizam essencialmente os “étimos” e não as formas derivadas…
    por outro lado, entre nós em portugal, não se pode ignorar o dicionário etimológico do grande arabista José Pedro Machado (5 vols. com várias edições).

  14. Alhadas, localidade do concelho da Figueira da Foz, creio que é também de origem árabe, que na essência, quer dizer confusão, sarilho, problema.

    • ALHADA no Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa de Adalberto Alves tem a seguinte explicação:
      الحاد al-hadd _ o picante (de um instrumento); o cortante (de um instrumento); assunto picante ou situação embaraçosa; meter-se numa … = meter-se em sarilhos

      • O livro A origem da língua portuguesa constitui um importante contributo para o reconhecimento da história dos povos que passaram e ficaram em terras lusas. No final de contas antes dos romanos , muitos outros povos contribuíram para a identidade portuguesa e depois dos romanos também!
        Mas qual seria a base linguística que existia no território de Portugal, que nasceu com a língua galega, quando os Fenícios chegaram…?Ainda vamos aprender a respeito?

        Ao que parece, não haver dúvida, é que o rendilhado que constitui a Língua Portuguesa é imenso e não parará nunca. Fenício, hebraico, sírio, romano (a última flor do Lácio), árabe, alguns vestígios bárbaros, e compondo-se de agora em diante com algumas pitadas de tupi guarani e bantu, etc.. Eis a tremenda riqueza que vai construindo a Língua de Luís de Camões e de Machado de Assis.

        Como não havia de ser, pois, tão complicado um acordo ortográfico com hábitos tão profundos e enraizados, e tantos nacionalismos à mistura. Mas lá chegarão as múltiplas comunidades dos povos de Língua Portuguesa, se soubermos consolidar uma alargada comunidade de afetos..

  15. Sobre as influências da língua árabe no português,penso que a cultura será um termo mais abrangente para refletirmos sobre esse legado. E pergunto ao excelente estudioso dos intercâmbios com o norte de África, Francisco Mendes Paula, se já alguma vez abordou o tema : as raízes africanas do cristianismo latino? Julgo que no Museu de Arqueologia de Lisboa existem alguns testemunhos da origem no Norte de África das religiões na Península Ibérica! Recentemente li um artigo que despertou meu interesse por este assunto. Pode-se ler no http://www.30giorni.it/articoli_id_3525_l6.htm

    • As nossas similaridades culturais e influências mútuas são variadíssimas e pouco estudadas. Num universo tão vasto haverá com certeza lugar a desenvolver temas tão interessantes como o que refere. Obrigado pelo seu contributo

  16. Uma lição fantástica! Li a devorar, de tão interessante. Vou reler com mais calma para tentar assimilar toda esta informação. Obrigada por divulgar. De repente dei-me conta de que sou muito ignorante no que diz respeito à Língua portuguesa…

    • Obrigado. Infelizmente o nosso passado Árabe e a sua influência na nossa cultura não tem sido propriamente objecto de divulgação por parte das autoridades deste país, mais interessadas em afirmar a nossa “vocação europeia”.

  17. Bom trabalho, mas procurando muitas dessas palavras no Dicionário de dicionários da lingua galega não aparecem as mesmas acepções,por exemplo,Palmela(Bismilhah ou em nome de Deus)? no dicionário aparece como “reja de arado”, Muge(Muhja ,alma)?o muge é um peixe, Penela(Ben Allah,filho de Deus?penela, pequena elevação,outeiro,lomba, Malhada(lugar de travessia de um rio)?trabalho de malhar cereais efectuando um ajuntamento de pessoas, Borba(Birba,labirinto)?borba, tripas de peixe, Bobadela(Buabdallah,filho do escravo de Deus)?Bobadela, nome de uma freguesia da provincia de Ourense

    • É natural que assim seja. Muitos topónimos derivados do Árabe podem ter origem em diversas palavras e cada autor adopta aquela que lhe parece mais correcta.
      Por exemplo, o topónimo “Bobadela” segundo Adalberto Alves tem a sua origem em “Bu Abd Allah” (cuja tradução à letra é “pai do escravo de Deus”), de onde deriva Boabdil (nome do último rei de Granada), interpretação partilhada por José Pedro Machado. Mas na Wikipédia encontramos também como sua origem a palavra “Budel”, que supostamente significa “porta franca”. Para Pinho Leal o termo provém de “abuar”, que significará “delimitar”.
      Para além disso, existem palavras cuja origem Árabe não é consensual para os vários autores que as referem, como é o caso de “Borba”, que tanto surge como derivada do Árabe “birba” ou “labirinto”, como do Celta “barbo” ou “lago”.

  18. Obrigado por esta informação. Tenho andado à procura de um dicionário árabe-português, sabe onde posso encontrar?

    cmpts.

    • Não sei qual é o tipo de dicionário que pretende. Em relação ao Árabe-Português, que eu conheça, existem alguns dicionários bastante básicos, todos eles editados no Brasil, como é o caso do “Dicionário Árabe-Português-Árabe” de Alphonse Nagib Sabbagh, Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988. Se pretender um dicionário mais elaborado e completo, e se dominar minimamente o Espanhol, não tenho dúvidas em lhe aconselhar o “Dicionário Arabe-Español” de F. Corriente, Instituto Hispano-Arabe de Cultura, Madrid, 1977, também disponível na internet para descarregar. Cumprimentos

  19. Pingback: Influências da Língua Árabe no Português | Depois da aula

    • Obrigado. É um tema que nos dá respostas surpreendentes sobre expressões comuns que utilizamos no dia a dia

  20. Não me parece que a palavra “chá” possa ser de origem árabe porque ela é introduzida no Português somente após os Descobrimentos e provém da própria China, onde se pronúncia “tchá”, bem como na Tailândia. No resto da Europa, e daí emigrou para outras paragens, diz-se da forma como se pronuncia na respetiva língua a letra “T”, que era colocada nos sacos provindos do Extremo Oriente, transportados pelos portugueses, e destinados a Transbordo

    • Tem razão. Fica aqui um esclarecimento sobre a palavra Chá:
      Segundo artigo da Wikipédia “O caractere chinês para chá é 茶, mas tem duas formas completamente distintas de se pronunciar. Uma é ‘te’ que vem da palavra malaia para a bebida, usada pelo dialeto Min e Amoy. Outra é usada em cantonês e mandarim, que soa como chá e significa ‘apanhar, colher’.
      Esta duplicidade fez com que o nome do chá nas línguas não chinesas as dividisse em dois grupos:
      Línguas que usam derivados da palavra Te: alemão, inglês, francês, dinamarquês, hebraico, húngaro, finlandês, indonésio, italiano, islandês, letão, tamil, sinhala, francês, holandês, espanhol, arménio e latim científico. Línguas que usam derivados da palavra Chá: hindi, japonês, português, persa, albanês, checo, russo, turco, tibetano, árabe, vietnamita, coreano, tailandês, grego, romeno, swahili, croata.”
      Segundo Cristiane Sato em “Cultura Japonesa”, 2006, “Em chinês escrito – e em japonês também – o chá, o da Camellia sinensis, é representado pelo seguinte ideograma: 茶 Esse ideograma é lido em mandarim e em japonês como “tchá”, e no dialeto amoy, falado na região de Fujian na China – uma das principais regiões produtoras de chá do mundo – como “tê”. O chá chegou à Europa ocidental através de carregamentos vindos da Ásia, e dependendo do dialeto falado nos portos chineses que exportavam o chá, a palavra incorporou-se aos idiomas ocidentais com um som similar ao de sua origem. Assim, o “tê” da região de Fujian virou o thé francês, o te italiano, o tea inglês e o Tee alemão. Os portugueses adquiriam o chá em Macau, colônia portuguesa na China onde se falava o dialeto cantonês, que se parece com o mandarim, e assim o “tchá” falado por eles virou o nosso chá.”
      No entanto Adalberto Alves no seu Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa refere o termo como arabismo, não sei se pelo facto de o considerar como de origem Árabe ou se pelo facto de ter sido introduzido em Portugal pelos Árabes. Convém não esquecer que o chá era uma bebida de consumo frequente no Al-Andalus, pelo que a ideia de que só chegou ao actual território de Portugal durante os Descobrimentos não é correcta.
      Agradeço o comentário.

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