Glossário

ABASSIDAS . Califado fundado pelos descendentes do profeta islâmico ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib, o tio mais jovem do Profeta Muhammad. Estabelecido em Bagdade, após o célebre massacre de Abu Fotros, no qual grande parte dos Omíadas foram assassinados, pondo termo ao seu Califado

ACOBERTADO . Designação de cavalaria pesada, em que o cavalo é protegido por uma armadura de ferro ou tecido grosso

AÇOUGUEAs-Suq . Talho (O termo original significa “mercado”)

ADAÍL . Comandante militar. Termo que deriva do Árabe Ad-dalid, que significa chefe ou guia

ADARVE . Também chamado caminho de ronda, é um parapeito interior ao pano da muralha, com a função de ronda das sentinelas e distribuição dos defensores. Tem origem no árabe ad-darb ou “caminho”.

ADIMA . ‘Adada . Carpir, esgadanhar-se e arranhar-se pela alma de um morto

ADUAR . Um douar é tradicionalmente um acampamento nómada disposto em círculo, com um espaço livre central, onde ficavam os rebanhos. Actualmente é o nome dado a um aglomerado rural

AGADIR . Celeiro fortificado, muito comum no Sul de Marrocos

AGUA DE BACALHAU . Água benta dos Cristãos (para os mouriscos)

AHENDIR . Roupa tradicional das mulheres da tribo Ait Haddidou

AHIDOUS . Dança tradicional da região do Médio e Alto Atlas, na qual homens e mulheres, lado a aldo, formam círculos ondulantes

AHOUACH . O mesmo que Ahidou

ALAMAR . Al-‘Amara . Cordão, galão que guarnece a jaqueta dos saloios

AL-ANDALUS . Nome dado à Península Ibérica durante o período Árabe. A origem do termo é incerta, existindo autores que defendem que provém de vandalicia, designação da Bética Romana ocupada pelos Vândalos; para outros o termo provém de landa hlauts, designação dada pelos Visigodos à Bética; para outros a sua origem está no Árabe jazirat al-andaluz, que significa ilha do atlântico

ALAMBOR .  Alargamento da base de uma muralha, através de um plano inclinado, que trazia várias vantagens em termos de eficácia defensiva, já que afastava os atacantes, inviabilizando a utilização de máquinas de guerra, dificultando a colocação de escadas e evitando a sua minagem, ao mesmo tempo que facilitava o ângulo de tiro dos defensores, que não precisavam de se debruçar para efectuarem disparos

ALARDO . Parada militar

ALARAVE ou ALARVE . Al-‘Arabi . O Árabe

ALBACAR . Porta da muralha por onde entra e sai o gado

ALBARDA . Al-Barda’ . Sela, arnez de cavaleiro

ALCACER CEGUER . Nome português da cidade de Ksar es-Seghir

ALCACER QUIBIR . Nome português da cidade de Ksar el-Kebir

ALCAIDES MOURISCOS .  Mouriscos expulsos da Península no século XV, alcaides de cidades como Tetuão e Xexuão,  como Sidi Ali Al-Mandari (Almandarim) e Mulai Ali Berrechid (Berraxe), que se celebrizaram como grandes combatentes da presença de Portugal em Marrocos, transportando para o Norte de África a luta contra os cristãos que os tinham expulso dos seus países

ALCAIMA . Do Árabe khaima que significa tenda

ALFAQUEQUE . Pessoa que tinha por missão tratar do resgate de cativos cristãos, fossem escravos ou prisioneiros de guerra. A palavra tem origem no Árabe “alfàkkãk” que significa “emissário”

ALFAQUI . Especialista em direito Islâmico, geralmente pertencente a uma das escolas tradicionais da jurisprudência Islâmica

ALFITETE . Al-Fitat . Massa doce, composta de farinha, açúcar, ovos e vinho

ALFORGE . Al-Hurj . Sacola dupla para colocar no dorso das montadas

ALFORRIA (ou manumissão) . Acto pelo qual um proprietário de escravos liberta os seus próprios escravos. Esta libertação assume diferentes formas consoante o tempo e o local da sociedade esclavagista. A palavra alforria tem origem no árabe Al-Hurria, que significa “liberdade”

AL-GHARB . Significa em Árabe o Ocidente

ALIFATO . Nome dado ao alfabeto árabe

ALJAMAS DE MOUROS . Comunidades mouriscas

ALJAMÍA (ESCRITA ALJAMIADA) . Escrita em Língua Românica Peninsular ou Romance, mas utilizando caracteres Árabes. Aljamía deriva do Árabe Al-ajamiyya, designação que é dada às línguas estrangeiras

ALMÁCEGA . Al-Mustanqa . Tanque para lavar a roupa usado pelas lavadeiras mouriscas

AL-MAHALA . Significa a zona do exército onde se encontra o seu comandante e a sua guarda pessoal

ALMEXIA . Al-Mawxya . Espécie de túnica que os mouriscos usavam obrigatoriamente sobre o vestuário “normal” quando não utilizavam roupagem oriental (aljuba, albornoz ou turbante), para se distinguirem dos cristãos. Foi também imposta a utilização do sinal do Crescente de pano vermelho, cozido nas suas roupas, no ombro, e o uso do cabelo rapado

ALMÓADAS . Originários da tribo Masmuda, do Alto Atlas marroquino, os Almóadas (do Árabe Al-Muahidin, ou os unitaristas, no sentido de monoteísmo religioso), têm a sua origem enquanto movimento organizado na mesquita de Tin Mal, situada na região do Tiz’n’Test, junto á actual estrada que liga as cidades de Marraquexe e Taroudant. Derrotam os Almorávidas em Marrocos no ano de 1130, conquistando o Norte de Africa até Tripoli. Os Almóadas invadem a Península, que unificam sob o seu poder. A batalha de Navas de Tolosa, travada no ano de 1212, na qual os Almóadas são derrotados por uma coligação cristã liderada por Afonso VIII de Castela e que integra os reinos de Leão, Portugal, Navarra e Aragão e as ordens militares de Santiago, Calatrava, Hospitalários e Templários marca o início da desagregação da dominação Almóada no Al-Andalus, abrindo as portas ao terceiro e último período de Reinos de Taifas.

ALMOCADÉM . Nome dado aos mouriscos usados como batedores nas almogavérias de Marrocos. Do Árabe al-muqqadam, que significa o que precede, o que vai à frente

ALMOCREVE . Condutor de bestas de carga

ALMOGÁVARES . Força de elite que levava a cabo almogavérias. Termo vem do Árabe Al-mighuar (pl. Al-maghauir), que significa corajoso

ALMOGAVÉRIA (ou CORRERIA) . Surtida militar de uma Praça-forte para fazer razias nas aldeias, roubando gado, destruindo colheitas e fazendo cativos

ALMORAVIDAS . Nos confins do deserto do Sahara, na área hoje ocupada pelo Senegal, Mauritânia e Sul de Marrocos, uma confederação de tribos nómadas islamizadas desde os finais do século IX, lideradas pelos Lamtuna e Sanhadja, organiza-se em confraria religiosa e militar, os Almorávidas (do Árabe Al-Murabitun, ou aqueles que vêm do Ribat ou mosteiro muçulmano). Conquistam todo o Norte de Africa Ocidental e estabelecem a sua capital na cidade de Marraquexe. Respondendo a um pedido de auxílio dos Reinos de Taifas Andaluses invadem a Península, que unificam e integram no seu império. O surgimento de outra dinastia Berbere em Marrocos, os Almóadas, a derrota que sofrem na Batalha de Ourique frente aos cristãos de Afonso Henriques e os levantamentos que levam ao estabelecimento dos segundos Reinos de Taifas do Al-Andalus estão na origem da sua queda.

ALMOXARIFE . Tesoureiro, inspector, intendente

ALPERROS . Nome dado aos Turcos

AL-QUIBRA . Al-Quibla . Direcção de Meca

AL-SALAT . As-Salat . A Oração

AMARG . Significa em Tacheliht, poesia cantada. Tem também os significados de amor, desgosto e lamento

AMAZIGH (pl. IMAZIGHEN) . Nome do povo que habitava o Norte de Africa à data da sua arabização. Significa “homem livre” na língua Tamazight. Constitui actualmente cerca de 60% da população de Marrocos

AMEIA . Abertura no cimo da muralha, situada entre dois merlões

ANDALUSINOS . Designação dos habitantes do Al-Andalus

ÂNGULO MORTO . Porção de terreno exterior a um perímetro muralhado, não abrangido pelo tiro das bocas de fogo colocadas no mesmo

ARAVIA, ARAVYA ou ARABYA . Arabia . Língua Árabe

ARCABUZ . Arma de fogo portátil, chamada pelos portugueses “espingarda”

ARDER . Ser executado por morte na fogueira, considerada a pena máxima, aplicada a crimes como heresia e bruxaria, mas também a homossexualidade e outros comportamentos considerados desviantes

AROSSA . Noiva

ARRAIAL . Do árabe ar-Rahl . Redil, acampamento; assentamento

ARRAIS . Ar-Rayys . Chefe, Presidente (Título atribuído geralmente aos chefes corsários)

ARRUAR. Acção de traçar ruas e pavimentá-las

ARZILA . Nome português da cidade de Asilah

AZUAGO . Mercenário argelino

ATALAIA . Local de observação, geralmente situado em situação elevada. Designação dada aos postos de observação das Praças em Marrocos, com a finalidade de detectar qualquer movimento inimigo e alertar as defesas

ATALAIAS (ou FACHEIROS) . Sentinelas que fazem serviço de vigia nas Atalaias

ATALHO . Tramo de muralha que dividia uma área muralhada em duas. “Imediatamente após a conquista de um local, os portugueses tinham por princípio reduzir, por vezes de forma drástica, o tamanho das cidades em que se instalaram. Esta espécie de “redução” toma o nome de atalho e materializa-se na construção, no interior da muralha existente, de novas muralhas. Após essa construção, parte dos bairros ficam fora do recinto fortificado.”

AZAQUI . Az-Zaki . Tributo pago pelos mouriscos correspondente a uma décima parte dos tributos da terra

AZUAGOS . Tropas do Leste da Argélia

BALUARTE . Estrutura defensiva integrante das muralhas, avançada em relação ao seu plano. A designação era geralmente atribuída aos elementos situados nas inflexões das muralhas, chamando-se “estâncias” ou “plataformas” àqueles que se situavam num ponto de determinado “pano”.

BANDOLEIRISMO MOURISCO . As condições duríssimas em que os mouriscos resistem após a obrigatoriedade de conversão ao cristianismo e a própria fatalidade que marca o seu destino, originam que a sua resistência tenha um carácter extremamente clandestino e desesperado, marcado pelo ambiente de terror em que viviam. Muitos deles, os que optam pela luta armada contra os cristãos, aderem ao chamado “bandoleirismo mourisco”, de carácter violento e marginal, organizando-se em três grupos distintos _ Corsários, Mânfios e Gandulos

BARAKA . Benção divina

BARBACÃ . Muro anteposto às muralhas, de menor altura do que estas, com a função de defesa do fosso de uma fortificação, onde era oferecida a primeira resistência ao agressor

BASTIDA (ou CASTELO DE MADEIRA) . Torre de madeira revestida com peles de animais, utilizada para assalto a recintos muralhados

BEDUÍNO . Termo que significa em Árabe semi-árido ou pessoa do deserto, e designa as populações originárias da Península Arábica

BELCHOR . O mesmo que elche, ou ateu; cristão renegado, convertido ao Islão; indivíduo que muda de religião

BENDIR . Instrumento musical de percussão

BENI MAAQIL . Tribo Árabe originária do Yemen que se fixou entre os séculos XIII e XV no Vale do Dadés, trazendo consigo a famosa “arquitetura das Kasbahs”

BERBERE . Designação generalizada, considerada por alguns como depreciativa, dada ao povo Amazigh. Termo que deriva do latim barbarus, que por sua vez deriva do grego com o significado de estrangeiro

BEY . Título turco que designava os governadores das cidades

BIDAOUI . Nome dado aos habitantes de Casablanca. Tem origem em Dar Al-Beida, que significa “Casa Branca”

BIOCO . Burqu’ . Parte da capa que cobria o rosto das mulheres, ainda usado no Algarve nos finais do século XIX, concretamente no ano de 1892, data em que foi proibido. Era também conhecido por “rebuço”

BLED EL-MAKHZEN (ou País da Lei) . Designação do conjunto das regiões do território de Marrocos governadas pelo poder centralizado do sultão

BLED ES-SIBA (ou País Dissidente) .  Designação do conjunto das regiões do território de Marrocos governadas autonomamente pelas tribos Amazigh

BOCA DE FOGO . Abertura na muralha para disparo de artilharia

BORJ . Significa em Árabe “Torre”

BORTUQAL . Nome dado pelos Andalusis a Portugal. A alteração das consoantes P e G deve-se ao facto de não fazerem parte do alfabeto Árabe

BRANCO . Cristão-Velho

BRIJA . Diminutivo de “Borj”

BUXA . Dispositivo colocado num fosso ligado ao mar, com a função que o mesmo fique seco na maré-baixa

CABILA . Tribo

CACIS . Qassis . Sacerdote, Imam, homem nobre, notável

CÁFILA . Caravana

ÇAFIM ou SAFIM . Nome português da cidade de Safi

CAFRE . Kafir. Ateu; rude, desumano

CALIFADO . Território que, para além de deter poder político e militar autónomo, detém também poder religioso, no sentido de constituir uma forma Islâmica de governação

CALVI ARAVI . Qalbi ‘Arabi . O meu coração é Árabe (Canção popular do século XVI recolhida por Gil Vicente e referida na Comédia de Rubena)

CANHONEIRA . Boca de fogo para disparo de artilharia pesada

CAPRIFICAÇÃO . Operação arbórea praticada pelos agricultores que consiste em tornar fértil uma figueira que se tornou estéril

CARÍAS . Kharyas . Cantilenas de origem Árabe, geralmente cantadas por mulheres, na base das “cantigas de amigo”

CARRIAGEM . Conjunto de carros de tracção animal, onde se transportavam os mantimentos do exército

CASAMATA . Abrigo coberto integrado num baluarte, para proteger posições de artilharia

CASBAH (QASBAH ou KASBAH) . Cidadela fortificada. O termo está na origem da palavra alcáçova

CAVALEIROS-VILÃOS . Cavaleiros designados pelos concelhos para combater nas hostes do rei, devendo para isso ter posses suficientes para possuir cavalo, armas e ter um determinado rendimento, já que normalmente eram donos de terras. Não recebiam qualquer pagamento, mas ficavam isentos de determinados impostos. Nos concelhos são os homens-bons e nas cortes representam a classe popular, estando assim entre a nobreza e o povo

CELA ou CELLA . Salat . Oração

CEUTA . Nome português da cidade de Sebta

CHAHADA . Profissão de fé muçulmana

CHARK AL-ANDALUS . O Oriente do Al-Andalus. Nome dado aos territórios do Al-Andalus situados do lado Oriental da Península

CHAVE (de ARCO ou de ABOBADA) . Também conhecida como fecho ou pedra angular é a aduela central de um arco ou de uma abóbada

CHIADMA . Nome de tribo de origem Árabe que vive na região costeira entre Souira Qadima e Essaouira. A designação refere-se também ao território que habitam e que partilham com os Regraga

CHLEUH . Nome de uma das três grandes Nações ou grupos étnicos Amazigh que habitam em Marrocos. Os Chleuh vivem no Alto Atlas, Anti-Atlas e na região do Sousse

CHORFA . Pessoa notável, nobre

CID ou CIDE . Título derivado do Árabe “saíd”, que significa senhor ou santo

CIDADELA . Fortaleza ou fortificação construída em ponto estratégico de uma cidade, visando sua proteção. A cidadela pode, por vezes, incorporar parcial ou totalmente um castelo existente nesta cidade ou mesmo partes da sua estrutura urbana

CORSARIO (ou CORSO) . Comandante de navio autorizado a atacar e pilhar navios de outras nações,  legitimado por uma autorização, chamada “carta de corso”, emitida por um governo. Os corsários eram usados como um meio fácil e barato para enfraquecer o inimigo, perturbando as suas rotas marítimas, sem que o estado tivesse que suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

COURA . Protecção feita de couro que substituía a armadura

COURAÇA .  Tramo de muralha que estabelece a ligação entre esta e o mar. “Consolidada na sua extremidade por uma torre, a couraça permite deslocações protegidas entre a cidade e o mar e, portanto, facilita o carregamento e descarregamento de tropas e equipamentos sob pressão inimiga. Também ajuda a “conquistar” a praia e dissuadir o inimigo de qualquer manobra para bloquear a passagem.”

CRISTÃOS-NOVOS . Judeus ou Muçulmanos convertidos ao cristianismo

CUBELO . Torre de forma quadrada adossada às muralhas

DAIA . Lago natural

DAOUR . Também chamada de “Primavera Regraga”, é o nome da peregrinação que essa tribo realiza todos os anos. Significa “volta, passeio”

DARIJA . Dialecto Árabe Magrebino falado correntemente em Marrocos.

DEBUXADOR .  Desenhador, projectista

DEGREDADOS . Indivíduos condenados, que cumpriam as suas penas nas colónias, num regime de semi-liberdade

DERDEBA . Ritual ancestral Gnawa praticado à noite “visando transformar uma possessão mórbida por uma possessão controlada. Durante a cerimónia, são invocados diversos espíritos ligados às cores, santos venerados pelas confrarias sufis marroquinas e entidades femininas”

DEVASSA . Visita temporal feita pela inquisição para recolher denúncias de “pecados públicos”, como “heresia, bigamia, adultério, mancebia, casais separados, superstições e feitiçarias, alcoolismo, incumprimento da obrigação de ir à missa aos domingos e dias santos e da confissão e comunhão anuais, insultos”, detectando-se “adulteros, barregueiros, concubinários, alcoviteiros, e os que consentem as mulheres fazerem mal de si em suas casas, incestuosos, feiticeiros, benzedeiros, sacrílegos, blasphemos, perjuros, onzeneiros, simoníacos, os que dão publicas tabolagens de jogo em suas casas”

DIWAN . Conselho, órgão governativo colegial

DRAKKAR . Nome dos navios dos Vikings, famosos pelas suas proas com cabeça de dragão. De baixo calado, podiam navegar em águas pouco profunda e eram extremamente manobráveis

DUQUELA . Nome dado pelos portugueses às actuais regiões marroquinas de Doukkala, Abda e Sousse

ELCHE . Ilj . Cristão que opta pela conversão ao Islão, partindo para a Terra dos Mouros (Norte de África)

EMIRATO . Significa em Árabe Principado. Refere-se a determinado território com autonomia política e militar

ENAGUA . An-Nawa . Saia branca que as saloias usam entre a combinação e a saia

ESMERILHÃO . Peça de artilharia ligeira

ESPAQUI  (do turco Spahi) . Atirador montado

FACHEIROS (ou ATALAIAS) . Sentinelas que fazem serviço de vigia nas Atalaias

FADA . Cerimónia que os mouriscos faziam aos seus filhos, após serem baptizados à força, para anular o baptismo e os converterem ao Islão

FADO . Khadu . Canção com caracter de lamento saudosista, cantada em ambientes restritos e clandestinos, na calada da noite. O Fado encaixa perfeitamente enquanto expressão da marginalidade dos mouriscos urbanos, gandulos ou simplesmente cidadãos espoliados, atacados e sem futuro

FANTASIA . A arte da fantasia consiste em imprimir às montadas de um grupo de cavaleiros, chamado a Sorba, um galope de carga, o Baroud, e disparar um tiro de espingarda em uníssono no final da corrida. Os grupos mais hábeis conseguem que os seus tiros façam uma só detonação perfeitamente sincronizada

FARNEL . Farda . Cada um dos lados do alforge, provisão para viagem

FATIMITAS . Califado estabelecido em Kairuan, na Tunisia, que deve o seu nome à filha do Profeta Muhammad, Fátima Zahra, mulher de Ali Ibn Abu Talib. O seu fundador foi um Mahdi que se declarou descendente de Fátima

FATWA .  Pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico. Normalmente, uma fatwa é emitida a pedido de um indivíduo ou juiz de modo a esclarecer uma questão onde a jurisprudência islâmica, é pouco clara

FEZ . Nome português da cidade de Fes

FORMIGÃO . Também conhecido como “taipa militar” é um processo construtivo que adiciona a cal na composição do material para construir em taipa

FORTALEZA . Lugar ou imóvel fortificado, organizado para a defesa de uma cidade ou de uma região

FOSSADOS . Acções militares baseadas em incursões rápidas, emboscadas e razias para desgaste e destruição de víveres

FOSSO . Escavação regular destinada a impedir a aproximação do inimigo à fortificação. O fosso podia ser seco ou inundado com água

FRANJ . Nome dado pelos Árabes aos cruzados

FRONTEIROS . Indivíduos, geralmente nobres, que faziam serviço nas praças do Norte de Africa como militares ou funcionários administrativos

FULANO . Fulan . Indivíduo, sujeito

FUTUWAH . Cavalaria espiritual Islâmica, regida pelos princípios da justiça e da defesa dos fracos e desprotegidos

FUSTA . Embarcação do tipo da galé, que combina a vela com os remos, muito utilizada pelos corsários genovezes

GABIÃO . Cesto cheio de terra para formar barreira de protecção

GALÉ . Antigo navio de guerra, de borda baixa, movido à remos, geralmente por condenados ou escravos, mas tambem dotados de 2 ou 3 mastros para velas

GANDULOS . Do Árabe Ghandur, ou vadio, eram membros de milícias urbanas criadas em resposta ao clima de terror que se vivia nas cidades do Al-Andalus após  a conquista cristã

GASTADORES . Homens que tinham por missão abrir trincheiras ou outro tipo de fortificações provisórias

GAZULAS . Tropas do Anti-Atlas integrantes dos exércitos Sádidas

GHARB AL-ANDALUS . O Ocidente do Al-Andalus. Nome dado aos territórios do Al-Andalus que abarcavam o actual Sul de Portugal e a parte Ocidental da Andaluzia e Extremadura Espanholas

GINETES . Cavalaria ligeira portuguesa, cuja mobilidade se adequava à função de batedor e à prática da “guerra guerreada”, ou seja, o raid militar feito no território inimigo com o objectivo de roubar bens e animais, destruir culturas e emboscar tropas rivais em movimentação

GNAWA ou GNAOUA . Descendentes dos escravos trazidos da Africa subsariana para Marrocos pelos Árabes e Berberes para integrar os seus exércitos e trabalharem na construção das suas cidades. São arabófonos e praticam o Islão Sufi, organizando-se em confrarias místicas sufis muçulmanas. Usam a sua música, cantos e danças para atingirem um estado de transe, utilizando para tal um movimento circular com a cabeça, comparável à famosa dança dos dervixes rodopiantes

GOUMS ou GOUMIERS . Designação dada aos soldados marroquinos integrados no exército colonial francês, em unidades de infantaria ligeira, comandados por oficiais franceses

HABS . Significa prisão em dialecto marroquino

HAHA . Tribo Amazigh que vive na região situada entre Essaouira e Agadir

HAJIBE . Cargo político equivalente a primeiro-ministro

HAJJ . Peregrinação anual a Meca

HALKA . Círculo de pessoas que se juntam em torno de um músico ou de um contador de histórias

HARÉM . Parte da casa proibida a homens de fora ou conjunto das mulheres de um matrimónio poligâmico

HARKAS . o mesmo que GOUMS

HENNA . Corante retirado da planta “lawsonia inermis” usado no Norte de Africa e na India para colorir o cabelo e tatuar o corpo e as mãos

HOMIZIADOS . O mesmo que degredados

IDRÍSSIDA . Dinastia Árabe Xiita que reinou na parte ocidental do Magrebe entre 789 e 985

IMGHAREN . Chefes tribais do Sul de Marrocos

IRUMIN . Nome dado pelos imazighen aos cristãos

IZLAN . Cantos que acompanham os Ahidous

JAMAA . Mesquita. Significa também ajuntamento ou local de reunião

JANÍZEROS . Soldados estrangeiros integrados no exército otomano

JBEL . Significa em Árabe Montanha

JIHAD . Guerra Santa. Para os fanáticos do Islão é a guerra travada contra os não-islâmicos. Para a generalidade dos Muçulmanos é a guerra travada contra os inimigos do Islão. Para os místicos Islâmicos é a guerra que todos os indivíduos travam contra si próprios, no sentido de se aperfeiçoarem

JINNS . “Entidades maléficas ou benfazejas, superiores aos homens e inferiores aos anjos, imperceptíveis aos sentidos, e cuja importância na literatura popular e no folclore árabes é bastante grande”. Normalmente os jinns são associados a espíritos maléficos pela crença popular

KHAIMA . Tenda

KHODDAM . Servidor

L-BARTQIZ . “Os portugueses” no dialecto Árabe de Marrocos

LÍNGUA FRANCA . Língua falada pelos corsários e cativos. Esta “no man’s langue”, tinha também origem o facto de os muçulmanos não aceitarem que os cativos falassem as línguas europeias normais, que não compreendiam, mas também não aceitavam que falassem a língua árabe, a sua língua sagrada. Era composta maioritariamente por termos italianos, castelhanos, portugueses e franceses, cerca de 80%, termos árabes e turcos, cerca de 15% e alguns termos de outras línguas como por exemplo o grego, numa percentagem de 5%

LOBULO . Parte do círculo empregada como ornamento no traçado das rosáceas e dos arcos em forma de rosácea, ou, de forma sucessiva, para formar arcos polilobulados

MAAQIL . Tribo Árabe originária do Yemen que se instalou a Sul do Alto Atlas entre os séculos XIII e XV. trazendo consigo a arquitectura dos Ksares e Kasbahs que caracterizam o Planalto do Dadés

MAGREBE . Significa em Árabe Ocidental

MAHDI . Significa em Árabe Guiado.  É o redentor profetizado do Islão, que permanecerá na Terra por sete, nove ou dezenove anos (de acordo com as diferentes interpretações) antes da chegada do dia do juízo final final

MAJUS . Nome dado pelos Andaluses aos Vikings Noroegueses e Dinamarqueses. Significa Magos

MÂNFIOS . Termo derivado do Árabe Manfi, que significa desterrado ou proscrito, são uma forma de bandoleirismo marginal, constituído por grupos formados por 40 a 50 indivíduos, sediados sobretudos em zonas desabitadas e de difícil acesso, como as serranias, que atacavam os cristãos após a conquista cristã do Al-Andalus

MANTA (ou MANTELETE) . Arma de grande utilidade para os soldados que se aproximavam da muralha, formada por tabuados de madeira grossa, com pegas interiores para facilitar o seu transporte

MAR DAS ÉGUAS . Corresponde à zona marítima situada entre o Sul de Portugal e as costas Atlânticas da Andaluzia Espanhola e Norte de Marrocos

MARABUTO (MURABITO ou MORABITO) . Religioso muçulmano de vida ascética e contemplativa

MARABUTO . Murabitun . Nome dado aos religiosos cripto-islâmicos (origem “os que vêm do Ribat”)

MARADO . Marid . Doente

MARAFADA ou MARAFONA . Mr’a khaina . Mulher que engana, desleixada, escandalosa

MARIOLA . Moço de fretes

MARLOTA . Peça de vestuário árabe comprida, com mangas curtas e largas

MARROCOS . Nome português da cidade de Marraquexe

MASJID . Mesquita. Termo que deriva do verbo sajada, que significa prostrar-se

MATACÃES . Aberturas salientes no topo das muralhas para tiro mergulhante ou arremesso de objectos ou azeite a ferver

MATAMORA ou MATAMORO . Matmara . Celeiro enterrado

MATMUR (pl. MTAMAR) . Masmorra. Significa em Árabe “lugar de enterramento”

MAWLAS (ou MULADIS) . Nome dado aos antigos cristãos do Al-Andalus arabizados e convertidos ao Islão. A designação mawlas tem a sua origem no Árabe muwallids ou recém-nascidos

MAZAGANIA (do árabe Maghzanyia) . Tropas regulares que recebem soldo

MAZAGÃO . Nome português da cidade de El Jadida

MEIRINHO . Oficial de justiça

MERLÃO . Elemento saliente do parapeito de uma fortificação para proteger os seus defensores

METADOR . Indivíduo que ajudava os cativos europeus a fugir da prisão e os guiava até às Praças-fortes de Marrocos. “Este termo é uma deformação do espanhol “metedor”, que significa “contrabandista” (no sentido de aquele que “metia” ou “introduzia” alguma coisa); a “metedoria” era a introdução de mercadorias de contrabando. No caso concreto, o que se “introduzia” na Península, era mercadoria humana”.

MESTRE DE CAMPO . Oficial encarregue da organização do exército

MICER (MISSER, MESSER) . Termo antigo usado como título honorífico com o significado de “Meu Senhor”

MIHRAB .  Termo que designa um nicho em forma de abside numa mesquita. Tem como função indicar a direcção da cidade de Meca (qibla), para qual os muçulmanos se orientam quando realizam as cinco orações diárias

MINARETE . Designação que provém do Árabe manara ou farol. Refere-se à torre de uma mesquita, local do qual o almuadem ou muezzin anuncia as cinco chamadas diárias à oração

MISSÃO DE REDENÇÃO . Iniciativas promovidas pelas Ordens religiosas para libertar cativos cristãos das prisões do Norte de Africa

MÍSULA . Peça resistente, saliente de parede vertical, com a função de servir de apoio a uma cornija ou um arco

MOÇÁRABES . Nome dado aos cristãos do Al-Andalus arabizados, mas que mantêm a sua religião. A designação moçárabe tem a sua origem no Árabe musta’rib ou arabizados

MOQADAM . Chefe, o que vai à frente, batedor, fiscal

MOQQADEMA . Vidente, curandeira, mulher com poderes sobrenaturais para ver o futuro e curar situações de possessão e mau olhado

MORABITO (ou MARABU) . Local de culto a um eremita considerado santo. Normalmente é uma construção de pequenas dimensões, de planta quadrangular encimada por cúpula

MOSQUETE . Arma de fogo de calibre superior ao arcabuz

MOUREJAR (ou MOIREJAR) . Trabalhar sem descanso

MOURISCAS ou MOURISCADAS . Danças realizadas pelos mouriscos, integradas em celebrações cristãs, apenas autorizadas se os seus protagonistas as realizassem à margem da celebração. As Mouriscas eram também realizadas em espectáculos para divertir os nobres cristãos, sobretudos as protagonizadas por mulheres

MOURISCOS . Nome dado aos Muçulmanos do Al-Andalus forçados à conversão ao Cristianismo, após a conquista cristã , e à adopção obrigatória da língua e costumes dos Cristãos, incluindo a forma de vestir

MOUROS . É a designação dada pelos cristãos aos habitantes do Al-Andalus e do Magrebe. O nome tem a sua origem no Latim Mauro, que significa “de pele escura”. Nome dado inicialmente aos escravos, fossem Norte Africanos, fossem da Africa Subsariana

MOUROS DE PAZES . (ou mouros de sinal) Nome dado pelos portugueses às tribos que viviam nas áreas circundantes das praças-fortes de Marrocos e aceitavam estabelecer acordos de paz. Ao abrigo desses acordos, os portugueses davam-lhes protecção em relação às tribos inimigas e permitiam que os mouros de pazes circulassem livremente nas praças e aí exercessem o seu comércio. Em troca, os mouros garantiam paz aos portugueses e pagavam um tributo em géneros, geralmente produtos agrícolas ou gado

MOUROS FORROS . Escravos Mouros que adquiriam a sua liberdade através de um pagamento ao seu amo ou por testamento deste

MOUSSEM . Festa ou festival regional anual, em que geralmente se junta a celebração religiosa de um santo adorado localmente a atividades festivas e comerciais. São eventos muito concorridos, a que podem acorrer pessoas de locais muito distantes

MUDEJARES . (do Árabe Mudajjan ou Domesticados) Designação dada aos Muçulmanos do Al-Andalus após a conquista cristã, que conservam a sua religião mas que, progressivamente, adoptam os hábitos e a língua dos Cristãos

MUJAHID . Guerrilheiro

MULADIS (ou MAWLAS) . Nome dado aos antigos cristãos do Al-Andalus arabizados e convertidos ao Islão. A designação muladis tem a sua origem no Árabe muwallids ou recém-nascidos

MULAY . Título normalmente utilizado como título próprio dos xerifes

MURIDINOS . Confraria fundada em Silves pelo místico sufi Ahmed Ibn Qasi durante o período dos segundos Reinos de Taifas

NERVURA (de ABOBADA) . Nervura ou  nervo é um elemento arquitectónico formado por um segmento do arco saliente do intradorso de uma abóbada. A abóbada de nervuras ou de cruzaria é uma derivação da abóbada de arestas, na qual os arcos são salientes no seu intradorso

NEUROBALÍSTICA . Disciplina, dentro da ciência balística, que trata dos dispositivos e das tecnologias de tiro cujas forças propulsoras são resultantes de elementos de flexão ou torção

OLARILOLÉ . La Illaha Ila Allah . Não há divindade senão Deus

OMÍADA . Califado estabelecido em Damasco pelos Banu ‘Ummaya, originários de Meca. A relação de parentesco da família Omíada com o Profeta Muhammad está no facto de serem descendentes de um ancestral em comum, Abd Manaf ibn Qusai

ORDENANÇA . Legislação militar utilizada no processo de recruta e de disposição dos soldados no terreno

ORELHÃO . Prolongamento exterior da face frontal de um baluarte com a função de proteger a sua face lateral

OUED . Significa em Árabe “Rio”

OULEMA . Teólogo islâmico

PACHA . Título turco que designava os governadores das províncias do Império Otomano

PALANQUE . Castelo de madeira. Estrutura defensiva colectiva, móvel, que servia como fortificação de campanha para proteger as tropas quando sediavam uma cidade

PAVESES . Escudos metálicos

PELOURO . Projéctil de arma de fogo

PIQUE ou PICA . Lança comprida que podia atingir 5 metros

PIROBALÍSTICA . Disciplina, dentro da ciência balística, que trata dos dispositivos e das tecnologias de tiro cuja força propulsora é a pólvora

POLILOBULADO (ARCO) . Arco formado por uma sucessão de lóbulos

PRAÇA-FORTE . Cidade ou povoação fortificada, organizada para compensar a falta de obstáculos naturais nas fronteiras ou nos pontos estratégicos de um país

PRESÍDIO . Fortificação construída numa baía ou porto, num local de difícil acesso, com o objectivo de o dominar militarmente (aprisionar), inviabilizando a sua utilização por navios inimigos. O termo presídio acabou por significar uma prisão isolado de onde é muito difícil sair

PRESÍDIO DO DEMÓNIO . Nome dado pelos mouriscos à inquisição

QAID . Chefe tribal Berbere

QASSR (ou KSAR) . Castelo. O termo está na origem da palavra alcácer

RAIS (ou REIS) . Título atribuído geralmente aos chefes corsários, derivado do Árabe “raís” ou “presidente”

RAZIA . Incursão em território inimigo pra fazer destruições e pilhagens

REDENTORISTA . Religioso que participava numa Missão de Redenção

REGRAGA . Tribo Berbere arabófona que vive na região costeira situada entre Souira Qadima e Essaouira, no chamado “País Chiadma”, célebre pela guerra implacável que levou contra o invasor português

REINOS DE TAIFAS . A queda do Califado de Córdoba no ano de 1031 fracciona o Al-Andalus em pequenos reinos independentes, chamados Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif ou reinos fraccionados). Os primeiros Reinos de Taifas vigoraram entre a queda do Califado e a conquista Almorávida, os segundos entre a queda dos Almorávidas e a conquista Almóada e os terceiros entre a queda dos Almóadas e a conquista cristã

RENEGADO (o mesmo que ELCHE ou BELCHOR) . Antigo Cristão convertido ao Islão. A decisão de conversão ao Islão tinha como causa principal a incapacidade de os cativos comprarem a sua liberdade, mas muitos dos renegados eram fugitivos europeus condenados por crimes nos seus países de origem, que em Marrocos tinham a possibilidade de refazer as suas vidas. “Os renegados tinham em comum dois elementos chave: eram todos europeus de origem, e cristãos. A sua conversão ao Islão podia contudo ser voluntária ou não, mas em todos os casos acabavam por trabalhar para as autoridades marroquinas. O desenraizamento social destes novos convertidos criava aliás uma nova individualidade”

REVELIM . Baluarte para artilharia situado fora do pano da muralha

RIBAT . Fortificação geralmente construída na fronteira das zonas islamizadas, com a função de acolher místicos islâmicos nos seus retidos e soldados envolvidos nas acções de islamização, e proteger as principais vias de comunicação. O termo ribat está na origem da palavra arrábida

RIMANCES . Pequenos cantos épicos populares, enraizados na tradição oral, que relatam histórias mouriscas

ROMANCE . Língua também chamada de Românica Peninsular, que resulta da mistura do latim vulgar, falado pelos soldados romanos, com os dialectos locais existentes na Península Ibérica à data da sua ocupação. É a origem do Português e das restantes línguas Ibéricas

ROQUEIRO . Rochoso

RUSS . Nome dado pelos Andaluses aos Vikings Suecos

SADIDAS . Dinastia xerifiana com origem nas regiões do Sousse, Tafilalt e Vale do Draa, que desde 1511 proclama a guerra santa contra a presença portuguesa em Marrocos

SEFARDITAS . Termo usado para referir aos Judeus originários de Portugal e Espanha. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica, Sefarad. Utilizam a língua sefardi, também chamada “judeu-espanhol” e “ladino”, como língua litúrgica

SENHORES DO ATLAS . Líderes tribais Amazigh do Alto Atlas

SKALA ou SQALA . Conjunto fortificado constituído por plataformas e torreões para colocação de artilharia com a função de defender uma zona portuária. Em Marrocos ficaram célebres as Skalas de Essaouira e de Casablanca, construídas no século XVIII pelo Sultão Sidi Mohamed Ben Abdellah com recurso a projectos e mão-de-obra especializada, sobretudo de cativos e renegados, mas também de técnicos contratados, caso dos genoveses

SOUK . Mercado

SPAHIS . Regimentos de cavalaria ligeira do exército francês, recrutados originalmente no seio das populações indígenas de Marrocos, Argélia e Tunisia

SUFISMO . O Sufismo é a via espiritual e mística do Islão, também chamada de Islão do coração ou Islão do amor, dado que os Sufis não se regem pela sua mente, mas pelos seus sentimentos. É Islão da inteligência, da tolerância e da busca do conhecimento. Para os Sufis toda a realidade comporta um aspecto exterior aparente e um aspecto interior escondido, ou seja gnóstico ou esotérico

TABELIÃO . Escrivão público, titular de cartório

TACHELHIT . Uma das três línguas Tamazight, falada no Alto Atlas e no Suss

TADELAKT . Revestimento tradicional composto de cal, areia fina e pó de pedra, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera. É originário da Planície do Haouz, região de Marraquexe. A sua designação provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior

TAMAZIGHT . Nome dado ao conjunto das línguas dos Amazigh. Em Marrocos existem três línguas Tamazight _ o Tachelhit falado pelos Chleuh, o Tamazight do Médio Atlas e o Tarifit falado no Rif. O Tamazight escreve-se com um alfabeto chamado Tifinagh, que tem origem no alfabeto Púnico, variante da escrita cuneiforme Fenícia

TÂNGER . Nome português da cidade de Tanja

TAOUAF . Movimento circular feito pelos religiosos em torno de um morabito

TARACENAS ou TERCENAS . Local onde se construíam, reparavam navios e guardavam apetrechos marítimos.

TARIQA . Palavra que significa via, caminho, doutrina ou método, utilizada para designar as confrarias místicas sufis muçulmanas

TEMPLARIOS . Ordem militar de cavalaria fundada em 1096 no rescaldo da primeira cruzada.  A sua designação, Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, resulta do local onde originalmente se estabeleceram, o Monte do Templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão, e onde se ergue a atual Mesquita de Al-Aqsa, e do voto de pobreza e da fé em Cristo. Ordem iniciática, gnóstica, defensora dos valores da justiça, igualdade, defesa dos fracos e fraternidade. No século XIV a Ordem é pelo rei de França Filipe IV e pelo papa Clemente V, sendo muitos Templários condenados à morte pelo fogo

TERCELETE . Arco intermédio das abóbadas de cruzaria, constituindo uma nervura secundária de suporte da mesma

TERÇOS . O campo exterior à cidade era dividido em “terços” ou zonas defensivas e ofensivas com organização própria, confiadas a diferentes unidades militares. Significa também unidade militar composta por 12 companhias

TETUÃO . Nome português da cidade de Tetuan

TIMDOUAL . Viúvas e divorciadas Amazigh que procuram casamento no Moussem de Imilchil

TIRBATINE . Jovens virgens Amazigh que procuram casamento no Moussem de Imilchil

TIRO RASANTE . Tiro realizado com trajectória paralela a uma muralha, permitindo abranger terrenos situados próximos da mesma, e anular os ângulos mortos. O tiro rasante veio resolver o problema do tiro de proximidade, anteriormente apenas conseguido com a existência de canhoneiras na zona inferior dos baluartes, que os tornava muito vulneráveis

TORRE ALBARRÃ . Torre situada fora do pano da muralha e ligada a ela por um passadiço superior. O termo tem origem no árabe al-barran, que significa “exterior

TORRE DE MENAGEM . Torre central de um castelo medieval, constituindo o seu principal ponto de observação do campo exterior e último reduto defensivo

TRANQUEIRAS . Paliçadas de madeira colocadas em determinadas posições para evitar os ataques da cavalaria marroquina e permitir uma retirada em segurança a partir das atalaias. Em redor de Tânger existiam inúmeras tranqueiras, cada uma com o seu nome, como a Tranqueira dos Pomares, a Tranqueira das Canas, a Tranqueira Nova, a Tranqueira de Angera, a Tranqueira de Benamenim, a Tranqueira do Verde, a Tranqueira dos Três Paus, a Tranqueira da Lagem ou a Tranqueirinha

TRONEIRA . Abertura na muralha para disparo de artilharia ligeira ou arcabuzes

TUAREG . Povo nómada berbere que habita o Sahara central e o Sahel. Touareg significa abandonado ou errante. O seu verdadeiro nome é Imuhar, cujo significado é homens livres

VALADO . O mesmo que VALO

VALIDO . Favorito de um personagem importante

VALO . Amontoado de pedras colocado no terreno paralelamente às muralhas para servir de primeira linha de defesa

VARA . Unidade de medida de comprimento antiga, utilizada em vários países até à introdução do sistema métrico.  Correspondia 10 pés de comprimento, equivalente a, aproximadamente, 2,96 metros

XARRACA (de Sharq) . Oriente

XEQUE (ou Saykh) . Cidadão respeitável

XAVECO . Embarcação de vela latina e remos, muito utilizada pelos corsários Norte-Africanos. O termo deriva do Árabe xabka, que significa rede

XERIFE . Termo derivado do árabe sharif ou nobre, designa os nobres Árabes descendentes do profeta Muhammad por via de um dos seus netos al-Hassan ben Ali e al-Husayn ben Ali

XEXUÃO . Nome português da cidade de Chefchauen

ZABUMBA . Zabun . Tambor (nome da cartola usada pelos saloios)

ZAUÍA . Edifício religioso muçulmano ligado aos sufis ou misticistas islâmicos. Normalmente tem a sua origem num túmulo de um santo e congrega funções de retiro e meditação, escola Corânica e também de acolhimento a necessitados e soldados. As Zauias foram em muitos casos sedes da cavalaria espiritual islâmica, localizando-se junto às zonas de fronteira com as áreas cristãs. O termo zauia está na origem da palavra azóia

ZOUAVES . Unidades mistas de infantaria ligeira pertencentes ao Exército de Africa francês, criadas durante a conquista da Argélia, que incorporam tropas francesas e soldados norte-africanos

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