Glossário

ABASSIDAS . Califado fundado pelos descendentes do profeta islâmico ‘Abbas ibn ‘Abd al-Muttalib, o tio mais jovem do Profeta Muhammad. Estabelecido em Bagdade, após o célebre massacre de Abu Fotros, no qual grande parte dos Omíadas foram assassinados, pondo termo ao seu Califado

ACOBERTADO . Designação de cavalaria pesada, em que o cavalo é protegido por uma armadura de ferro ou tecido grosso

AÇOUGUEAs-Suq . Talho (O termo original significa “mercado”)

ADAÍL . Comandante militar. Termo que deriva do Árabe Ad-dalid, que significa chefe ou guia

ADARGA . Escudo de forma bi-oval

ADARVE . Também chamado caminho de ronda, é um parapeito interior ao pano da muralha, com a função de ronda das sentinelas e distribuição dos defensores. Tem origem no árabe ad-darb ou “caminho”.

ADIMA . ‘Adada . Carpir, esgadanhar-se e arranhar-se pela alma de um morto

ADUAR . Um douar é tradicionalmente um acampamento nómada disposto em círculo, com um espaço livre central, onde ficavam os rebanhos. Actualmente é o nome dado a um aglomerado rural

AGADIR . Celeiro fortificado, muito comum no Sul de Marrocos

AGUA DE BACALHAU . Água benta dos Cristãos (para os mouriscos)

AHENDIR . Roupa tradicional das mulheres da tribo Ait Haddidou

AHIDOUS . Dança tradicional da região do Médio e Alto Atlas, na qual homens e mulheres, lado a aldo, formam círculos ondulantes

AHOUACH . O mesmo que Ahidou

ALAMAR . Al-‘Amara . Cordão, galão que guarnece a jaqueta dos saloios

AL-ANDALUS . Nome dado à Península Ibérica durante o período Árabe. A origem do termo é incerta, existindo autores que defendem que provém de vandalicia, designação da Bética Romana ocupada pelos Vândalos; para outros o termo provém de landa hlauts, designação dada pelos Visigodos à Bética; para outros a sua origem está no Árabe jazirat al-andaluz, que significa ilha do atlântico

ALAMBOR .  Alargamento da base de uma muralha, através de um plano inclinado, que trazia várias vantagens em termos de eficácia defensiva, já que afastava os atacantes, inviabilizando a utilização de máquinas de guerra, dificultando a colocação de escadas e evitando a sua minagem, ao mesmo tempo que facilitava o ângulo de tiro dos defensores, que não precisavam de se debruçar para efectuarem disparos

ALARDO . Parada militar

ALARAVE ou ALARVE . Al-‘Arabi . O Árabe

ALBACAR . Porta da muralha por onde entra e sai o gado

ALBARDA . Al-Barda’ . Sela, arnez de cavaleiro

ALCACER CEGUER . Nome português da cidade de Ksar es-Seghir

ALCACER QUIBIR . Nome português da cidade de Ksar el-Kebir

ALCAIDES MOURISCOS .  Mouriscos expulsos da Península no século XV, alcaides de cidades como Tetuão e Xexuão,  como Sidi Ali Al-Mandari (Almandarim) e Mulai Ali Berrechid (Berraxe), que se celebrizaram como grandes combatentes da presença de Portugal em Marrocos, transportando para o Norte de África a luta contra os cristãos que os tinham expulso dos seus países

ALCAIMA . Do Árabe khaima que significa tenda

ALFAQUEQUE . Pessoa que tinha por missão tratar do resgate de cativos cristãos, fossem escravos ou prisioneiros de guerra. A palavra tem origem no Árabe “alfàkkãk” que significa “emissário”

ALFAQUI . Especialista em direito Islâmico, geralmente pertencente a uma das escolas tradicionais da jurisprudência Islâmica

ALFITETE . Al-Fitat . Massa doce, composta de farinha, açúcar, ovos e vinho

ALFORGE . Al-Hurj . Sacola dupla para colocar no dorso das montadas

ALFORRIA (ou manumissão) . Acto pelo qual um proprietário de escravos liberta os seus próprios escravos. Esta libertação assume diferentes formas consoante o tempo e o local da sociedade esclavagista. A palavra alforria tem origem no árabe Al-Hurria, que significa “liberdade”

AL-GHARB . Significa em Árabe o Ocidente

ALIFATO . Nome dado ao alfabeto árabe

ALJAMAS DE MOUROS . Comunidades mouriscas

ALJAMÍA (ESCRITA ALJAMIADA) . Escrita em Língua Românica Peninsular ou Romance, mas utilizando caracteres Árabes. Aljamía deriva do Árabe Al-ajamiyya, designação que é dada às línguas estrangeiras

ALMÁCEGA . Al-Mustanqa . Tanque para lavar a roupa usado pelas lavadeiras mouriscas

AL-MAHALA . Significa a zona do exército onde se encontra o seu comandante e a sua guarda pessoal

ALMEXIA . Al-Mawxya . Espécie de túnica que os mouriscos usavam obrigatoriamente sobre o vestuário “normal” quando não utilizavam roupagem oriental (aljuba, albornoz ou turbante), para se distinguirem dos cristãos. Foi também imposta a utilização do sinal do Crescente de pano vermelho, cozido nas suas roupas, no ombro, e o uso do cabelo rapado

ALMÓADAS . Originários da tribo Masmuda, do Alto Atlas marroquino, os Almóadas (do Árabe Al-Muahidin, ou os unitaristas, no sentido de monoteísmo religioso), têm a sua origem enquanto movimento organizado na mesquita de Tin Mal, situada na região do Tiz’n’Test, junto á actual estrada que liga as cidades de Marraquexe e Taroudant. Derrotam os Almorávidas em Marrocos no ano de 1130, conquistando o Norte de Africa até Tripoli. Os Almóadas invadem a Península, que unificam sob o seu poder. A batalha de Navas de Tolosa, travada no ano de 1212, na qual os Almóadas são derrotados por uma coligação cristã liderada por Afonso VIII de Castela e que integra os reinos de Leão, Portugal, Navarra e Aragão e as ordens militares de Santiago, Calatrava, Hospitalários e Templários marca o início da desagregação da dominação Almóada no Al-Andalus, abrindo as portas ao terceiro e último período de Reinos de Taifas.

ALMOCADÉM . Nome dado aos mouriscos usados como batedores nas almogavérias de Marrocos. Do Árabe al-muqqadam, que significa o que precede, o que vai à frente

ALMOCREVE . Condutor de bestas de carga

ALMOGÁVARES . Força de elite que levava a cabo almogavérias. Termo vem do Árabe Al-mighuar (pl. Al-maghauir), que significa corajoso

ALMOGAVÉRIA (ou CORRERIA) . Surtida militar de uma Praça-forte para fazer razias nas aldeias, roubando gado, destruindo colheitas e fazendo cativos

ALMORAVIDAS . Nos confins do deserto do Sahara, na área hoje ocupada pelo Senegal, Mauritânia e Sul de Marrocos, uma confederação de tribos nómadas islamizadas desde os finais do século IX, lideradas pelos Lamtuna e Sanhadja, organiza-se em confraria religiosa e militar, os Almorávidas (do Árabe Al-Murabitun, ou aqueles que vêm do Ribat ou mosteiro muçulmano). Conquistam todo o Norte de Africa Ocidental e estabelecem a sua capital na cidade de Marraquexe. Respondendo a um pedido de auxílio dos Reinos de Taifas Andaluses invadem a Península, que unificam e integram no seu império. O surgimento de outra dinastia Berbere em Marrocos, os Almóadas, a derrota que sofrem na Batalha de Ourique frente aos cristãos de Afonso Henriques e os levantamentos que levam ao estabelecimento dos segundos Reinos de Taifas do Al-Andalus estão na origem da sua queda.

ALMOXARIFE . Tesoureiro, inspector, intendente

ALPERROS . Nome dado aos Turcos

AL-QUIBRA . Al-Quibla . Direcção de Meca

AL-SALAT . As-Salat . A Oração

AMARG . Significa em Tacheliht, poesia cantada. Tem também os significados de amor, desgosto e lamento

AMAZIGH (pl. IMAZIGHEN) . Nome do povo que habitava o Norte de Africa à data da sua arabização. Significa “homem livre” na língua Tamazight. Constitui actualmente cerca de 60% da população de Marrocos

AMEIA . Abertura no cimo da muralha, situada entre dois merlões

ANDALUSINOS . Designação dos habitantes do Al-Andalus

ÂNGULO MORTO . Porção de terreno exterior a um perímetro muralhado, não abrangido pelo tiro das bocas de fogo colocadas no mesmo

ARAVIA, ARAVYA ou ARABYA . Arabia . Língua Árabe

ARCABUZ . Arma de fogo portátil, chamada pelos portugueses “espingarda”

ARDER . Ser executado por morte na fogueira, considerada a pena máxima, aplicada a crimes como heresia e bruxaria, mas também a homossexualidade e outros comportamentos considerados desviantes

ARMADURA .  Vestimenta utilizada para proteção pessoal, originalmente de metal, usada por soldados, guerreiros e cavaleiros como uma forma de proteção às armas brancas durante uma batalha

AROSSA . Noiva

ARRAIAL . Do árabe ar-Rahl . Redil, acampamento; assentamento

ARRAIS . Ar-Rayys . Chefe, Presidente (Título atribuído geralmente aos chefes corsários)

ARRUAR. Acção de traçar ruas e pavimentá-las

ARZILA . Nome português da cidade de Asilah

AZUAGO . Mercenário argelino

ATALAIA . Local de observação, geralmente situado em situação elevada. Designação dada aos postos de observação das Praças em Marrocos, com a finalidade de detectar qualquer movimento inimigo e alertar as defesas

ATALAIAS (ou FACHEIROS) . Sentinelas que fazem serviço de vigia nas Atalaias

ATALHO . Tramo de muralha que dividia uma área muralhada em duas. “Imediatamente após a conquista de um local, os portugueses tinham por princípio reduzir, por vezes de forma drástica, o tamanho das cidades em que se instalaram. Esta espécie de “redução” toma o nome de atalho e materializa-se na construção, no interior da muralha existente, de novas muralhas. Após essa construção, parte dos bairros ficam fora do recinto fortificado.”

AZAQUI . Az-Zaki . Tributo pago pelos mouriscos correspondente a uma décima parte dos tributos da terra

AZUAGOS . Tropas do Leste da Argélia

BACAMARTE . Arma de fogo de cano curto e largo, parecendo uma garrucha alongada, alargada na boca e reforçada na coronha

BALUARTE . Estrutura defensiva integrante das muralhas, avançada em relação ao seu plano. A designação era geralmente atribuída aos elementos situados nas inflexões das muralhas, chamando-se “estâncias” ou “plataformas” àqueles que se situavam num ponto de determinado “pano”.

BANDOLEIRISMO MOURISCO . As condições duríssimas em que os mouriscos resistem após a obrigatoriedade de conversão ao cristianismo e a própria fatalidade que marca o seu destino, originam que a sua resistência tenha um carácter extremamente clandestino e desesperado, marcado pelo ambiente de terror em que viviam. Muitos deles, os que optam pela luta armada contra os cristãos, aderem ao chamado “bandoleirismo mourisco”, de carácter violento e marginal, organizando-se em três grupos distintos _ Corsários, Mânfios e Gandulos

BARAKA . Benção divina

BARBACÃ . Muro anteposto às muralhas, de menor altura do que estas, com a função de defesa do fosso de uma fortificação, onde era oferecida a primeira resistência ao agressor

BASTIDA (ou CASTELO DE MADEIRA) . Torre de madeira revestida com peles de animais, utilizada para assalto a recintos muralhados

BEDUÍNO . Termo que significa em Árabe semi-árido ou pessoa do deserto, e designa as populações originárias da Península Arábica

BELCHOR . O mesmo que elche, ou ateu; cristão renegado, convertido ao Islão; indivíduo que muda de religião

BENDIR . Instrumento musical de percussão

BENI MAAQIL . Tribo Árabe originária do Yemen que se fixou entre os séculos XIII e XV no Vale do Dadés, trazendo consigo a famosa “arquitetura das Kasbahs”

BERBERE . Designação generalizada, considerada por alguns como depreciativa, dada ao povo Amazigh. Termo que deriva do latim barbarus, que por sua vez deriva do grego com o significado de estrangeiro

BESTA (balestra ou balesta, derivações do latim tardio ballista) . Arma com aspecto semelhante ao de uma espingarda, com um arco de flechas adaptado a uma das extremidades de uma haste e acionado por um gatilho, o qual projeta virotes – dardos similares a flechas, porém mais curtos

BEY . Título turco que designava os governadores das cidades

BIDAOUI . Nome dado aos habitantes de Casablanca. Tem origem em Dar Al-Beida, que significa “Casa Branca”

BIOCO . Burqu’ . Parte da capa que cobria o rosto das mulheres, ainda usado no Algarve nos finais do século XIX, concretamente no ano de 1892, data em que foi proibido. Era também conhecido por “rebuço”

BISARMA . Arma de guerra de grandes dimensões, formada por uma lança comprida com gume para cortar e espigões para ferir

BLED EL-MAKHZEN (ou País da Lei) . Designação do conjunto das regiões do território de Marrocos governadas pelo poder centralizado do sultão

BLED ES-SIBA (ou País Dissidente) .  Designação do conjunto das regiões do território de Marrocos governadas autonomamente pelas tribos Amazigh

BOCA DE FOGO . Abertura na muralha para disparo de artilharia

BORJ . Significa em Árabe “Torre”

BORTUQAL . Nome dado pelos Andalusis a Portugal. A alteração das consoantes P e G deve-se ao facto de não fazerem parte do alfabeto Árabe

BRANCO . Cristão-Velho

BRIGANDINE . Protecção para o corpo, constituída por uma cota de tecido ou couro reforçada com placas metálicas

BRIJA . Diminutivo de “Borj”

BUXA . Dispositivo colocado num fosso ligado ao mar, com a função que o mesmo fique seco na maré-baixa

CABILA . Tribo

CACIS . Qassis . Sacerdote, Imam, homem nobre, notável

CÁFILA . Caravana

ÇAFIM ou SAFIM . Nome português da cidade de Safi

CAFRE . Kafir. Ateu; rude, desumano

CALIFADO . Território que, para além de deter poder político e militar autónomo, detém também poder religioso, no sentido de constituir uma forma Islâmica de governação

CALVI ARAVI . Qalbi ‘Arabi . O meu coração é Árabe (Canção popular do século XVI recolhida por Gil Vicente e referida na Comédia de Rubena)

CANHÃO . Boca de fogo de artilharia também conhecida como “Peça”, destinada a disparar granadas em tiro tenso, de calibre superior a 20 mm e que pode ser montado sobre uma carreta ou outro reparo qualquer

CANHONEIRA . Boca de fogo para disparo de artilharia pesada

CAPRIFICAÇÃO . Operação arbórea praticada pelos agricultores que consiste em tornar fértil uma figueira que se tornou estéril

CARÍAS . Kharyas . Cantilenas de origem Árabe, geralmente cantadas por mulheres, na base das “cantigas de amigo”

CARRIAGEM . Conjunto de carros de tracção animal, onde se transportavam os mantimentos do exército

CASAMATA . Abrigo coberto integrado num baluarte, para proteger posições de artilharia

CASBAH (QASBAH ou KASBAH) . Cidadela fortificada. O termo está na origem da palavra alcáçova

CAVALEIROS-VILÃOS . Cavaleiros designados pelos concelhos para combater nas hostes do rei, devendo para isso ter posses suficientes para possuir cavalo, armas e ter um determinado rendimento, já que normalmente eram donos de terras. Não recebiam qualquer pagamento, mas ficavam isentos de determinados impostos. Nos concelhos são os homens-bons e nas cortes representam a classe popular, estando assim entre a nobreza e o povo

CELA ou CELLA . Salat . Oração

CELADA COMPOSITA . Capacete constituído por vários elementos, e que em muitos dos casos, se aproxima da estrutura da chamada borguinhota, inspirada nos elmos clássicos. Estas últimas eram constituídas pelo capacete, duas protecções de placa nas laterais do rosto e um guarda-vista sobre as sobrancelhas

CELADA LIGEIRA (ou italiana) .  Casco em metal, sem viseira, que se inicia na zona das sobrancelhas, e se prolonga pela cabeça, terminando na zona da nuca numa curva ligeira

CEUTA . Nome português da cidade de Sebta

CHAHADA . Profissão de fé muçulmana

CHAPEU DE BISPO . A tenalha composta – conhecida também por “chapéu de bispo” em virtude da sua planta se assemelhar a uma mitra espiscopal – apresenta dois ou três ângulos reentrantes. Ao contrário da tenalha simples, o chapéu de bispo apresenta-se avançado em relação ao revelim que protege a cortina correspondente

CHAPEU DE FERRO . Protecção de cabeça, constituída por um casco tendencialmente arredondado, complementado por uma aba a toda a volta, que permitia a protecção dos projécteis mas também do sol, da água e do pó

CHARK AL-ANDALUS . O Oriente do Al-Andalus. Nome dado aos territórios do Al-Andalus situados do lado Oriental da Península

CHAVE (de ARCO ou de ABOBADA) . Também conhecida como fecho ou pedra angular é a aduela central de um arco ou de uma abóbada

CHIADMA . Nome de tribo de origem Árabe que vive na região costeira entre Souira Qadima e Essaouira. A designação refere-se também ao território que habitam e que partilham com os Regraga

CHLEUH . Nome de uma das três grandes Nações ou grupos étnicos Amazigh que habitam em Marrocos. Os Chleuh vivem no Alto Atlas, Anti-Atlas e na região do Sousse

CHORFA . Pessoa notável, nobre

CID ou CIDE . Título derivado do Árabe “saíd”, que significa senhor ou santo

CIDADELA . Fortaleza ou fortificação construída em ponto estratégico de uma cidade, visando sua proteção. A cidadela pode, por vezes, incorporar parcial ou totalmente um castelo existente nesta cidade ou mesmo partes da sua estrutura urbana

CIMITARRA . Espada de lâmina curva mais larga na extremidade livre, com gume no lado convexo, utilizada por certos povos orientais, tais como árabes, turcos e persas, especialmente pelos guerreiros muçulmanos

CONTRAESCARPA . Face interna exterior de um Fosso

CONTRAGUARDA . Obra exterior de uma fortificação abaluartada, destinada a cobrir um baluarte ou um revelim. Localiza-se no fosso à frente do baluarte ou revelim e é composta por duas faces longas, com flancos muito estreitos. Ocasionalmente a contraguarda é também designada “cobre-face”.

CORSARIO (ou CORSO) . Comandante de navio autorizado a atacar e pilhar navios de outras nações,  legitimado por uma autorização, chamada “carta de corso”, emitida por um governo. Os corsários eram usados como um meio fácil e barato para enfraquecer o inimigo, perturbando as suas rotas marítimas, sem que o estado tivesse que suportar os custos relacionados com a manutenção e construção naval.

COTA DE MALHA . Aparato utilizado como proteção para o corpo, que consiste em uma série de entrelaçamentos de pequenas argolas de metal (muitas vezes ferro forjado, aço ou até ligas de ouro). Juntas, fornecem resistência contra objetos cortantes com relativa eficiência

COURA . Protecção feita de couro que substituía a armadura

COURAÇA .  Tramo de muralha que estabelece a ligação entre esta e o mar. “Consolidada na sua extremidade por uma torre, a couraça permite deslocações protegidas entre a cidade e o mar e, portanto, facilita o carregamento e descarregamento de tropas e equipamentos sob pressão inimiga. Também ajuda a “conquistar” a praia e dissuadir o inimigo de qualquer manobra para bloquear a passagem.”

CRISTÃOS-NOVOS . Judeus ou Muçulmanos convertidos ao cristianismo

CUBELO . Torre de forma quadrada adossada às muralhas

DAIA . Lago natural

DAOUR . Também chamada de “Primavera Regraga”, é o nome da peregrinação que essa tribo realiza todos os anos. Significa “volta, passeio”

DARIJA . Dialecto Árabe Magrebino falado correntemente em Marrocos.

DEBUXADOR .  Desenhador, projectista

DEGREDADOS . Indivíduos condenados, que cumpriam as suas penas nas colónias, num regime de semi-liberdade

DERDEBA . Ritual ancestral Gnawa praticado à noite “visando transformar uma possessão mórbida por uma possessão controlada. Durante a cerimónia, são invocados diversos espíritos ligados às cores, santos venerados pelas confrarias sufis marroquinas e entidades femininas”

DEVASSA . Visita temporal feita pela inquisição para recolher denúncias de “pecados públicos”, como “heresia, bigamia, adultério, mancebia, casais separados, superstições e feitiçarias, alcoolismo, incumprimento da obrigação de ir à missa aos domingos e dias santos e da confissão e comunhão anuais, insultos”, detectando-se “adulteros, barregueiros, concubinários, alcoviteiros, e os que consentem as mulheres fazerem mal de si em suas casas, incestuosos, feiticeiros, benzedeiros, sacrílegos, blasphemos, perjuros, onzeneiros, simoníacos, os que dão publicas tabolagens de jogo em suas casas”

DIWAN . Conselho, órgão governativo colegial

DRAKKAR . Nome dos navios dos Vikings, famosos pelas suas proas com cabeça de dragão. De baixo calado, podiam navegar em águas pouco profunda e eram extremamente manobráveis

DUQUELA . Nome dado pelos portugueses às actuais regiões marroquinas de Doukkala, Abda e Sousse

ELCHE . Ilj . Cristão que opta pela conversão ao Islão, partindo para a Terra dos Mouros (Norte de África)

EMIRATO . Significa em Árabe Principado. Refere-se a determinado território com autonomia política e militar

ENAGUA . An-Nawa . Saia branca que as saloias usam entre a combinação e a saia

ESCARPA . Face interna interior de um Fosso

ESCUDO . Protecção em ferro, couro ou madeira, de forma circular

ESMERILHÃO . Peça de artilharia ligeira

ESPADA . Palavra usada para se referir a uma série de “armas brancas” longas, formadas por uma lâmina e uma empunhadura para as duas mãos; abrangendo, por extensão, objetos como o sabre, o florete, o gládio, o espadim e a katana, entre outros

ESPAQUI  (do turco Spahi) . Atirador montado

FACHEIROS (ou ATALAIAS) . Sentinelas que fazem serviço de vigia nas Atalaias

FADA . Cerimónia que os mouriscos faziam aos seus filhos, após serem baptizados à força, para anular o baptismo e os converterem ao Islão

FADO . Khadu . Canção com caracter de lamento saudosista, cantada em ambientes restritos e clandestinos, na calada da noite. O Fado encaixa perfeitamente enquanto expressão da marginalidade dos mouriscos urbanos, gandulos ou simplesmente cidadãos espoliados, atacados e sem futuro

FANTASIA . A arte da fantasia consiste em imprimir às montadas de um grupo de cavaleiros, chamado a Sorba, um galope de carga, o Baroud, e disparar um tiro de espingarda em uníssono no final da corrida. Os grupos mais hábeis conseguem que os seus tiros façam uma só detonação perfeitamente sincronizada

FARNEL . Farda . Cada um dos lados do alforge, provisão para viagem

FATIMITAS . Califado estabelecido em Kairuan, na Tunisia, que deve o seu nome à filha do Profeta Muhammad, Fátima Zahra, mulher de Ali Ibn Abu Talib. O seu fundador foi um Mahdi que se declarou descendente de Fátima

FATWA .  Pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico. Normalmente, uma fatwa é emitida a pedido de um indivíduo ou juiz de modo a esclarecer uma questão onde a jurisprudência islâmica, é pouco clara

FEZ . Nome português da cidade de Fes

FORMIGÃO . Também conhecido como “taipa militar” é um processo construtivo que adiciona a cal na composição do material para construir em taipa

FORTALEZA . Lugar ou imóvel fortificado, organizado para a defesa de uma cidade ou de uma região

FOSSADOS . Acções militares baseadas em incursões rápidas, emboscadas e razias para desgaste e destruição de víveres

FOSSO . Escavação regular destinada a impedir a aproximação do inimigo à fortificação. O fosso podia ser seco ou inundado com água

FRANJ . Nome dado pelos Árabes aos cruzados

FRONTEIROS . Indivíduos, geralmente nobres, que faziam serviço nas praças do Norte de Africa como militares ou funcionários administrativos

FULANO . Fulan . Indivíduo, sujeito

FUTUWAH . Cavalaria espiritual Islâmica, regida pelos princípios da justiça e da defesa dos fracos e desprotegidos

FUSTA . Embarcação do tipo da galé, que combina a vela com os remos, muito utilizada pelos corsários genovezes

GABIÃO . Cesto cheio de terra para formar barreira de protecção

GALÉ . Antigo navio de guerra, de borda baixa, movido à remos, geralmente por condenados ou escravos, mas tambem dotados de 2 ou 3 mastros para velas

GANDULOS . Do Árabe Ghandur, ou vadio, eram membros de milícias urbanas criadas em resposta ao clima de terror que se vivia nas cidades do Al-Andalus após  a conquista cristã

GARRUCHA .  Arma de fogo de cano curto, semelhante a uma pistola ou revólver. Sua principal característica é que possui apenas um tiro por cano, semelhante às espingardas de caça

GASTADORES . Homens que tinham por missão abrir trincheiras ou outro tipo de fortificações provisórias

GAZULAS . Tropas do Anti-Atlas integrantes dos exércitos Sádidas

GHARB AL-ANDALUS . O Ocidente do Al-Andalus. Nome dado aos territórios do Al-Andalus que abarcavam o actual Sul de Portugal e a parte Ocidental da Andaluzia e Extremadura Espanholas

GINETES . Cavalaria ligeira portuguesa, cuja mobilidade se adequava à função de batedor e à prática da “guerra guerreada”, ou seja, o raid militar feito no território inimigo com o objectivo de roubar bens e animais, destruir culturas e emboscar tropas rivais em movimentação

GNAWA ou GNAOUA . Descendentes dos escravos trazidos da Africa subsariana para Marrocos pelos Árabes e Berberes para integrar os seus exércitos e trabalharem na construção das suas cidades. São arabófonos e praticam o Islão Sufi, organizando-se em confrarias místicas sufis muçulmanas. Usam a sua música, cantos e danças para atingirem um estado de transe, utilizando para tal um movimento circular com a cabeça, comparável à famosa dança dos dervixes rodopiantes

GOUMS ou GOUMIERS . Designação dada aos soldados marroquinos integrados no exército colonial francês, em unidades de infantaria ligeira, comandados por oficiais franceses

HABS . Significa prisão em dialecto marroquino

HAHA . Tribo Amazigh que vive na região situada entre Essaouira e Agadir

HAJIBE . Cargo político equivalente a primeiro-ministro

HAJJ . Peregrinação anual a Meca

HALKA . Círculo de pessoas que se juntam em torno de um músico ou de um contador de histórias

HARÉM . Parte da casa proibida a homens de fora ou conjunto das mulheres de um matrimónio poligâmico

HARKAS . o mesmo que GOUMS

HENNA . Corante retirado da planta “lawsonia inermis” usado no Norte de Africa e na India para colorir o cabelo e tatuar o corpo e as mãos

HOMIZIADOS . O mesmo que degredados

IDRÍSSIDA . Dinastia Árabe Xiita que reinou na parte ocidental do Magrebe entre 789 e 985

IMGHAREN . Chefes tribais do Sul de Marrocos

IRUMIN . Nome dado pelos imazighen aos cristãos

IZLAN . Cantos que acompanham os Ahidous

JAMAA . Mesquita. Significa também ajuntamento ou local de reunião

JANÍZEROS . Soldados estrangeiros integrados no exército otomano

JBEL . Significa em Árabe Montanha

JIHAD . Guerra Santa. Para os fanáticos do Islão é a guerra travada contra os não-islâmicos. Para a generalidade dos Muçulmanos é a guerra travada contra os inimigos do Islão. Para os místicos Islâmicos é a guerra que todos os indivíduos travam contra si próprios, no sentido de se aperfeiçoarem

JINNS . “Entidades maléficas ou benfazejas, superiores aos homens e inferiores aos anjos, imperceptíveis aos sentidos, e cuja importância na literatura popular e no folclore árabes é bastante grande”. Normalmente os jinns são associados a espíritos maléficos pela crença popular

KHAIMA . Tenda

KHODDAM . Servidor

L-BARTQIZ . “Os portugueses” no dialecto Árabe de Marrocos

LANÇA . Arma de haste que atingia seis metros de comprimento

LÍNGUA FRANCA . Língua falada pelos corsários e cativos. Esta “no man’s langue”, tinha também origem o facto de os muçulmanos não aceitarem que os cativos falassem as línguas europeias normais, que não compreendiam, mas também não aceitavam que falassem a língua árabe, a sua língua sagrada. Era composta maioritariamente por termos italianos, castelhanos, portugueses e franceses, cerca de 80%, termos árabes e turcos, cerca de 15% e alguns termos de outras línguas como por exemplo o grego, numa percentagem de 5%

LOBULO . Parte do círculo empregada como ornamento no traçado das rosáceas e dos arcos em forma de rosácea, ou, de forma sucessiva, para formar arcos polilobulados

MAAQIL . Tribo Árabe originária do Yemen que se instalou a Sul do Alto Atlas entre os séculos XIII e XV. trazendo consigo a arquitectura dos Ksares e Kasbahs que caracterizam o Planalto do Dadés

MAGREBE . Significa em Árabe Ocidental

MAHDI . Significa em Árabe Guiado.  É o redentor profetizado do Islão, que permanecerá na Terra por sete, nove ou dezenove anos (de acordo com as diferentes interpretações) antes da chegada do dia do juízo final final

MAJUS . Nome dado pelos Andaluses aos Vikings Noroegueses e Dinamarqueses. Significa Magos

MÂNFIOS . Termo derivado do Árabe Manfi, que significa desterrado ou proscrito, são uma forma de bandoleirismo marginal, constituído por grupos formados por 40 a 50 indivíduos, sediados sobretudos em zonas desabitadas e de difícil acesso, como as serranias, que atacavam os cristãos após a conquista cristã do Al-Andalus

MANTA (ou MANTELETE) . Arma de grande utilidade para os soldados que se aproximavam da muralha, formada por tabuados de madeira grossa, com pegas interiores para facilitar o seu transporte

MAR DAS ÉGUAS . Corresponde à zona marítima situada entre o Sul de Portugal e as costas Atlânticas da Andaluzia Espanhola e Norte de Marrocos

MARABUTO (MURABITO ou MORABITO) . Religioso muçulmano de vida ascética e contemplativa

MARABUTO . Murabitun . Nome dado aos religiosos cripto-islâmicos (origem “os que vêm do Ribat”)

MARADO . Marid . Doente

MARAFADA ou MARAFONA . Mr’a khaina . Mulher que engana, desleixada, escandalosa

MARIOLA . Moço de fretes

MARLOTA . Peça de vestuário árabe comprida, com mangas curtas e largas

MARROCOS . Nome português da cidade de Marraquexe

MASJID . Mesquita. Termo que deriva do verbo sajada, que significa prostrar-se

MATACÃES . Aberturas salientes no topo das muralhas para tiro mergulhante ou arremesso de objectos ou azeite a ferver

MATAMORA ou MATAMORO . Matmara . Celeiro enterrado

MATMUR (pl. MTAMAR) . Masmorra. Significa em Árabe “lugar de enterramento”

MAWLAS (ou MULADIS) . Nome dado aos antigos cristãos do Al-Andalus arabizados e convertidos ao Islão. A designação mawlas tem a sua origem no Árabe muwallids ou recém-nascidos

MAZAGANIA (do árabe Maghzanyia) . Tropas regulares que recebem soldo

MAZAGÃO . Nome português da cidade de El Jadida

MEIRINHO . Oficial de justiça

MERLÃO . Elemento saliente do parapeito de uma fortificação para proteger os seus defensores

METADOR . Indivíduo que ajudava os cativos europeus a fugir da prisão e os guiava até às Praças-fortes de Marrocos. “Este termo é uma deformação do espanhol “metedor”, que significa “contrabandista” (no sentido de aquele que “metia” ou “introduzia” alguma coisa); a “metedoria” era a introdução de mercadorias de contrabando. No caso concreto, o que se “introduzia” na Península, era mercadoria humana”.

MESTRE DE CAMPO . Oficial encarregue da organização do exército

MICER (MISSER, MESSER) . Termo antigo usado como título honorífico com o significado de “Meu Senhor”

MIHRAB .  Termo que designa um nicho em forma de abside numa mesquita. Tem como função indicar a direcção da cidade de Meca (qibla), para qual os muçulmanos se orientam quando realizam as cinco orações diárias

MINARETE . Designação que provém do Árabe manara ou farol. Refere-se à torre de uma mesquita, local do qual o almuadem ou muezzin anuncia as cinco chamadas diárias à oração

MISSÃO DE REDENÇÃO . Iniciativas promovidas pelas Ordens religiosas para libertar cativos cristãos das prisões do Norte de Africa

MÍSULA . Peça resistente, saliente de parede vertical, com a função de servir de apoio a uma cornija ou um arco

MOÇÁRABES . Nome dado aos cristãos do Al-Andalus arabizados, mas que mantêm a sua religião. A designação moçárabe tem a sua origem no Árabe musta’rib ou arabizados

MOQADAM . Chefe, o que vai à frente, batedor, fiscal

MOQQADEMA . Vidente, curandeira, mulher com poderes sobrenaturais para ver o futuro e curar situações de possessão e mau olhado

MORABITO (ou MARABU) . Local de culto a um eremita considerado santo. Normalmente é uma construção de pequenas dimensões, de planta quadrangular encimada por cúpula

MOSQUETE . Arma de fogo de calibre superior ao arcabuz

MOUREJAR (ou MOIREJAR) . Trabalhar sem descanso

MOURISCAS ou MOURISCADAS . Danças realizadas pelos mouriscos, integradas em celebrações cristãs, apenas autorizadas se os seus protagonistas as realizassem à margem da celebração. As Mouriscas eram também realizadas em espectáculos para divertir os nobres cristãos, sobretudos as protagonizadas por mulheres

MOURISCOS . Nome dado aos Muçulmanos do Al-Andalus forçados à conversão ao Cristianismo, após a conquista cristã , e à adopção obrigatória da língua e costumes dos Cristãos, incluindo a forma de vestir

MOUROS . É a designação dada pelos cristãos aos habitantes do Al-Andalus e do Magrebe. O nome tem a sua origem no Latim Mauro, que significa “de pele escura”. Nome dado inicialmente aos escravos, fossem Norte Africanos, fossem da Africa Subsariana

MOUROS DE PAZES . (ou mouros de sinal) Nome dado pelos portugueses às tribos que viviam nas áreas circundantes das praças-fortes de Marrocos e aceitavam estabelecer acordos de paz. Ao abrigo desses acordos, os portugueses davam-lhes protecção em relação às tribos inimigas e permitiam que os mouros de pazes circulassem livremente nas praças e aí exercessem o seu comércio. Em troca, os mouros garantiam paz aos portugueses e pagavam um tributo em géneros, geralmente produtos agrícolas ou gado

MOUROS FORROS . Escravos Mouros que adquiriam a sua liberdade através de um pagamento ao seu amo ou por testamento deste

MOUSSEM . Festa ou festival regional anual, em que geralmente se junta a celebração religiosa de um santo adorado localmente a atividades festivas e comerciais. São eventos muito concorridos, a que podem acorrer pessoas de locais muito distantes

MUDEJARES . (do Árabe Mudajjan ou Domesticados) Designação dada aos Muçulmanos do Al-Andalus após a conquista cristã, que conservam a sua religião mas que, progressivamente, adoptam os hábitos e a língua dos Cristãos

MUJAHID . Guerrilheiro

MULADIS (ou MAWLAS) . Nome dado aos antigos cristãos do Al-Andalus arabizados e convertidos ao Islão. A designação muladis tem a sua origem no Árabe muwallids ou recém-nascidos

MULAY . Título normalmente utilizado como título próprio dos xerifes

MURIDINOS . Confraria fundada em Silves pelo místico sufi Ahmed Ibn Qasi durante o período dos segundos Reinos de Taifas

NERVURA (de ABOBADA) . Nervura ou  nervo é um elemento arquitectónico formado por um segmento do arco saliente do intradorso de uma abóbada. A abóbada de nervuras ou de cruzaria é uma derivação da abóbada de arestas, na qual os arcos são salientes no seu intradorso

NEUROBALÍSTICA . Disciplina, dentro da ciência balística, que trata dos dispositivos e das tecnologias de tiro cujas forças propulsoras são resultantes de elementos de flexão ou torção

OLARILOLÉ . La Illaha Ila Allah . Não há divindade senão Deus

OMÍADA . Califado estabelecido em Damasco pelos Banu ‘Ummaya, originários de Meca. A relação de parentesco da família Omíada com o Profeta Muhammad está no facto de serem descendentes de um ancestral em comum, Abd Manaf ibn Qusai

ORDENANÇA . Legislação militar utilizada no processo de recruta e de disposição dos soldados no terreno

ORELHÃO . Prolongamento exterior da face frontal de um baluarte com a função de proteger a sua face lateral

OUED . Significa em Árabe “Rio”

OULEMA . Teólogo islâmico

PACHA . Título turco que designava os governadores das províncias do Império Otomano

PALANQUE . Castelo de madeira. Estrutura defensiva colectiva, móvel, que servia como fortificação de campanha para proteger as tropas quando sediavam uma cidade

PAVÊS . Escudo metálico de grandes dimensões que protegia inteiramente o soldado que o levava

PELOURO . Projéctil de arma de fogo

PIQUE ou PICA . Lança comprida que podia atingir 5 metros

PIROBALÍSTICA . Disciplina, dentro da ciência balística, que trata dos dispositivos e das tecnologias de tiro cuja força propulsora é a pólvora

POLILOBULADO (ARCO) . Arco formado por uma sucessão de lóbulos

PRAÇA-FORTE . Cidade ou povoação fortificada, organizada para compensar a falta de obstáculos naturais nas fronteiras ou nos pontos estratégicos de um país

PRESÍDIO . Fortificação construída numa baía ou porto, num local de difícil acesso, com o objectivo de o dominar militarmente (aprisionar), inviabilizando a sua utilização por navios inimigos. O termo presídio acabou por significar uma prisão isolado de onde é muito difícil sair

PRESÍDIO DO DEMÓNIO . Nome dado pelos mouriscos à inquisição

QAID . Chefe tribal Berbere

QASSR (ou KSAR) . Castelo. O termo está na origem da palavra alcácer

RAIS (ou REIS) . Título atribuído geralmente aos chefes corsários, derivado do Árabe “raís” ou “presidente”

RAZIA . Incursão em território inimigo pra fazer destruições e pilhagens

REDENTORISTA . Religioso que participava numa Missão de Redenção

REGRAGA . Tribo Berbere arabófona que vive na região costeira situada entre Souira Qadima e Essaouira, no chamado “País Chiadma”, célebre pela guerra implacável que levou contra o invasor português

REINOS DE TAIFAS . A queda do Califado de Córdoba no ano de 1031 fracciona o Al-Andalus em pequenos reinos independentes, chamados Reinos de Taifas (do Árabe Muluk At-Tawaif ou reinos fraccionados). Os primeiros Reinos de Taifas vigoraram entre a queda do Califado e a conquista Almorávida, os segundos entre a queda dos Almorávidas e a conquista Almóada e os terceiros entre a queda dos Almóadas e a conquista cristã

RENEGADO (o mesmo que ELCHE ou BELCHOR) . Antigo Cristão convertido ao Islão. A decisão de conversão ao Islão tinha como causa principal a incapacidade de os cativos comprarem a sua liberdade, mas muitos dos renegados eram fugitivos europeus condenados por crimes nos seus países de origem, que em Marrocos tinham a possibilidade de refazer as suas vidas. “Os renegados tinham em comum dois elementos chave: eram todos europeus de origem, e cristãos. A sua conversão ao Islão podia contudo ser voluntária ou não, mas em todos os casos acabavam por trabalhar para as autoridades marroquinas. O desenraizamento social destes novos convertidos criava aliás uma nova individualidade”

REPARO . Maciço volumoso de terra e alvenarias, erguido à volta de uma fortificação, usualmente com a terra oriunda da escavação do fosso, ou então a qualquer defesa de praça militar, como uma trincheira

REVELIM . Baluarte para artilharia situado fora do pano da muralha

RIBAT . Fortificação geralmente construída na fronteira das zonas islamizadas, com a função de acolher místicos islâmicos nos seus retidos e soldados envolvidos nas acções de islamização, e proteger as principais vias de comunicação. O termo ribat está na origem da palavra arrábida

RIMANCES . Pequenos cantos épicos populares, enraizados na tradição oral, que relatam histórias mouriscas

ROMANCE . Língua também chamada de Românica Peninsular, que resulta da mistura do latim vulgar, falado pelos soldados romanos, com os dialectos locais existentes na Península Ibérica à data da sua ocupação. É a origem do Português e das restantes línguas Ibéricas

ROQUEIRO . Rochoso

RUSS . Nome dado pelos Andaluses aos Vikings Suecos

SADIDAS . Dinastia xerifiana com origem nas regiões do Sousse, Tafilalt e Vale do Draa, que desde 1511 proclama a guerra santa contra a presença portuguesa em Marrocos

SEFARDITAS . Termo usado para referir aos Judeus originários de Portugal e Espanha. A palavra tem origem na denominação hebraica para designar a Península Ibérica, Sefarad. Utilizam a língua sefardi, também chamada “judeu-espanhol” e “ladino”, como língua litúrgica

SENHORES DO ATLAS . Líderes tribais Amazigh do Alto Atlas

SKALA ou SQALA . Conjunto fortificado constituído por plataformas e torreões para colocação de artilharia com a função de defender uma zona portuária. Em Marrocos ficaram célebres as Skalas de Essaouira e de Casablanca, construídas no século XVIII pelo Sultão Sidi Mohamed Ben Abdellah com recurso a projectos e mão-de-obra especializada, sobretudo de cativos e renegados, mas também de técnicos contratados, caso dos genoveses

SOUK . Mercado

SPAHIS . Regimentos de cavalaria ligeira do exército francês, recrutados originalmente no seio das populações indígenas de Marrocos, Argélia e Tunisia

SUFISMO . O Sufismo é a via espiritual e mística do Islão, também chamada de Islão do coração ou Islão do amor, dado que os Sufis não se regem pela sua mente, mas pelos seus sentimentos. É Islão da inteligência, da tolerância e da busca do conhecimento. Para os Sufis toda a realidade comporta um aspecto exterior aparente e um aspecto interior escondido, ou seja gnóstico ou esotérico

TABELIÃO . Escrivão público, titular de cartório

TACHELHIT . Uma das três línguas Tamazight, falada no Alto Atlas e no Suss

TADELAKT . Revestimento tradicional composto de cal, areia fina e pó de pedra, pigmentado, apertado à talocha, barrado com sabão diluído em água, polido com um seixo e, opcionalmente, finalizado com uma camada de cera. É originário da Planície do Haouz, região de Marraquexe. A sua designação provém do Árabe “dlak”, que significa massajar ou amassar, dado que é uma argamassa tem de ser “apertada” para lhe ser retirado todo o ar existente no seu interior

TAMAZIGHT . Nome dado ao conjunto das línguas dos Amazigh. Em Marrocos existem três línguas Tamazight _ o Tachelhit falado pelos Chleuh, o Tamazight do Médio Atlas e o Tarifit falado no Rif. O Tamazight escreve-se com um alfabeto chamado Tifinagh, que tem origem no alfabeto Púnico, variante da escrita cuneiforme Fenícia

TÂNGER . Nome português da cidade de Tanja

TAOUAF . Movimento circular feito pelos religiosos em torno de um morabito

TARACENAS ou TERCENAS . Local onde se construíam, reparavam navios e guardavam apetrechos marítimos.

TARIQA . Palavra que significa via, caminho, doutrina ou método, utilizada para designar as confrarias místicas sufis muçulmanas

TEMPLARIOS . Ordem militar de cavalaria fundada em 1096 no rescaldo da primeira cruzada.  A sua designação, Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, resulta do local onde originalmente se estabeleceram, o Monte do Templo em Jerusalém, onde existira o Templo de Salomão, e onde se ergue a atual Mesquita de Al-Aqsa, e do voto de pobreza e da fé em Cristo. Ordem iniciática, gnóstica, defensora dos valores da justiça, igualdade, defesa dos fracos e fraternidade. No século XIV a Ordem é pelo rei de França Filipe IV e pelo papa Clemente V, sendo muitos Templários condenados à morte pelo fogo

TENALHA (do Francês tenaille, significando “tenaz”) . Obra exterior de uma fortificação abaluartada, que consiste numa estrutura defensiva pouco relevada, com duas faces reentrantes. A tenalha é construída, no fosso, no exterior de uma cortina – entre os flancos de dois baluartes consecutivos – destinando-se a uma defesa avançada dos reparos.

Existem dois tipos de tenalhas: a tenalha simples e a tenalha composta (ou chapéu de bispo).

TERCELETE . Arco intermédio das abóbadas de cruzaria, constituindo uma nervura secundária de suporte da mesma

TERÇOS . O campo exterior à cidade era dividido em “terços” ou zonas defensivas e ofensivas com organização própria, confiadas a diferentes unidades militares. Significa também unidade militar composta por 12 companhias

TETUÃO . Nome português da cidade de Tetuan

TIMDOUAL . Viúvas e divorciadas Amazigh que procuram casamento no Moussem de Imilchil

TIRBATINE . Jovens virgens Amazigh que procuram casamento no Moussem de Imilchil

TIRO RASANTE . Tiro realizado com trajectória paralela a uma muralha, permitindo abranger terrenos situados próximos da mesma, e anular os ângulos mortos. O tiro rasante veio resolver o problema do tiro de proximidade, anteriormente apenas conseguido com a existência de canhoneiras na zona inferior dos baluartes, que os tornava muito vulneráveis

TORRE ALBARRÃ . Torre situada fora do pano da muralha e ligada a ela por um passadiço superior. O termo tem origem no árabe al-barran, que significa “exterior

TORRE DE MENAGEM . Torre central de um castelo medieval, constituindo o seu principal ponto de observação do campo exterior e último reduto defensivo

TRABUCO . Arma de cerco empregada na Idade Média com a finalidade de esmagar os muros de alvenaria ou para atirar projéteis por cima deles, similar à catapulta. É chamado às vezes “trabuco de contrapeso”, para se distinguir de outra arma, o “trabuco de tração”, criado antes do trabuco de contrapeso

TRANQUEIRAS . Paliçadas de madeira colocadas em determinadas posições para evitar os ataques da cavalaria marroquina e permitir uma retirada em segurança a partir das atalaias. Em redor de Tânger existiam inúmeras tranqueiras, cada uma com o seu nome, como a Tranqueira dos Pomares, a Tranqueira das Canas, a Tranqueira Nova, a Tranqueira de Angera, a Tranqueira de Benamenim, a Tranqueira do Verde, a Tranqueira dos Três Paus, a Tranqueira da Lagem ou a Tranqueirinha

TROM . Pequeno canhão utilizado para tiro de salva

TRONEIRA . Abertura na muralha para disparo de artilharia ligeira ou arcabuzes

TUAREG . Povo nómada berbere que habita o Sahara central e o Sahel. Touareg significa abandonado ou errante. O seu verdadeiro nome é Imuhar, cujo significado é homens livres

VALADO . O mesmo que VALO

VALIDO . Favorito de um personagem importante

VALO . Amontoado de pedras colocado no terreno paralelamente às muralhas para servir de primeira linha de defesa

VARA . Unidade de medida de comprimento antiga, utilizada em vários países até à introdução do sistema métrico.  Correspondia 10 pés de comprimento, equivalente a, aproximadamente, 2,96 metros

XARRACA (de Sharq) . Oriente

XEQUE (ou Saykh) . Cidadão respeitável

XAVECO . Embarcação de vela latina e remos, muito utilizada pelos corsários Norte-Africanos. O termo deriva do Árabe xabka, que significa rede

XERIFE . Termo derivado do árabe sharif ou nobre, designa os nobres Árabes descendentes do profeta Muhammad por via de um dos seus netos al-Hassan ben Ali e al-Husayn ben Ali

XEXUÃO . Nome português da cidade de Chefchauen

ZABUMBA . Zabun . Tambor (nome da cartola usada pelos saloios)

ZAGAIA . Lança curta de arremesso

ZAUÍA . Edifício religioso muçulmano ligado aos sufis ou misticistas islâmicos. Normalmente tem a sua origem num túmulo de um santo e congrega funções de retiro e meditação, escola Corânica e também de acolhimento a necessitados e soldados. As Zauias foram em muitos casos sedes da cavalaria espiritual islâmica, localizando-se junto às zonas de fronteira com as áreas cristãs. O termo zauia está na origem da palavra azóia

ZOUAVES . Unidades mistas de infantaria ligeira pertencentes ao Exército de Africa francês, criadas durante a conquista da Argélia, que incorporam tropas francesas e soldados norte-africanos

2 comments on “Glossário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s