
“A sabedoria dos Romanos residia no seu cérebro, a dos Indianos na sua imaginação e a dos Árabes na sua língua”
Poeta árabe citado por Adalberto Alves, Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, p. 29
A língua portuguesa tem origem nos dialectos latinos, românicos peninsulares ou simplesmente romance ou romanço, que resultaram da mistura do latim vulgar, falado pelos soldados romanos, com os dialectos locais existentes na Península Ibérica à data da sua ocupação.
O romance então falado no actual território português era o galaico-português arcaico e leonês, dialecto que sofre a influência da língua árabe na região ocupada pelos muçulmanos, dando origem ao romance moçarábico ou moçárabe, que os árabes chamavam aljamía, termo que designava as línguas não árabes.
A influência árabe na língua portuguesa processa-se assim através do moçárabe, base do português na sua forma dialectal falada no Sul do território, que se uniformiza com o romance do Norte após a conquista cristã.
Neste artigo não é apenas abordada a influência que o português sofreu do árabe, nos vários momentos históricos, mas também a influência do português nos falares Norte-Africanos, que posteriormente se verificou.
Um pássaro que fala glorifica Allah
Sobre o al-Andalus
No ano de 711, Tariq ibn Ziad atravessa o Estreito de Gibraltar com um exército de “doze mil combatentes, originários de todas as cabilas do Magrebe (do árabe Maghrib ou Ocidental), acompanhados por vinte e sete homens árabes”. Derrota as forças do revoltoso Rodrigo, estimadas em 40.000 homens, na Batalha de Al-Bahira ou de Barbate no dia 19 de julho e na de Guadalete no dia 26 do mesmo mês, iniciando a ocupação do al-Andalus. (TAHIRI, 2019: 13)
Tariq respondia aos apelos de uma larga maioria da sociedade visigoda, protagonizados pelos descendentes do deposto rei visigodo Vitiza, pelo bispo Opa de Sevilha e pelo conde Julião, senhor de Ceuta. A Hispânia encontrava-se num estado caótico em termos políticos e sociais, a que se juntava a guerra civil. A campanha de Tariq e a que Mussa ibn Nussair inicia no ano seguinte, conseguem ocupar a Península em apenas três anos, feito que os romanos tinham levado mais de 100 anos a alcançar.
Esta rapidez na ocupação do território e restabelecimento da ordem e da paz social deve-se ao facto de não ter existido uma invasão nem uma conquista na verdadeira acessão das palavras, mas uma política de acordos e de garantia pelo respeito dos direitos e autonomia das comunidades existentes.
A chegada dos árabes não provocou grandes movimentos populacionais, integrando-se no seio dessas comunidades, garantindo a lealdade das suas chefias ao novo poder instituído ou substituindo-as, e os seus habitantes adotaram a cultura e os hábitos árabes, mas não se islamizaram massivamente, mantendo as suas religiões e a liberdade para as professarem. (ALVES, 2001: 15 e 29-30)
Iniciaram-se assim dois processos que caminharam paralelamente a velocidades diferentes, a arabização e a islamização, que não resultaram de imposição pela força das armas, mas de um fenómeno de aculturação muito influenciado pela abertura de novos mercados e consequente circulação e fixação de novas pessoas, trazendo novos produtos e novas ideias. O grego e o latim foram sendo substituídos pelo árabe e, lentamente, o islão foi-se impondo como religião dominante. (TORRES 2008: 54)
Cláudio Torres exprime de forma curiosa o processo de conversão nesta sociedade multicultural: “O espelho dessa conversão, é a mudança de nome. O João passa a chamar-se Mohammed e torna-se muçulmano, apesar de os seus pais permanecerem cristãos.” (TORRES 2003: 35)

Arcos árabes
O processo de islamização foi mais acentuado nas cidades. Sobretudo nas situadas a Sul de Santarém, porque a Norte mantiveram-se fortes comunidades cristãs arabizadas. O mesmo se passou no mundo rural, onde a islamização não ocorreu de forma evidente, como refere Cáudio Torres:
“Não temos uma única prova de que tenha existido uma mesquita nas zonas rurais. Temos sim igrejinhas que nalguns casos foram repartidas por cristãos e muçulmanos.” (TORRES 2017: 2)
Um exemplo flagrante deste processo de arabização sem conversão, é o da nobreza feudal e do próprio clero da região entre o Douro e o Mondego. Os nobres da região, dissidentes do Reino de Leão, eram vassalos do Califa de Córdova e integravam as tropas do célebre Almançor, tendo participado com ele na tomada de Santiago de Compostela, cujo saque foi posteriormente dividido na cidade de Lamego, principal cidade dos moçárabes na região do Douro (moçárabe vem do árabe musta’rib ou arabizado, termo que se refere aos cristãos arabizados). Há também notícia de que os bispos das cidades de Lamego, Braga, Coimbra, Idanha-a-Nova, Porto, Salamanca e Viseu eram eles próprios moçárabes. (PINTO 2004: 118-119)
A arabização dos povos Hispânicos, em termos da sua adoção da língua e costumes árabes, foi o elemento aglutinador e caracterizador da sociedade andalusina. (ALVES, [1987] 1991: 21)
O leitor verificará nestas linhas que é evitada a utilização dos termos ndaluza ou andaluses mas sim andalusino por uma questão de maior rigor com a tradução do Árabe andalusi mas principalmente por um distanciamento em relação à sua conotação com o território da atual Andaluzia espanhola.
“Aquando da conquista de Lisboa, quando entraram na cidade, os cavaleiros do Norte não notaram grande diferença entre muçulmanos, judeus ou cristãos. Falando a mesma língua, vestindo de igual modo e comportando-se de idêntica maneira mal se diferenciavam entre si.” (MACIAS e GÓMEZ 2006: 389)

Azulejos árabes
A liberdade religiosa professada pelo islão nas cidades ocupadas tinha como base jurídica a dhimma, pacto que permitia às comunidades das Religiões do Livro, cristã e judaica, conservarem a sua liberdade de culto, mediante o pagamento de um imposto e a sua garantia de respeito pelo islão. Segundo Oliveira Marques, “os bispos continuaram a residir em regiões pacíficas e bem organizadas”. (MARQUES, [1972] 1973: 32)
A arabização da Península não impôs nem a religião muçulmana nem a língua árabe como únicas, mantendo-se activos durante o período do al-Andalus o romanço e o hebreu. No entanto, a arabização impôs a cultura árabe de forma natural, seja o árabe como língua dominante, bem como a forma de vestir ou de se alimentar “à árabe”.
O religioso moçárabe Álvaro de Córdova referiu sobre esta apetência da língua árabe por parte dos jovens da sociedade andalusina:
“Ai! Os mancebos cristãos que mostram talento só conhecem a língua e a literatura árabes; leem e estudam com maior entusiasmo os livros árabes; formam com eles grandes bibliotecas e proclamam em toda a parte que essa literatura é admirável. Falai-lhes de livros cristãos e eles responder-vos-ão desdenhosamente que esses livros são indignos de atenção. Suprema dor! Os cristãos até esqueceram a sua língua e entre mil, mal encontrareis um que saiba escrever razoavelmente uma carta em latim, a um amigo. Mas queira-se escrever em árabe e logo encontrareis em quantidade quem se exprima nesta língua com toda a elegância e quem componha poesias superiores em arte às dos próprios árabes”. (do prefácio de A. Farinha de Carvalho in SOUSA 1981: 126-127)
Cláudio Torres confirma esta adesão das elites cristãs à língua árabe:
“Nessa época, toda a economia mediterrânea se confundia de forma indissociável com um espaço dominado por uma formação social tributária, organizada em múltiplas células urbanas perfeitamente auto-suficientes, em que a língua árabe, substituindo o grego e o latim, servia de principal elo. De tal forma isso é notório que, na Córdova califal, as elites cristãs lamentavam o facto de os jovens se recusarem a falar latim, preferindo falar e escrever em árabe”. (TORRES 2008: 54)
Caligrafia árabe em azulejo
Dialectos romances e dialectos moçárabes
Os dialectos romances eram a forma generalizada de falar na Península no tempo da chegada dos árabes. Tinham uma base latina, enriquecida por uma grande quantidade de falares de diferentes procedências, de cunho ibérico, anterior à invasão e civilização romana.
“Este romance, apesar de imperfeito e rudimentar, era usado vulgarmente, ainda antes da invasão sarracena, na maior parte da nossa Península, e sobretudo nas comarcas onde tinha sido mais poderosa e influente a dominação romana e mais usado o latim”. (SIMONET 1903: CXCV)
Apesar de o romance ser fundamentalmente um dialecto de utilização popular, com variantes regionais, existia o latim clássico para utilização eclesiástica e religiosa, que procurava cumprir uma função unificadora trans-linguística. (FERREIRA 1992: 218)
A chegada dos árabes e consequente arabização da sociedade andalusina tornou a língua árabe como falar oficial, mas as comunidades moçárabes conservaram o romance, sobretudo para uso doméstico e comunitário.
O romance sofreu a influência do árabe, dando origem ao moçárabe ou romance moçarábico, que continha cerca de 60% de vocábulos latinos e 40% de vocábulos árabes e berberes. (SOLÀ-SOLÉ 1973: 35)
Reinhart Dozy, na sua análise ao Glossário Latim-Árabe, supostamente escrito no século VIII, refere que essa obra seria da autoria de um moçárabe, já que o latim utilizado apresenta sinais que o assemelham ao romance: Troca do b pelo v, muito comum nos ibéricos, do e pelo i e do o pelo u, um desprezo pelo h, e a utilização de substantivos no singular como no plural, sem critério. (DOZY 1881: VIII-IX)
A designação romance moçárabe não consta das fontes árabes, que se referem ao dialecto como al-’ajamia (aljamia), designação que refere as línguas não árabes.
O romance e o moçárabe falados em Portugal eram bastante similares, o que demonstra a sua origem comum, como refere David Lopes:
“Finalmente, de todas as línguas peninsulares, aquelas que mais parecem aproximar-se da aljamía moçárabe são a galaico-portuguesa e o leonês ocidental”. (LOPES 1910: obra citada)
O romance moçarábico seria fundido com o romance após a conquista cristã, na formação do português, processo lento e que manteve diferenças nos falares do Sul e do Norte. Deste modo se processou a influência da língua árabe no português.

Arcos lobulados no Castelo de Silves
Sobre a escrita e pronúncia do árabe
A não correspondência entre os alfabetos árabe e latino resulta em diferentes formas de escrever ou de transcrever a partir do árabe, de modo a exprimir da melhor maneira a fonética original das palavras.
O alfabeto árabe contém inúmeras consoantes inexistentes no alfabeto latino (e vice-versa, se bem que em menor número) e não existe uma correspondência directa entre os vários caracteres. Por exemplo, e de forma extremamente simplista, refira-se que no árabe existem três h, três d, dois z, dois q, etc, etc, cuja transliteração (forma de escrever o árabe com caracteres latinos para fazer corresponder os caracteres dos dois alfabetos) implica o recurso a símbolos ou a diferentes caracteres como forma de enfatizar ou suavizar a sua pronúncia.

Qalb (o q é enfático) significa coração.

Kalb significa cão.
Por outro lado, a transcrição (forma de escrever o árabe com caracteres latinos com vista à sua pronúncia) procura adaptar determinados caracteres ao português, cuja escrita não é semelhante à de outras línguas latinas. Por exemplo, a consoante árabe و uau, que tem o valor u, transcreve-se no português e espanhol com u, mas no francês com ou e no inglês com w.
Existem também consoantes árabes de difícil entendimento e pronúncia, que se exprimem de forma escrita no português com símbolos especiais, que, para quem não conhece o árabe dificilmente poderá pronunciar sem ajuda. É o caso do ء hamza e do ع aín, ataques guturais às consoantes que os precedem.
Frei João de Sousa exprime deste modo a dificuldade de pronunciar determinadas consoantes árabes, como é o caso do خ normalmente transcrito com kh:
“Também se pronuncia do fundo da garganta, como quem quer arrancar um escarro.” (SOUSA 1981: XI)
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A transliteração Al-Mu’tamid leva as pessoas a pronunciar Almutamide, quando a pronúncia correcta é Almuátamide. O símbolo ‘ refere-se à consoante aín e exprime um ataque gutural à consoante u, resultando num a aberto com pronúncia gutural.

Grade metálica em portão
Outra dificuldade é o facto de no árabe não existirem vogais, mas apenas consoantes, nas quais se incluem o ا alif, com valor a, o و uau, com valor u, e o ي iá, com valor i. Esta situação dificulta a leitura das palavras árabes, tendo sido criado um sistema de vocalização para facilitar a sua leitura.
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A transcrição letra a letra da palavra anterior é ALM’TMD, o que dificulta a pronúncia da palavra, não se sabendo se após cada consoante existe um a, i ou u, ou se não existe nenhuma vogal.

A mesma palavra vocalizada.
“A vocalização é a forma, xalk, como pronunciamos essa palavra conforme as vogais que lhe colocamos. O árabe tem três vogais, harakat ‘movimentos’, as quais podem ser breves, longas ou dobradas”. Essas vogais não fazem parte do alfabeto e correspondem aos nossos A, I e U. (ZEKRI e BAPTISTA 2002: 9)
A transliteração e transcrição do árabe para português depara-se com outra situação, que é a da não existência de determinados sons no português, apesar de existir o caractere latino. É o caso do h, que deu origem a palavras portuguesas com f, como Alfama (Al-Hamma), Alfazema (Alhuzaima) ou Alface (Alhassa).
O h árabe é por vezes transformado em s, como em Sardão (Hardun).
A grande maioria dos substantivos árabes começa com o artigo definido ال al (o ou a). No alfabeto árabe as consoantes dividem-se em consoantes lunares e consoantes solares. As consoantes lunares não têm influência na pronúncia do l do artigo al, quando constituem a letra inicial da palavra, como por exemplo em Alferes (o cavaleiro), Almeida (a mesa) ou Alcântara (a ponte). Mas as consoantes solares, quando colocadas na mesma posição, assimilam o l do artigo al, duplicando o seu valor.

Por exemplo, Azeite escreve-se Alzait em árabe, mas pronuncia-se Azzait pelo facto de o z ser uma consoante solar. Daí a origem de termos como Azulejo, Açorda ou Atalaia.
O mesmo problema se passa em sentido contrário. Na escrita da chamada darija marroquina, dialecto árabe de Marrocos, escrito com caracteres latinos, utilizam-se algarismos para colmatar essas deficiências. (PAULA 2014/04/06: página electrónica citada)
Sh7âl 3andek?
Os algarismos existentes na palavra anterior referem-se a um h aspirado e a um aín, ataque gutural.
No alfabeto árabe não existem as consoantes p e v, sendo normalmente substituídas pelas consoantes árabes ب b e ف f.

Castelo dos Mouros em Sintra
Influências do árabe no português
Adalberto Alves, no seu Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa, esclarece que a influência da língua árabe, para além dos seus aspectos evidentes ou visíveis, ou seja, do léxico árabe directamente transposto para o português, deve considerar todos aqueles que chegam ao português de forma encapotada, através da tradução de textos árabes por religiosos cristãos, cuja origem, “por preconceito religioso, a hierarquia da Igreja queria apagar”. (ALVES, 2013: 17)
Muitos termos árabes, sobretudo os ligados a aspectos científicos, patentes em inúmeros tratados que os cristãos pretendiam traduzir, não tinham correspondência directa em termos latinos existentes. Colocavam-se aos “tradutores” duas possibilidades, ou seja, transcrever o vocábulo árabe para a escrita latina e explicar o seu significado, ou “fabricarem novos vocábulos romanizados, a partir da raiz semítica, mas apresentando-os, sem explicações etimológicas, como se das línguas clássicas originariamente derivassem”. Impôs-se a segunda opção, cujos termos Adalberto rotula “algo jocosamente” de arabim ou arabrego. (ALVES 2013: 17)
Isto explica, segundo o autor, que “a praga de usar nomes e verbos árabes sem reconhecê-los como tal, conseguiu vingar, até agora nos dicionários europeus, pelo que a extensão da influência do árabe no português, que a maioria dos autores resumem a cerca de 1.000 substantivos, deve ser consideravelmente alargada, não só no seu número, que segundo Adalberto Alves é de 18.073 termos, como ao nível gramatical, já que inclui não só substantivos, como adjectivos, verbos, pronomes, artigos e interjeições.” (ALVES, 2013: 19 e 23)
Adalberto considera que a influência do árabe no português é bastante mais marcada do que no castelhano ou no catalão, línguas que, localizando-se geograficamente mais próximas de França recebem a sua influência directa e têm um efeito de tampão no nosso país. A este propósito refere Rafel Lapesa que o castelhano recebeu cerca de 4.000 termos árabes. (LAPESA 1992: 97)

Escrita árabe em estuque
Um aspecto importante de referir é que a influência do árabe no português se processou numa altura em que a língua portuguesa se encontrava em formação, o que a acentuou:
“Nos inícios deste período, quando o protogalaico-português emergia, fundamentalmente a partir do leonês, ainda o al-Andalus compreendia parte importante da Península Ibérica, sob a forma de reinos de taifas que mantinham o prestígio e a cultura do período califal. Assim, o português, nos começos da sua evolução, recebeu o forte influxo da influência semítica, sendo que parte do futuro território do reino de Portugal, estava ainda, sob soberania muçulmana.” (ALVES 2013: 24)
Apesar dos mais de 500 anos que durou a presença Árabe em Portugal essa influência refere-se essencialmente ao léxico, pelo que não podemos falar de uma influência estrutural.
De seguida procura-se dar, apenas a título de exemplo, uma visão geral relativa aos aspectos mais evidentes desta influência.
A grande maioria dos substantivos começa com o artigo definido al, muitas vezes com o l assimilado à consoante inicial do substantivo, quando esta é uma consoante solar, e está patente no início de grande número dos termos que nos chegaram.
Outras formas comuns de início de termos de origem árabe são as palavras que começam por x (Xadrez, Xarope ou Xerife) ou por enx (Enxaqueca, Enxoval ou Enxofre).
Outras palavras são caracterizadas pela terminação, como as que terminam em i (Javali, Mufti ou Sufi), em il (Cordovil, Mandil ou Anil), em im (Alecrim, Carmesim ou Cetim) e as terminadas em afe ou aque (Alcadafe, Almanaque ou Atabeque).
Os substantivos podem ser agrupados em várias categorias, maioritariamente relativas a inovações ou contributos que os Árabes introduziram na nossa sociedade, e a topónimos, que se observam de Norte a Sul do País e que muitas vezes aportam informações sobre o passado das próprias localidades ou caracterizam determinados aspectos geográficos.
No primeiro caso refiram-se as designações de cargos públicos (Alcaide, Almoxarife ou Alferes), termos de tipologias de edificações (Alcácer, Alcáçova ou Aljube), de construção (Alvenaria, Azulejo ou Açoteia), de instituições administrativas (Aldeia, Arrabalde ou Alfândega), de plantas (Arroz, Alfazema ou Alfarroba), de frutos (Tâmara, Romã ou Ameixa), de profissões (Alfaiate, Almocreve ou Alfaqueque), de termos relacionados com a agricultura (Enxada, Alcatruz ou Azenha), com a actividade militar (Adaga, Arsenal ou Arrebate), de termos médicos (Xarope, Enxaqueca ou Alcalino), de termos geográficos (Azinhaga, Lezíria ou Albufeira), de unidades de medida (Alqueire, Arroba ou Arrátel), de animais (Alcatraz, Lacrau ou Javali), de adereços (Alfinete, Almofada ou Alcatifa), de instrumentos musicais (Adufe, Alaúde ou Rabeca), de produtos agrícolas e industriais (Azeite, Álcool ou Alcatrão), das ciências exactas (Álgebra, Algarismo ou Cifra).
Alguns nomes próprios e apelidos têm também a sua origem em nomes árabes, como por exemplo Leonor (em árabe, Li an-Nur, ou que vem da luz), Abel (Abu l-, ou pai de) ou Fátima, nome de filha do Profeta Maomé.

Torre Aben Afan do Castelo de Silves
No caso dos topónimos, para além da grande maioria de termos iniciados pelo artigo al ou pela sua forma com o l assimilado, existem outros com origem comum, que podemos agrupar.
Por exemplo, os topónimos iniciados por Ode (do árabe Ued ou Rio), como Odemira, Odeceixe ou Odeleite.
Os iniciados por Ben (em árabe Ben significa filho, mas em toponímia tem o significado de lugar), como Bensafrim, Benfarras ou Benamor.
Em relação ao prefixo Ben, refira-se que está intimamente ligado às chamadas delegações de poder ocorridas nos tempos iniciais da chegada dos árabes ao al-Andalus. As delegações de poder eram a forma de conceder a determinados grupos o controlo sobre determinadas regiões, e ocorriam sobretudo com as tribos árabes e berberes recém-chegadas, que mantinham a sua coesão e organização. A forma de ocupar politicamente o território pelas novas elites processava-se através da instalação tribal em determinada região, com dois tipos de apropriação: a concessão pelo poder central das receitas fiscais desse território ou a própria concessão da propriedade das terras. (PICARD, 2000: 275)
A concessão de terras processava-se através de fatwas, decisões jurídicas baseadas na lei islâmica.
A título de curiosidade referam-se aqui alguns topónimos de origem árabe com a provável indicação do seu significado, se bem que o estabelecimento da origem e significado de topónimos seja extremamente difícil de fazer, pelas inúmeras possibilidades que apresenta, a não ser nos casos por demais evidentes, pelo que esta listagem é apresentada com as devidas reservas.
Albarraque (Albarrak, o brilhante), Albufeira (Albuhaira, a pequena barragem), Alcabideche (Alqabidaq, a “mãe de água”), Alcácer (Alqassr, o castelo), Alcáçovas (Alqassba, a cidadela fortificada), Alcalar (Alqalaa’, o forte), Alcaidaria (a chefia), Alcaide (o chefe), Alcains (Alkanissa, a igreja), Alcanena (Alqanina, a cabaça), Alcântara (a ponte), Alcantarilha (diminutivo de Alcântara), Alcaria (a aldeia), Alcobaça (Alkubasha, os carneiros), Alcochete (Alqucha, o forno), Alcoentre (Alqunaitara, a ponte pequena), Alcoitão (Alqaiatun, a tenda), Alcongosta (Alkunasa, o areal), Alcoutim (Alkutami, o falcão), Alfama (Alhamma, a fonte), Alfambras (Alhamra, a vermelha), Alfarelos (Alfahar, a louça), Alfeizerão (Alhaizaran, o canavial), Alfarim (Alfaramin, os decretos), Alfarrobeira (Alharruba, o mesmo que em português), Alferce (Alfarz, o que separa, entre duas colinas), Algarve (Algharb, o Ocidente), Algeruz (o canal), Algés (Aljaich, o exército), Algueirão (Aljairan, as grutas), Alhandra (Alandar, a debulha), Alijó (Alaja, telhado plano), Aljezur (Aljuzur, as ilhas), Almacave (Almaqabara, os cemitérios), Almada e Almádena (Almadana, a mina), Almansil (a estalagem), Almargem (Almarj, o prado), Almarjão (Almarjun, o pedregal), Almedina (a cidade), Almeida (a mesa), Almeirim (Almirin, o limite), Almoçageme (a água que corre), Almodôvar (Almuduar, o meandro), Almoster (Almustar, lugar de aprovisionamento), Alpedrinha (Albadri, luarento), Alpiarça (Albiraz, o duelo), Alqueidão (Alhaima, a tenda), Alte (Altaf, elegante), Alvaiázere (Albaiaz, o falcoeiro), Alvalade (Albalad, o campo), Alverca (Albirka, o pântano), Alvor (Albur, a charneca), Alvorge (Alburj, a torre), Anadia (delicada), Arouca (Aruqa, a bela), Arrábida (edifício religioso fortificado), Arrifana (Arihana, a murta), Arronches (Arauxan, as penhoras), Arruda (Aruta, planta silvestre), Asseca (o caminho recto e plano), Atalaia (lugar alto de onde se exerce vigilância), Aveiro (Aluarai, retirado, resguardado), Azambuja (o zambujeiro), Azeitão (Azeitun, a oliveira), Azóia (Azauia, a ermida).
Belamandil (Banu Mandil, nome de tribo), Bela Salema (Banu Salam, filhos da paz, nome de tribo), Belixe (garça), Benaciate (Bem sayyad, lugar ou filho do caçador), Benaçoitão (Bem As-Sultan, filho do poder), Benafin (Bem ‘Affan, filho do puro), Benagil (Bem Ajawid, filho do generoso), Benamor (Bem ‘Ammar, filho do devoto), Benavente (Bem ‘Abbad, lugar do devoto), Bencatel (Bem Qatil, filho da vítima), Benevides (Bem ‘Abid, lugar do adorador), Benfarras (Bem Farraj, filho da consolação), Benfica (Bem Fiqa, filho da calmeirona ou da mulher alta), Bensafrim (Bem Saharin, lugar dos feiticeiros), Beringel (beringela), Birre (Bir, poço), Bobadela (Bu abdallah, pai do escravo de Deus), Boliqueime (Bu Alhakim, nome próprio), Borba (Birba, labirinto), Bucelas (Basala, cebola), Budens (Bu Danis, nome de tribo que governou Alcácer do Sal), Burgau (Burqa, zona com o solo pedregoso).
Cacela (Qassila, seara), Cacém (Qassim, nome próprio, que significa aquele que testemunha), Cacilhas (Hasila, lixeira), Caneças (Kanissa, igreja), Cartaxo (Qar at-Taj, residente do Tejo), Caxias (Kashih, inimigos), Charneca (Xarnaqa, terreno inculto), Chelas (Xila, arco), Colares (Kula, pequeno lago), Coruche (Quraichi, nome de tribo), Cuba (cúpula), Elvas (Ilbax, risonha), Estoi (Ustul, esquadra), Estômbar (Ustuwanat, arcos), Falacho (solo gretado), Faro (Harun, nome próprio), Fatela (Fath Allah, vitória de Deus), Fátima (nome da filha do Profeta Muhammad), Golegã (Ghalghal, entrar ou penetrar), Leça (Laza, ferrolho), Loulé (Al’ulia, a elevada), Loures (Lawr, lira), Lousã (Lawha, ardósia), Luz (amêndoa).
Mafamede (Muhammad, muçulmano), Mafamude (Mahmmud, louvável), Mafra (Mahfra, cova), Magoito (Maqhut, árido), Malhada (lugar de travessia de um rio), Marateca (Mar’a at-Taqia, mulher devota), Marvão (Marwan, nome próprio), Massamá (Maa as-Sama’, água do céu), Mesquita (Massjid, o mesmo que em português), Messejana (prisão), Messines (elogioso), Mora (Murah, pastagem), Moscavide (Maskbat, sementeira), Mucifal (Mussafa, vale inundável), Muge (Muhja, alma), Murça (Mussa, nome do conquistador Árabe do Gharb Al-Andalus), Nexe (Naxa, juventude), Niza (disputa).
Odeceixe (Ued Sayh, rio da torrente), Odeleite (Ued Layt, rio do eloquente), Odelouca (Ued Luqat, rio das sobras), Odemira (Ued Amira, ou rio da princesa), Odiáxere (Ued Arx, rio da punição), Odivelas (Ued Ballas, rio da terracota), Oeiras (Urwah, moitas), Olhão (‘Ullyah, elevado), Oura (Awra, esconderijo), Ourén (Wahran, nome de cidade na Argélia), Ourique (Wariq, verdejante), Ovar (‘Ubr, curso de água), Palmela (Bismillah, ou em nome de Deus), Parchal (Barjal, circuito), Penela (Bem Allah, filho de Deus), Peniche (Bem ‘Aixa, filho de Aixa), Quelfes (Kallaf, moço de estrebaria), Queluz (vale da amendoeira), Retaxo (Ritaj, entrada).
Sacavém (Xaqaban, próximo), Safara (Sahara, deserta), Salema (Salama, paz), Sameiro (Samar, junco), Samouco (Samuq, alto), Sargaçal (Xarqwasi, arbusto), Serpa (Xarba, poção), Sertã (Saratan, caranguejo), Setil (Sabtil, de Ceuta), Sever (Sabir, colina), Sines (Sin, fortaleza), Sor (Sur, cerca), Tarouca (Turuq, caminhos), Tavira (Tabira, ruína), Tercena (Dar as-Sina, casa da industria), Trofa (Taraf, extremidade), Valada (Balat, planície), Vau (Wad, rio), Vieira (Bayara, concha), Xabregas (desfazer), Zambujal (de Zabbuj, oliveira brava), Zavial (Zauia, azóia), Zêzere (Za’za’a, agitação).
“Volta do Mercado Saloio” de Roque Gameiro
Mudéjares e mouriscos
“Os árabes, que constituíam o escol da população muçulmana, e os moçárabes, mais artífices e comerciantes do que camponeses, viveriam principalmente nas cidades, animando os seus bazares e enriquecendo de termos de origem árabe ofícios, pesos e medidas, coisas relativas à agricultura e à criação de gado, ao regadio e até à vida de intimidade. As vinte mourarias conhecidas encontram-se todas no Sul; elas prolongam a influência muçulmana até ao fim da Idade Média reforçada com artífices e escravos domésticos, vindos das praças de Marrocos.” (Orlando Ribeiro citado em SOUSA 1981: 127)
Após a conquista do território do Sul pela Coroa Portuguesa, surge um novo grupo social denominado mudéjares, designação proveniente do árabe mudajjan ou domesticados, constituído pelos muçulmanos que conservam a sua religião mas que, progressivamente, adoptam os hábitos e a língua dos cristãos. Nas cidades perdem o direito a viver nos núcleos muralhados, sendo transferidos para os arrabaldes, para bairros que tomam o nome de mourarias. São tratados como cidadãos de segunda, apesar de lhes ser reconhecida a sua identidade cultural e religiosa.
Mas a sua organização, especialização profissional e produtividade garantiram-lhes certos direitos, chegando a ser referidos pelo rei como “os meus mouros”, e, através de providência real, não eram obrigados à conversão ao cristianismo, não podiam ser maltratados, nem as suas sepulturas violadas.
No entanto muitos mouros abandonam as cidades e instalam-se no campo, onde a situação era bastante mais favorável, como é exemplo a dos chamados saloios da região de Lisboa. A origem do termo saloio não reúne consenso, sendo a explicação mais plausível a que defende que deriva da palavra salat ou oração, designando aqueles que rezavam 5 vezes por dia “fazendo o çala”, e que eram chamados na época çaloyos; esta seria também a origem de çalayo, nome do imposto pago sobre o pão na região de Lisboa. Outras explicações que nos parecem menos merecedoras de crédito são a origem do termo na palavra saheli, que significa habitante do litoral, ou em sahraui ou habitante do deserto.
Até 1496, data do decreto de expulsão das minorias muçulmana que não aceitassem a conversão forçada ao cristianismo, o processo de influência do árabe no português persiste, nessas ilhas muçulmanas, as mourarias das cidades e as áreas rurais onde as comunidades muçulmanas se instalam.
As classes mais abastadas preferem a fuga para o Norte de África, onde podem refazer as suas vidas de forma digna, fugindo também aos pesados impostos que sobre os mouros são decretados, correspondendo a uma “sangria intelectual” na sociedade.
“Quem ficou foram sobretudo os de condição mais humilde: camponeses, agricultores, artesãos, pescadores e pequenos mercadores, que se foram deixando ficar por apego à terra.” (ALVES, 2007: 122)
A conversão dos mouriscos .Retábulo da Capela Real de Granada
Com a obrigatoriedade de conversão ao catolicismo no reinado de D. Manuel I, os mudéjares passam a denominar-se mouriscos. No entanto essa conversão realiza-se com grande “reserva mental”, já que não se processa por fé ou opção própria, mas por imposição, e não é acompanhada por quaisquer medidas de integração religiosa e social, como mostra o facto de “os mouriscos, caídos nas malhas da Inquisição, revelaram, na sua quase totalidade, ignorar os preceitos e práticas mais elementares da doutrina cristã”. (ALVES, 2007: 142)
A conversão forçada é acompanhada da proibição de muitas das suas práticas sociais, como tomar banho frequentemente ou não comer porco, susceptíveis de constituírem denúncia à Inquisição. Com a proibição da própria língua árabe e do uso dos trajes tradicionais, são negadas aos mouriscos todas as réstias de ligação ao seu passado identitário.
Cria-se assim uma população híbrida, que é obrigada a abdicar da sua identidade, sem referências ou perspectivas de futuro, que se refugia em subterfúgios para teimosamente guardar fragmentos das suas origens, como iludir as denuncias à Inquisição colocando alheiras de aves nos fumeiros, utilizar a escrita aljamiada, escrevendo o português com caracteres árabes, e adoptando expressões encapotadas.
Uma referência a dois exemplos paradigmáticos e que fazem supor que algumas expressões de caracter religioso perduraram pelo engenho popular:
Oxalá (law xá Allah ou incha Allah, se Deus quiser).
Olarilolé (la illaha ila Allah, não há divindade senão Deus, profissão de fé muçulmana).
A divisão dos crentes em cristãos-velhos e cristãos-novos cria na sociedade da época um clima de perseguição constante às minorias, exacerbando o racismo e o anti-semitismo, encorajando as denúncias e as arbitrariedades, já que “dividiu a população em multidões de sectários cristãos-velhos, eventuais denunciantes dos cristão-novos de judeus e de muçulmanos, que mergulharam na dissimulação permanente de actos, intenções e sentimentos”. (MAESTRI 2006: 104)
Com o tempo, os mouriscos que ficam em Portugal são assimilados pela sociedade, constituindo uma parte significativa da população rural de determinadas zonas. Sendo de origem humilde e encontrando-se dispersos por um território não-urbano, são tolerados e não constituem ameaça aos valores da nova sociedade. Contrariamente, os judeus são objecto de perseguições implacáveis, já que, sendo normalmente burgueses ricos, são vistos como uma ameaça, e os seus bens constituem uma fonte de cobiça dos novos senhores.

Tecto mudéjar da Casa de Pilatos em Sevilha
Os mouriscos trabalhavam na sua esmagadora maioria por conta de outrem, desempenhando os trabalhos menos qualificados e os pior remunerados de toda a sociedade, estando inclusivamente muitos deles votados à mendicidade. Concentravam-se sobretudo nas cidades de Lisboa, Setúbal e Évora, e na região do Algarve. Os homens trabalhavam como almocreves (condutores de animais de carga), mariolas (moços de fretes), estribeiros, vendedores de palha, serviçais ou criados, enquanto as mulheres eram sobretudo lavadeiras, criadas de serviço doméstico, amas de crianças, cozinheiras, compradeiras, regateiras, vendendo peixe, pão, água e leite nas ruas, ou trabalhavam nos portos “escamando e salgando linguados e cavalas ou arrumando sardinhas”. (RIBAS 2006: 6)
Alguns homens com instrução conseguiam ser empregados como professores e no caso das mulheres a profissão de dançarina era geralmente bem paga e muito apreciada, como é patente neste poema recolhido por Garcia de Resende no seu Cancioneiro Geral: (RESENDE, 1516, obra citada)
“Doce baile da Mourisca
mil sentidos faz perder,
e lá mete uma tal trisca
que é mui má de guarecer.”
Este fascínio pelas mouriscas volta a estar patente neste poema da Miscelânea do mesmo Garcia de Resende: (RESENDE 1973: 357)
“Vimos grandes judiarias,
judeus, guinolas, e touras,
também mouras, mourarias,
seus bailes, galanterias
de muitas formosas mouras,
sempre nas festas reais,
serão, os dias principais,
festa de mouros havia,
também festa se fazia,
que não podia ser mais.”

O Poema de Yussuf, escrito em castelhano aljamiado
A escrita aljamiada
Com os mouriscos surge a escrita aljamiada, na qual a língua românica peninsular ou romance é escrita utilizando caracteres árabes. Aljamía deriva do árabe al-‘ajamiyya, designação que é dada às línguas estrangeiras.
“A linguagem da aljamia apresenta um carácter híbrido com vocábulos arábico-hispânicos e frequentes citações corânicas. É uma língua dialectal e vulgar com constantes erros de ortografia; as construções sintáticas são toscas e as palavras e idiomas são antiquados. O romance que utilizam os mouriscos é muito arcaizante, no entanto muito valioso para testemunhar as alterações linguísticas e filológicas que se operam no castelhano na sua evolução da Idade Média para a Moderna”. (GÓMEZ RENAU 2000: 71)
Nesta citação de Mar Gómez Renau fica claro que para esta autora o conceito de aljamia não se resume à escrita do romance, mas à sua identidade própria, enquanto dialectização do romance.
O período mourisco é marcado por uma forte perseguição à produção literária aljamiada, tendo em conta que coexiste com a obrigatoriedade de conversão dos muçulmanos ao cristianismo. Esse facto reflecte-se nos temas tratados, surgindo obras épicas, como lendas bíblicas, textos sobre os primórdios do Islão ou evocação de batalhas célebres, para além de livros de viagens, que não eram mais do que formas de explicar os caminhos para fugir da Península para o Norte de África.
Deste período não se conhecem textos em português aljamiado, pelo facto de que a grande maioria dos mouriscos das classes mais abastadas abandonou Portugal logo após a conquista cristã e os que ficaram eram sobretudo habitantes das áreas rurais, iletrados e vivendo de forma isolada, no não tendo um sentido identitário forte em relação ao islão escrito. (PAULA 2014/02/21: página electrónica citada)

Corsários de Salé numa foto de 1944
Corsários, Mânfios e Gandulos
Os que não se resignam, os que nada têm a perder e os que fazem da vingança o seu modo de vida optam pela via da resistência armada, ficando conhecidos na história como bandoleiros mouriscos. (VINCENT, 1981, obra citada)
Muitos deles, os mânfios, do árabe manfi ou proscrito, tornam-se salteadores de estrada, atacando os cristãos a quem roubam os seus pertences. Outros, os gandulos, do árabe ghandur ou vadio, organizam-se em milícias urbanas ou bandos de marginais dentro das cidades, sendo em Lisboa também conhecidos como rufiões dos becos (o termo rufião deriva do árabe ru’ian ou rebanho). (PAULA 2014/08/30: página electrónica citada)
Os gandulos surgem no período mais duro da existência dos mouriscos nas cidades, segregados, frequentemente insultados e agredidos, remetidos aos trabalhos mais pobres, como andar à palha ou trabalhar com bestas no transporte de cargas, a realizar trabalhos domésticos ou simplesmente votados à mendicidade.
Em Lisboa, grande parte dos jovens caía na marginalidade e delinquência.
“Perseguidos e vigiados, a marca da infelicidade e da nostalgia trespassa as suas existências caminhando pelas sendas amargas da exclusão, da marginalidade, e, por fim, da obnubilação, transformados em marginais, rufiões e desclassificados, ébrios de fatalidade, frequentavam ainda Alfama e Mouraria vagueando como fantasmas gastos, sob a pálida memória dos seus antepassados”. (ALVES, 2007, pág. 141)

Mouriscos dando um passeio pelo campo. Desenho de Christoph Weiditz, 1529
A Gíria dos Rufiões
Nesta época surge a chamada Gíria dos Rufiões dos Becos, Girianto ou Geringonça, a linguagem dos gandulos, que está na base de muito do actual calão português, do mais brejeiro ao mais indecente, que no período da inquisição terá tido grande incremento através da utilização de expressões e termos encapotados pelos mouriscos e cripto-muçulmanos. (PAULA 2015/09/07: página electrónica citada)
Apresentam-se alguns exemplos incluídos no trabalho “Dicionário Mourisco e Gíria dos Rufiões” do autor deste artigo, disponível em https://historiasdeportugalemarrocos.com/dicionario-de-termos-e-expressoes-mouriscas/
As abreviaturas têm o seguinte significado: transl. (transliteração), transc. (transcrição), trad. (tradução) e sign. (significado).


O Baluarte do Anjo em Mazagão
As praças de Marrrocos
Aos mouriscos portugueses vieram juntar-se muitos outros mouros, populações escravizadas originárias de Marrocos, raptadas nas áreas rurais envolventes às Praças-fortes, com grande incidência na zona da Duquela, e sobretudo a partir da Praça de Azamor, que se torna no primeiro grande mercado de escravos de Portugal, funcionando ao mesmo tempo como entreposto que alimentava os vários mercados de escravos que se iam criando na Península. (PAULA 2014/012/28: página electrónica citada)
Estes cativos constituirão o grosso dos mouros e mouriscos em Portugal. (RIBAS 2006: 3)
A comunidade mourisca portuguesa era assim maioritariamente constituída por indivíduos vindos de fora de Portugal, e não de mudéjares portugueses convertidos, já que a sua maioria se tinha fixado em Espanha. Como afirma Rogério Ribas, os mouriscos de Espanha “eram descendentes dos antigos mudéjares dos vários reinos hispânicos, acrescentados, no final do século XV, pelos muçulmanos de Granada e pelos contingentes de mudéjares lusitanos a que fizemos menção. No caso português, os mouriscos eram estrangeiros de várias procedências, sobretudo da região magrebina, que vinham ingressando em Portugal, na condição de escravos, em meio à expansão marítima.” (RIBAS 2006: 2)
Isabel Braga caracteriza a comunidade mourisca portuguesa como “pobre, velha”, constituída por “convertidos de primeira geração, dominando o árabe falado e nalguns casos escrito”. (BRAGA 1999: 71)
Estas características acentuavam a dificuldade de conversão ao cristianismo e de integração na sociedade, já que os mouriscos, na sua grande maioria, eram convertidos já adultos, com personalidades já formadas e crenças próprias. O cripto-islamismo por detrás da aparente realidade cristã revelava-se publicamente em momentos em que as suas dificuldades eram maiores ou a sua espiritualidade era chamada para os confortar, como por exemplo por morte de familiares.
Exprimiam-se em árabe, “falavam todos em aravya”, e utilizavam expressões corânicas nos ritos que praticavam, nomeadamente nas refeições conjuntas ou no cella (salat, oração), como por exemplo bismilá (bismillah, em nome de Deus), amdurilá bilaramin (alhamdulillah, rabi al’alamin, Deus seja louvado, Senhor do Universo) laylada Mahomed la çorolla (la ilaha ila Allah Muhammad rassul Allah, só há um Deus que é Deus e Muhammad é o enviado de Deus). (BARROS, 2013, p. 39, 50)
O medo da Inquisição fazia com que não cumprissem à risca os preceitos do islão e se lhes aplicasse um ditado da época que dizia, “mouro fino come toucinho e bebe vinho”. (BRAGA, 1999, p. 104)

Cavaleiros árabes
Aljamia portuguesa e Darija marroquina
Existe também uma Aljamia Portuguesa, de características completamente distintas, surgida em Marrocos durante a ocupação portuguesa da costa desse país, e consequência da necessidade de entendimento entre os mouros de pazes e os portugueses. Muitos dos mouros de pazes, aliados da Coroa Portuguesa, sabiam falar o português, mas não sabiam escrever com o alfabeto latino. A aljamiação de textos portugueses era assim a forma de conseguir comunicar por escrito.
David Lopes publicou e traduziu um conjunto de cartas em português aljamiado, de grande interesse, escritas por mouros de pazes aos capitães portugueses de Marrocos e ao próprio rei D. Manuel I. (LOPES 1897: obra citada)
A Darija marroquina tem também influência portuguesa, que data do período do estabelecimento da praças-fortes de Portugal na costa de Marrocos a partir do século XV, período esse que coincidiu com a expulsão dos mouriscos de Portugal. Ou seja, entre os séculos XV e XVIII, a língua portuguesa chega a Marrocos por via dos portugueses muçulmanos e judeus expulsos e por via dos fronteiros e habitantes portugueses das praças-fortes estabelecidas por Portugal na costa marroquina.
Othmane Mansouri refere que “quando os portugueses abandonaram as suas fronteiras, levaram tudo com eles. No entanto existem nas línguas portuguesa e marroquina influências cruzadas. Mesmo havendo ainda estudos desenvolvidos, podemos constatar que existem numerosas palavras, como fechta (festa) que são idênticas nas duas línguas”. (CHAUDIER, 2011, página electrónica citada)
Infelizmente não existe um levantamento aprofundado sobre os termos portugueses que integram a Darija marroquina, sendo bastante comum atribuir muitos deles à influência espanhola. No entanto, nas zonas onde a permanência portuguesa foi mais longa e enraizada, como na região de Tânger e Arzila e na chamada Duquela, concretamente na costa Atlântica entre Azamor e Safim, a influência do português é mais evidente, subsistindo alguns vocábulos, sobretudo entre os habitantes mais antigos e de origem rural.

Placas toponímicas da Cidadela Portuguesa de Mazagão
Alguns dos que apresentamos como exemplo referem-se a palavras cuja similaridade com o português é por demais evidente, apesar de terem um caracter essencialmente especulativo, no sentido de que não encontrámos nenhum trabalho credível de estudo da influência do português na Darija marroquina, trabalho esse seria bastante interessante realizar. Existem outros termos que deverão ser associados ao português, não só pela similaridade, como por se referirem a especificidades da vida portuguesa em Marrocos, como a alimentação à base de biscoito ou a pesca com recurso a pesqueiras:
Bagado (advogado), Barato (barato), Barco (barco), Berraka (barraca), Billacho (palhaço), Bisketo (biscoito), Borro (alho-porro), Borro (burro), Buskeda ou Bouskida (pesqueira), Brassa (praça), Capa (capa), Capicho (capucho), Capote (capote), Chatamata (mulher chata, de “chata de matar”), Chkama (escama), Chkouadra (esquerda), Cochta (costa), Cuzina (cozinha), Diel, Diela (dele, dela), Dutur (doutor), Fabor (favor, borla), Fargata (fragata), Fechta (festa), Gamila (gamela, tacho), Garro (cigarro), Manta (manta), Mario (armário), Miziria (miséria), Qabeta (gaveta), Qamija (camisa), Carro (carro), Carrossa (carrossa), Randa (renda), Ranjo (gancho, no sentido de pessoa retorcida), Ricibo (recibo), Rolo (rolo), Ruina (ruína), Sapate (sapato), Saia (saia), Scouila (escola), Simana (semana) ou Veranda (varanda).
Como conclusão diremos que a influência do português na Darija marroquina se encontra bastante desvalorizada, não figurando na maioria dos trabalhos consultados sequer uma referência aos 354 anos de presença portuguesa em Marrocos. Por outro lado, a generalidade dos autores considera que a influência peninsular mourisca em Marrocos é espanhola, situação no mínimo estranha, tendo em conta o reconhecido mérito das suas investigações.

A French Ship and Barbary Pirates, Aert Anthonisz Anthonissen 1615, Royal Museums Greenwich
Língua Franca
Entre os séculos XV e XVIII, o Mediterrâneo estava pejado de corsários que faziam do tráfico de escravos o seu maior negócio.
O corso atraiu milhares de aventureiros em busca de riqueza fácil, deu origem à concentração de um enorme número de cativos de diversas nacionalidades, criou um sistema de resgates com intermediários das mais diversas proveniências e foi responsável por grandes movimentos populacionais, sobretudo populações deslocadas das áreas costeiras. Muitos europeus, cativos ou aventureiros, os chamados renegados, converteram-se ao islão e integraram-se nas sociedades Norte-Africanas.
Entre este conjunto extremamente dispare de pessoas, que na sua maior parte se encontravam em trânsito, desenvolve-se uma linguagem mestiça, chamada Língua Franca, que permitia um entendimento entre todos, sem que fosse utilizada a língua materna de uns ou de outros. (PAULA 2023/08/19: página electrónica citada)
Era uma língua com carácter transitório, apenas utilizada durante o período em que os indivíduos se encontravam cativos, voltando a falar a sua língua natal se fossem resgatados, ou adoptando a língua árabe se fossem convertidos. Era acima de tudo uma língua que assegurava uma distância e frieza no relacionamento entre carcereiro e prisioneiro, em momentos de grande conflito e sofrimento, que Jocelyne Dakhlia apelida de “no man’s land da comunicação” (DAKHLIA, 2008: 9) ou “no man’s langue”. (DAKHLIA, 2008: 207)
A Língua Franca não era monolítica, no sentido em que tinha variantes conforme as influências das línguas europeias dominantes em determinadas regiões. No levante do Mediterrâneo e no Mediterrâneo Central o italiano era claramente dominante, mas em Marrocos observava-se aquilo que Dakhlia chama os “iberismos marroquinos”, com influências acentuadas do castelhano e do português.

A Habs Qara de Mequinez, uma das prisões de cativos europeus em Marrocos
As fontes que referem a Língua Franca de Marrocos chamam-lhe Langue Gémique, termo que Henry de Castries, no capítulo Méthode de Publication das Sources Inédites de l’Histoire du Maroc, onde estabelece algumas “restituições” de palavras estrangeiras para a sua origem árabe, atribui a Gemique a origem Adjemi, com o significado de “língua estrangeira para o árabe”, que é “um espanhol ou português corrompido”. (LES SOURCES…, 1918 : XIX)
A Aljamia, Langue Gémique ou Adjemi, era a designação do falar cristão ou “hablar cristiano”, Nazarani (Nazareno) ou Roumi (romano), que os marroquinos davam ao espanhol e ao português corrompido que usavam nas relações com os cristãos, nomeadamente com os cativos, renegados ou diplomatas.
Dois autores francófonos referem-se à Langue Gemique.
O médico francês Jean Mocquet foi convocado pelo secretário do Rei de Marrocos para uma consulta médica, originando um diálogo em Língua Franca:
“Ele mandou vir um judeu para servir de intérprete de ‘Langue Gemique’ (que é espanhol ou português corrompido) que eu conhecia”. (MOCQUET, 1617: 164)
O mesmo Jean Mocquet chamou Langue Gemique à Língua Franca quando visitou a Síria, dizendo que “é um italiano corrompido”, o que demonstra que para si as duas designavam a mesma coisa, com as devidas diferenças ao nível das influências. (MOCQUET, 1617: 380-381)
Pierre d’Avity, militar, escritor, historiador e geógrafo francês, também usa o termo Langue Gemique para designar a Língua Franca de Marrocos:
“Quanto às línguas que se usam nesses bairros são o Morisco, o Arabesco, e a ‘Langue Gemique’, à qual se chama Língua Franca. Usam também o Árabe, mas não tão puro como no seu verdadeiro país, já que a prática dos Mouros fez introduzir algumas palavras estrangeiras, como o Mourisco recebeu algumas palavras Árabes. Quanto à ‘Langue Gemique’, é um certo jargão, que eles compuseram, que é uma mistura de Espanhol e de Português corrompido aproximado à Língua Franca dos Turcos e das suas Galés, mesclado de Espanhol, de Italiano, outras línguas da Europa.” (AVITY, 1637: 59)

Mercado de escravos cristãos, por G. Broekhuizen, na obra Historie van Barbaryen en des Zelfs zee-roovers de Pierre Dan, 1684
As referências à Aljamia (Langue Gémique) após o século XVII desaparecem e torna-se dominante o termo “espanhol corrompido” para designar a Língua Franca marroquina, mesmo sendo claro que dela faziam parte termos portugueses, italianos e mesmo do tamazight, ou língua berbere.
Germain Mouette tem esta afirmação sobre as línguas que se falavam no país:
“Como os Reinos de Fez e de Marraquexe são os mais próximos de Espanha, os Mouros que daí fugiram trouxeram a Língua Espanhola, que aí é ainda tão comum como o Árabe.” (MOUETTE, 1683: página 2 do prefácio)
Maria Ter Meetelen foi uma holandesa que esteve cativa em Mequinez durante 12 anos, deixando um impressionante testemunho escrito desse período da sua vida. No seu texto, refere várias vezes que o relacionamento na corte do Rei se fazia num “mau espanhol” que a maioria das pessoas falavam. (MEETELEN, [1748] 2010: 22-24)
Thomas Pellow era um jovem inglês que acompanhou o seu tio a Génova para comerciar. Pelo caminho o barco em que seguiam foi atacado por corsários, foi feito prisioneiro e levado para Mequinez, onde ficou cativo 23 anos. Converteu-se ao islão e o sultão Mulei Ismail encontrou uma mulher para o casar. Quando Pellow acedeu a casar-se, o sultão exclamou bem-humorado: “bono! Bono!”. Pellow acrescenta que na língua Espanhola “Bono! Bono!” significa “Bom! Bom!”. (PELLOW, 1890: 76)
Thomas Pellow falava português e espanhol, pelo que esta referência aparentemente errada em relação a um termo italiano não seria um erro por desconhecimento, mas uma constatação de que o “espanhol falado” era de facto a Língua Franca de Marrocos.
É indubitável que a Língua Franca teve uma base italiana-francesa-castelhana no Mediterrâneo Central e no Levante, mas a influência do português em Marrocos poderá ter tido uma dimensão muito mais expressiva do que se pensa, pela presença dos portugueses no país entre 1415 e 1769. (ASLANOV, 2010: 111)
Os portugueses utilizaram a Língua Franca, inclusivamente durante os Descobrimentos, como língua de contacto com os povos africanos, por ser de mais fácil compreensão, influenciando inclusivamente a formação do crioulo. (PARKVALL, 2003: página electrónica citada)
A própria influência do português na Darija marroquina é um fenómeno não estudado de forma aprofundada, existindo uma ideia generalizada que as essas influências são sobretudo espanholas, resultando das migrações dos mouriscos nos séculos XV e XVI e espanholas e francesas do período dos Protectorados instituídos em 1912.
É certo que a entrada de mouriscos em Marrocos foi muito mais significativa por parte de populações originárias de Espanha, por várias razões, desde logo pela relação entre a população dos dois países, mas também porque muitos árabes de condições social baixa ficaram em Portugal, por apego à terra, fixando-se nas chamadas zonas “saloias” e no lentejo. Os mouriscos originários de Espanha fixaram-se nas grandes cidades de Marrocos chamadas “andalusas” (Tetuan, Chefchauen ou Rabat-Salé) e, no caso de Rabat-Salé, tiveram uma expressão enorme, pelo acolhimento massivo de Hornacheros que aí se instalaram. (PAULA 2014/04/30: página electrónica citada)
Estes factos não retiram, contudo, a importância que os 354 anos de presença portuguesa em Marrocos tiveram na criação de relações que influenciaram o falar das duas comunidades.
Simon Levy, referindo-se aquilo que chama “a concorrência victoriosa do castelhano”, diz que “termos portugueses devem ter-se confundido com os seus primos castelhanos que puderam, por assim dizer, encobri-los”. (LEVY, 1997: 177)

Dança mourisca. Desenho de Christoph Weiditz, 1529
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Cara Rosa Machado, tive a honra de ter tido aulas, já lá vão uns bons anitos, em regime livre, com o senhor seu pai, na Sociedade de Língua Portuguesa (Rua de S. José, em Lisboa), o grande arabista farense Professor José Pedro Machado.
Fiz a minha profissional em Lisboa, tendo de utilizar, diariamente, na minha deslocação para o trabalho, a Estação do Metro do Rossio, onde me cruzei com ele, várias vezes, cerca das oito horas da manhã. Cumprimentávamo-nos, obviamente, porém, nunca o questionei qual o seu destino, àquela hora tão matutina, para ele, professor já jubilado …
Acompanhava-o sempre a sua inseparável pastinha. Com ele desapareceu mais um dos grandes depositários da nossa cultura, no seu expoente maior, cultura que bebeu, como aluno, com o Mestre David Lopes, um portento como arabista.
Cumprimentos
José Domingos
Muito origada pelo seu testemunho!
A essa hora, o meu saudoso Pai devia ir tomar café com amigos, como sempre o fazia, na Casa Chineza (Rua do Ouro); depois seguia para a Livraria Portugal.
Felizmente ele já não assistiu ao fim da Livraria, da “sua” Escola, a Afonso Domingues, nem da Sociedade de Língua Portuguesa, entre outras, que muito lhe diziam.
Um abraço da
Rosa Machado
Bárbaro.
O artigo foi reformulado no mesmo link: https://historiasdeportugalemarrocos.com/2014/02/04/influencias-da-lingua-arabe-no-portugues/
Such a wonderfull work, I am an Arabic native speaker, I live in Portugal and I can feel the big influance of Arabic on Portuguese language, it is almost 3000 words have derived from Arabic roots. And right now I am writing a small article about this influence.
Many thanks to people like you.
Choukran Samir. Best regards
you are most welcome, I believe that your background in Arabic is so rich. choukran is an Arabic word.
you are most welcome. and all the best
Baraka Allahu fik
So wonderful. I believe you are speaking Arabic vary well. Al, the best dear. Allah protect you
Sou brasileiro e amo a língua portuguesa. Descobri, por acaso, uma obra magnífica com o título: “O povo brasileiro”. O antropólogo, Darcy Ribeiro, descreve com maestria a construção da cultura e da língua que falamos aqui. No capítulo sobre os portugueses, ele vai esmiuçando quem são vocês e aprendo que na desberta do Brasil, Portugal já era um dos países mais miscigenados da Europa. Que a invasão dos Moros se fazia sentir na pele, na língua e na visão de mundo. A partir de então, comecei a querer aprender sempre mais sobre a história da língua portuguesa com entusiasmo e paixão. Gostei muito da página, trabalho magnífico. Obrigado.
Obrigado sou eu. Cumprimentos
Tenho estado a ver um programa no Canal História “Al Andaluz” e este texto veio complementar muita da curiosidade que sempre tive sobre todas estas influências na nossa cultura.
Muito obrigada
De nada. Os meus cumprimentos
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Isto é fantástico Frederico. Aliás a tua página está soberba.
Já retirei informações para as minhas notas sobre o sufismo embora isto não acabe.
Quanto às toponímias, seria interessante as Camaras locais que em tempos estiveram sobre domínio muçulmano adoptassem à entrada das vilas também o nome em Árabe.
Exemplo: Alcoutim. Usar a grafia árabe mais os sinais A I U em árabe caso fosse necessário.
Bom domingo InshaAllah
Olá Hugo. Silves tem à entrada no painel das boas vidas o texto também em árabe
Bom dia! Uma questão que me surge é até que ponto não houve também influência das línguas berberes, que não tinham tradição escrita e portanto não deixaram vestígios ‘estudáveis’ no português. Nunca encontrei referências a este tema. E refiro esta história a título de curiosidade: há cerca de 10 anos, nas montanhas do Alto Atlas, fiquei a saber que a palavra local para borboleta é ‘tbirbilut’ (pelo pouco berbere ‘tachelheit’ que sei, deve tratar-se dum feminino, que se constrói acrescentando ‘t’ no inicio e fim das formas masculinas). Também já tinha lido sobre a origem pouco clara da palavra borboleta e de como, em várias línguas da bacia mediterrânica, a sua construção tem elementos comuns – duas sílabas que começam com consoantes labiais e depois uma alveolar. Exemplos: borboleta, farfalla, papillon. Ou seja, há um qualquer substrato comum, mas não fiquei com a ideia de que haja necessariamente uma que influenciou a outra. Mas a semelhança flagrante entre tbirbilut e borboleta é muito curiosa. E nunca ouvi nem li nada sobre estudos da influência das línguas berberes. Será que alguém se dedica a esta análise?
Um bom domingo
Ana
Boa tarde. Não tenho dúvidas que as influências entre o português e as línguas de Marrocos terão sido muitas e nos dois sentidos. É claro que as influências no português serão predominantemente do período do Al-Andalus e as influências na Darija e Línguas Amazigh do período das praças de Marrocos. Vários factores dificultam a existência de estudos relativamente ao Português. Os que conheço são da autoria de arabistas portugueses e referem-se às influências do Árabe Clássico no Português. Sobre influências do Tamazight no Português não coneço nenhum trabalho. Como refere, a tradição oral dificulta, mas também o facto de existirem três dialectos (ou línguas) Amazigh e o facto de que a generalidade dos estudiosos do Tamazight não falarem português também. Vou enviar para o seu e-mail o contacto do Dr. Mostafá Zekri que é o professor de Árabe Clássico do Centro de estudos Luso-Árabes de Silves, originário de Agadir e conhecedor do Tachelhit, que espero que a possa ajudar. Cumprimentos
Obrigada, Frederico. Cumprimentos
Boa noite,
Encontrei por acaso a sua publicação, e desde já os meus parabéns.
Desde criança que me habituei a conviver com a etimologia, o estudo do árabe, etc; quando pedi ao meu saudoso Pai, José Pedro Machado, para me ensinar árabe, a resposta foi: ” claro que sim, quando souberes falar e escrever correctamente português”. O que quer dizer que não aprendi árabe…
Att,
Rosa Machado
Obrigado pelo seu comentário. O árabe não é fácil. Aprender árabe é uma aventura. Cumprimentos
Obrigado pela divulgação destas pérolas de sabedoria que irei guardar para leitura mais atenta e necessária consulta futuramente.
Eu é que agradeço o seu comentário. Cumprimentos
Muito bom. Sou português e moro no Brasil há quase 40 anos. Vou comparilhar numa página que tenho com os respetivos créditos !
Muito bem. Cumprimentos
Graças a pessoas como você que despendem do seu precioso tempo publicando um conhecimento tão rico é que temos acesso a conteúdos tão enriquecedores como este. Parabéns ao trabalho que teve.
Obrigado pelas suas palavras
Sr. Frederico deixe-me primeiro dizer-lhe que muitos dos seus artigos são quase água para quem está com sede. A minha sede é de conhecimento e o senhor sacia-la muito bem! Posso saber a sua formação?
Bom, agora vamos levar a escrutínio algumas das suas verdades. É errado quando diz que o Espanhol recebeu mais influência que o Português. Porquê? Porque a gramática portuguesa e a francesa são quase uma fotocópia. Por exemplo: Ele foi ajudar o cão. Il a été aider le Diferença? Nenhuma. E quanto a vocábulos? Comboio era o tradicional convoyer, sutiã é soutien, pochette é pochette, pass par tout igual em francês e entre muitas mais. E expressões? Avant garde e la gardene. Diga-me se em espanhol há esta influência francesa? Não há? O catalão concordo consigo.
E agora o árabe no Português e Espanhol. Os 800 anos contra os nossos 500 anos deveriam valer alguma coisa pensei isso. E genuinamente, estava a mudar a minha opinião quanto à língua que tinha recebido mais vocábulos árabes e já estava a inclinar para o português quando começa a falar de nomes de lugares. O senhor bem sabe que esse é um caminho muito perigoso, porque basta ir à Andaluzia que com os seus 80000 e muitos km2 de área(Portugal continental) tem o triplo dos nomes encontrados em todo o nosso Portugal. E ainda falta contar a Comunidade Valenciana,La Rioja, a zona de Madrid,etc. Já para não falar que ao contrário de nós, os espanhóis incorporaram na língua o som “H” árabe transformando-o no “J” e “G”. O uso das influências árabes é muito mais coloquial do que no caso português. Por exemplo, posso até não dizer Albufeira,Almada,xadrez,xarope enquanto que o espanhol convive diariamente com o som “j” ou “h” todos os dias. Além disso, o dialeto da Andaluzia parece mais árabe que espanhol.
Caro Sr. Duarte.
Agradeço o seu comentário. Sou arquitecto de formação, pelo que os meus conhecimentos de linguística são apenas os correspondentes ao trabalho de investigação que realizo, e por isso aquilo que chama “as minhas verdades”, não são verdades, são apenas opiniões, que emito em determinados momentos e que estou sempre pronto a “dar o braço a torcer” se verificar que não tenho razão. Na vida estamos sempre a aprender.
Em relação à sua afirmação de que eu digo que “o Espanhol recebeu mais influência que o Português” (não sei qual a influência que refere, mas presumo que a francesa, já que de seguida apresenta alguns “francesismos” modernos que o português utiliza) não corresponde de facto ao que eu afirmo e aqui transcrevo o que escrevi no meu texto:
“A influência do Árabe no Português é bastante mais marcada do que no Castelhano ou no Catalão, línguas que, localizando-se geograficamente mais próximas de França recebem a sua influência directa e têm um efeito de tampão no Português”. Quando falamos da influência do árabe no português falamos do período entre os séculos VIII e XIII e nessa altura não haviam comboios e penso que também não existia o termo soutiã. O que é verdade é que palavras como “romã” são iguais em português e árabe, enquanto em francês se diz “grenade” e espanhol “granada”, e “tâmara” é igual em português e árabe, enquanto em espanhol se diz “dátil” e em francês “datte”.
Em relação aos topónimos, não existe nenhum estudo credível que prove que os de origem árabe são mais numerosos em Espanha que em Portugal, mas será evidente que quanto maior a área de uma determinada região mais aglomerados existem. A questão é saber, no conjunto total de topónimos, qual a percentagem de termos de origem árabe.
Independente do que afirmo, o próprio Adalberto Alves, cuja credibilidade é para mim inquestionável, afirma que o português terá quatro vezes mais termos de origem árabe que o castelhano.
Em relação à fonética, estou em total desacordo consigo. Não é pelo facto de o português incorporar determinados sons de forma diferente do espanhol que esses sons não têm origem árabe, como por exemplo a transformação do H em F (e não em J como no espanhol).
Quanto à sua afirmação de que o dialecto da Andaluzia parece mais árabe que espanhol, também me parece absurdo, já que é apenas uma forma mais arrevesada de falar o espanhol. Afirmar isso, é como afirmar que o algarvio parece mais árabe que português, o que é um contra senso.
Agradeço mais uma vez o seu comentário
Eu sou natural do Algarve,filho de pobres trabalhadores do campo e um simples operário emigrante na Holanda onde resido desde 1964 e já velhote de 92 anos de idade e deixo aqui o meu Muito Obrigado a Frederico Mendes Palma por êstes apontamentos históricos que eu li e continuarei a ler com muito interesse.Eu pensava que no idioma português só existiam umas 400 palavras de origem árabe,mas pelo que li,são afinal milhares e até o nome da minha terra natal,Boliqueime,é de origem árabe,o que eu não sabia.A Pátria-Mãe p’ra mim madrasta/empurrou-me p’rà emigração/e maldita seja a Governação/que Portugal p’rà miséria arrasta. Os meus desabafos em poesia/são a forma que tenho à mão/para criticar,dêste mundo cão/a pulhice e a velhacaria. Quer o Boloqueime ou não/quer ande mouro na costa/por uma ou outra razão/quem de poesia não gosta?!
Quem agradece sou eu. O Poema, que gostei e muito, e o seu comentário elogiando os meus escritos, que vindo de um homem com esses 92 anos tem um sabor especial. Não é todos os dias que alguém me envia um escrito tão poético e ao mesmo tempo tão amargo, mas a poesia é assim mesmo. O espelho do que nos vai na alma.
Excelente artigo meu caro.
Quero deixar um comentário acerca do nome Almada…
Numa viagem ao Cairo, no passado ano de 2015, em conversa com o meu chauffeur/guia/egiptólogo/tradutor/segurança/amigo o Sr.Mohammed Eid, nascido e criado na Cidade dos Mortos, ele pronunciou o topónimo cairense Al-Maadi de uma maneira que me chamou logo à atenção.
Após o que fiquei a saber que Al-Maadi se traduz por: a travessia.
Tem inclusive relação com o périplo pelo Egipto da Sagrada Familia durante o exilio neste país.
É em Al-Maadi que se situa umas das grutas usadas pela Sagrada Família para se proteger e é em Maadi que atravessam o Nilo, aliás ainda hoje se encontra uma travessia, por ferry, deste grandioso rio no sítio da travessia original.
Atenciosamente
Caro António
Obrigado pelo seu comentário, que merece um esclarecimento da minha parte. De facto existem topónimos de origem não conhecida, cujo significado é muitas vezes referenciado como mera hipótese, já que poderá ter na sua base diferentes palavras semelhantes. Mas quando se encontram referenciados em documentos da época, a dúvida desvanece-se. É o caso de Almada.
Al-Idrisi, na sua obra “A Primeira Geografia do Ocidente”, escrita no século XII, (neste caso a versão por mim consultada foi a versão francesa “Idrisi, La première géographie de l’Occident”, présentation par Henri Bresc et Annliesse Nef, GF Flammarion, Paris, 1999) refere na página 267 (e traduzo do francês):
“Situada na proximidade do oceano Tenebroso, esta cidade (Lisboa) tem à sua frente, na margem sul do rio, o burgo fortificado de Almada (al-ma’dan, ‘a mina’), assim chamada porque quando o mar está agitado, deita nesse lugar ouro bruto. Durante o inverno, os habitantes da região vão para perto do burgo fortificado à procura deste metal, e aproveitam ‘a mina’ que se renova ao longo de todo o inverno. É uma das maravilhas do mundo que vimos nós próprios”.
Assim, não existe dúvida sobre a origem do termo Almada.
Cumprimentos
Fabulosa . Já agora eu sou de uma aldeia chamada Alcafozes ou outrora Alcanfozes, sem duvida de
Origem árabe. O que significa? Obrigado.
ALCAFOZES (Idanha-a-Nova) – O mesmo que ALCAFAXE. Segundo Adalberto Alves, no seu “Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa”, o termo tem origem em القفص Al-Qafass, que significa “cercado, vedação, jaula, gaiola grande para pássaros”.
Cumprimentos
Parabens pelo artigo, está realmente um primor. Adorei!
A Linguística é fascinante, e quando se começa uma pequena busca de informação, acaba-se fazendo uma investigação que não tem fim. A língua portuguesa é riquíssima e importou não só do árabe como de outras línguas. Que tal continuar a pesquisa?
Obrigado pelo seu comentário, mas devo confessar que a Linguística não é propriamente a minha “especialidade”
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Caro estudioso Frederico Mendes Paula, aguardo o seu comentário sobre a cooperação de Portugal e mais outro 4 países europeus com o Magrebe, que prevê quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, e que integram o processo de diálogo 5+5 . Essa cooperação tem algo a ver com as ligações seculares de Portugal com o Norte de África?
Cara Maria Silva
Desconheço os acordos de cooperação de que fala e não serei eu certamente a pessoa indicada para os comentar ou sequer falar das nossas relações de mais de 500 anos com o Norte de Africa que refere.
O que lhe posso dizer é que sou um convicto da nossa identidade mediterrânica e que espero que um dia haja algum bom senso para se perceber a asneira do caminho que Portugal está a trilhar.
Sem dúvida que precisamos de valorizar mais estes legados na nossa cultura, tradição, língua, arquitetura,etc resultantes dos intercâmbios que sempre os povos do Sul da Europa concretizaram com os povos do Norte de África. Certamente que o governo português está certíssimo quando aposta na cooperação com o Magrebe, com quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, que integram o processo de diálogo 5+5 – reunindo dez países dos dois lados do Mediterrâneo -, ao abrigo do qual já foram estabelecidos acordos de cooperação, no qual Portugal é membro, segundo declarações recentes de Teresa Ribeiro, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, do governo português.No final de contas, o Portugal Marrocos contínua vivo, se assim o entendermos e as escolas portuguesas partilhem com os jovens toda esta história de povos tão próximos !
A cooperação com o Magrebe, com quatro países-alvo: Mauritânia, Tunísia, Marrocos e Argélia, que integram o processo de diálogo 5+5 , cooperação na qual Portugal participa, tem algo a ver com as nossas relações de mais de 500 anos com o Norte de África?
Un trabajo realmente valioso y sorprendente. Mis congratulaciones.
Gracias. Saludos
Existe um Peniche perto de Vigo, na Galiza…ponho muitas dúvidas na sua origem árabe. E trofa, tão ao norte…parece-me muito forçada essa explicação.
Sem querer por em causa a eventual justeza das suas dúvidas, até porque a origem de muitos termos do Português poderão ter diversas explicações, lembro que no Norte de Portugal existem muitos topónimos indubitavelmente de origem Árabe, como Mafamude, em Gaia, Marvão, Barbeita, Saímes, Irão e Couce, em Cinfães, Aboadela, em Amarante, Alcácima, Almodafa e Alcaria, em Tarouca, Alcaçovela, Arritana, Cárquere, Córdova, Fazamões, Massora, Maurel e Almozerna, em Resende, Alcoba, na Guarda, Alderuge, Alqueidão, Alvoraçães, Fáfel, Angorês, Lalim, Lazarim, Marrocos e Almacave, em Lamego, Alfaiates, no Sabugal, Algarido, em Moimenta da Beira, Algereu, Boassas, Marame e Alqueive, em Cinfães, Almançor, em Castelo de Paiva, Almoínhas e Maçode, em Armamar, Mamouros, em Castro Daire, Mansores, em Arouca, etc. etc. etc.
Bom dia meu caro Eduardo.
Quero chamar a sua atenção para o facto de que Vilar de Mouros fica no Minho, e que, antes da reconquista cristã, os Mouros chegaram a conquistar e ocupar, durante largos anos, terras além Pirinéus o que fez com que os reis francos se unissem contra a invasão Moura e, anos mais tarde, desse origem aos reinos cristãos da península e o resto é história.
Passar bem.
Povos & Culturas ! O que lembramos? Lamento que nossas escolas , tanto em Portugal como no Brasil, passem ao lado da história milenar de nossos povos e acabemos por não lembrar e por ter preconceitos em relação a nossos antepassados, como é o caso dos árabes e arabizados. Seria bom acompanharmos o que se publica agora que se celebram os 600 anos da conquista de Ceuta e da presença de Portugal no Norte de África . Os cadernos do Arquivo Municipal , vão lançar no nº 4 este tema e estão anunciando o Call For Papers. http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/pt/investigacao/cadernos-do-arquivo-municipal/call-for-papers/ Os amigos deste excelente espaço , uma boa e corajosa iniciativa do Frederico Mendes Paula, podem-nos atualizar com as boas novas destas memórias?
LI UM POUCO,SOBRE A LINGUA PORTUGUESA FIQUEI COMO UM BB QUERENDO APRENDER MAIS, SOBRE A RELIGIÃO MUÇULMANA ESTOU A OUVIR MAIS,MEU ESPIRITO PRECISA DESSAS PALAVRAS, PENSO QUE ENCONTREI UMA RELIGÃO QUE ME COMPLETA
Obrigado
Muito bom, estou fascinada com tanta informação, vou estudar com carinho e atenção!
Obrigado
Eu também fico surpreendida com os muitos testemunhos que encontramos em Portugal que se relacionam com o Magrebe. Por exemplo o refrescom muito comum em Portugal, o Mazagran,
uma das bebidas preferidas do Magrebe e que se serve quente do Inverno e gelada no Verão. Do livro “Mazagran” de José Rentes de Carvalho (Vila Nova de Gaia, 1930), transcrevo o texto que cita o tal refresco do Magrebe: “um copo grande cheio até mais de um terço com café forte, um volume igual de água gasosa, muito açúcar, uma rodela de limão”, e “quando o Profeta abranda a sua vigilância junta-se-lhe um cálice de conhaque”
Interessante e engraçado. Essa vigilância do Profeta pode ter diversos significados…a pressão social, a rendição à tentação, o sentimento de solidão…
E continuo a “descobrir” literatura que identifica a nossa herança Magrebe, tão propositadamente esquecida!A mesma cultura! . Leiam este texto sobre as Cartas do meu Magrebe de Ernesto de Sousa que li no blog KATEB YACINE que homenageia o escritor magrebino nascido na Constantina (Argélia) no dia 2 de Agosto de 1929: “A viagem de Ernesto de Sousa pelo Magrebe no princípio dos anos 60, teve como ponto alto a sua passagem pela Argélia nas vésperas da independência. É em plena revolução e luta sangrenta pela liberdade, que o criador de Dom Roberto consegue para o JN uma entrevista com o chefe militar e futuro Presidente da República, Houari Boumédiènne. É também nesta altura que Manuel Pacheco de Miranda, director do JN, comunica a Ernesto de Sousa a necessidade de pôr fim às crónicas que vinha escrevendo pois o jornal não poderia continuar a dar notícias acerca de um país que era contra a soberania portuguesa nas “Províncias Ultramarinas”. A curiosidade de Ernesto de Sousa pela cultura do Magrebe e pela luta anticolonial da Argélia não era oportuna à censura de Salazar e só agora, 50 anos depois, se publicam as crónicas de um dos mais interessantes olhares em Portugal sobre a herança cultural do Norte de África. Afinal, os tais Berberes, como há dias afirmou o arqueólogo Cláudio Torres, “ocupavam todo o sul da Península Ibérica. Era a mesma cultura, era a mesma língua, o mesmo espaço, a mesma habitação. (…) Todo este mundo fez parte de um mundo comum. (…) E a gente agora deprecia-os, esquece-os, não percebe que pertencem à nossa estrutura cultural.””
Muito interessante. Essa questão da história e origem comuns tem sido tratada com muita ignorância e indiferença
Caro Frederico Mendes Paula, A sua incansável pesquisa de bibliografia sobre a historias de Portugal junto com Marrocos e a partilha dos textos constitui uma importante contribuição para o conhecimento da história que nos aproxima do norte de África. E um convite para que outros sigam o seu exemplo! E com certeza que existem publicações em língua portuguesa sobre a herança árabe. Cito adiante um livro que é uma boa fonte:
Adel SIDARUS (Ed. de); Pierre GUICHARD (Introdução de) – Fontes da História de al-Andalus e do Gharb, Lisboa, Centro de Estudos Africanos e Asiáticos – Instituto de Investigação Científica e Tropical, 2000, 190 pp. + 5 estampas (ISBN 972-672-887-8).
No endereço
ler.letras.up.pt/uploads/ficheiros/3603.pdf encontramos uma recensão crítica sobre esta obra e outra recensão
sobre tambem de Adel SIDARUS (Ed. de); Humberto Baquero MORENO (Introdução de) – Islão Minoritário na Península Ibérica, [«Biblioteca de Estudos Árabes», vol. 7], Lisboa, Hugin, 2002, 119 pp. (ISBN 972-794-097-8).
Obrigada pela publicação desta informação. Normalmente só se fala da origem no latim das nossas palavras, esquecendo-se que nós tivemos durante mais tempo sob domínio e influência árabe. O que naturalmente deixou muitas marcas no nosso léxico, pensamento e cultura. Mas tal é pouco investigado e divulgado.
Sobretudo pouco divulgado
Embora reconheça a nossa influencia judaico-cristã, grega, romana e dos povos galaico-castrejos, o árabe deixou as usas raízes inegáveis e devemos ter gosto nisso.
Raízes inegáveis das culturas arabizadas sem dúvida mas não as únicas! Sem dúvida que é importante que se estude este assunto e partilhe, como tão bem faz o gestor deste espaço, o Frederico Mendes Paula, Recomendo a leitura do texto Memórias Árabes em Portugal/ Arabian Memories in Portugal Written by Habeeb Salloum Photographed by Tor Eigeland, no endereço https://www.saudiaramcoworld.com/issue/200102/arabian.memories.in.portugal.htm
O autor refere as muitas manifestações culturais portuguesas com origem no legado árabe.Gostei de ler e de conhecer esta publicação »» Aramco World Arab and Islamic cultures and connections
The magazine of cultures and connections
Por isso dizia Fernando Pessoa: “Não se pode falar na raça portuguesa, se houvesse uma raça nós éramos uma anti-raça, feita com gente de toda a parte”
Eu desconhecia essa de Fernando Pessoa. Plena de razão. Agora que o mundo está mais pequeno, a Terra mais penetrável, com gente chegada de muitas partes a todas as partes… parece possível que “as raças” se extinguirão — e por toda a parte fique o Homem!
obrigado por essa tentativa. contudo convém reflectir um pouco sobre o que se diz ou escreve: 1) a dita “influência gramatical” consiste na derivação do étimo árabe no uso português; 2) neste sentido, não se pode comparar os pretensos 18 mil e tal arabismos portugueses com os 4 mil em castelhano ou catalão, porque os linguístas profissionais contabilizam essencialmente os “étimos” e não as formas derivadas…
por outro lado, entre nós em portugal, não se pode ignorar o dicionário etimológico do grande arabista José Pedro Machado (5 vols. com várias edições).
Artigo muito interessante! Parabéns!
Obrigado
A História de Portugal e Marrocos também inspira os músicos! São muitas as memórias e heranças que caraterizam a nossa cultura e a música é um importante testemunho.Sugiro que conheçam o trabalho discográfico do duo formado por João Alvarez (guitarra portuguesa) e Tiago Inuit (baixo), e que como o seu nome indica — «Rota do Sul» —, trata-se de uma viagem por vários universos musicais que tem origem em Portugal mas que parte em busca de outros universos paralelos, alguns deles irmãos mais próximos, como o a música árabe do norte de África Neste vídeo uma pequena amostra https://www.youtube.com/watch?v=G7WxoJ9Rduw ou acompanhem os testemunhos da apresentação do CD no https://pt-pt.facebook.com/events/1471234086470262/?ref=22 . Gostei muito!
Obrigado
Alhadas, localidade do concelho da Figueira da Foz, creio que é também de origem árabe, que na essência, quer dizer confusão, sarilho, problema.
ALHADA no Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa de Adalberto Alves tem a seguinte explicação:
الحاد al-hadd _ o picante (de um instrumento); o cortante (de um instrumento); assunto picante ou situação embaraçosa; meter-se numa … = meter-se em sarilhos
Talvez fosse bom ver:
para discriminar o árabe da língua pré-latina de origem fenícia.
Muito interessante. Obrigado
O livro A origem da língua portuguesa constitui um importante contributo para o reconhecimento da história dos povos que passaram e ficaram em terras lusas. No final de contas antes dos romanos , muitos outros povos contribuíram para a identidade portuguesa e depois dos romanos também!
Mas qual seria a base linguística que existia no território de Portugal, que nasceu com a língua galega, quando os Fenícios chegaram…?Ainda vamos aprender a respeito?
Ao que parece, não haver dúvida, é que o rendilhado que constitui a Língua Portuguesa é imenso e não parará nunca. Fenício, hebraico, sírio, romano (a última flor do Lácio), árabe, alguns vestígios bárbaros, e compondo-se de agora em diante com algumas pitadas de tupi guarani e bantu, etc.. Eis a tremenda riqueza que vai construindo a Língua de Luís de Camões e de Machado de Assis.
Como não havia de ser, pois, tão complicado um acordo ortográfico com hábitos tão profundos e enraizados, e tantos nacionalismos à mistura. Mas lá chegarão as múltiplas comunidades dos povos de Língua Portuguesa, se soubermos consolidar uma alargada comunidade de afetos..
Para complementar essa informação pode consultar-se:
http://fernando-outroladodahistoria.blogspot.pt/
Uma leitura atenta permitirá descobrir mais sobre o tema em questão.
Sobre as influências da língua árabe no português,penso que a cultura será um termo mais abrangente para refletirmos sobre esse legado. E pergunto ao excelente estudioso dos intercâmbios com o norte de África, Francisco Mendes Paula, se já alguma vez abordou o tema : as raízes africanas do cristianismo latino? Julgo que no Museu de Arqueologia de Lisboa existem alguns testemunhos da origem no Norte de África das religiões na Península Ibérica! Recentemente li um artigo que despertou meu interesse por este assunto. Pode-se ler no http://www.30giorni.it/articoli_id_3525_l6.htm
As nossas similaridades culturais e influências mútuas são variadíssimas e pouco estudadas. Num universo tão vasto haverá com certeza lugar a desenvolver temas tão interessantes como o que refere. Obrigado pelo seu contributo
Como dizia Roger Garaudy : ” o tremendo isolamento do ocidente é um emmbuste’
afinal as influencias na nossa língua não são de agora!
Nada é de agora. Nem língua, nem cultura, nem arquitectura. Tudo tem a marca daqueles que pela nossa história passaram.
Uma lição fantástica! Li a devorar, de tão interessante. Vou reler com mais calma para tentar assimilar toda esta informação. Obrigada por divulgar. De repente dei-me conta de que sou muito ignorante no que diz respeito à Língua portuguesa…
Obrigado. Infelizmente o nosso passado Árabe e a sua influência na nossa cultura não tem sido propriamente objecto de divulgação por parte das autoridades deste país, mais interessadas em afirmar a nossa “vocação europeia”.
Bom trabalho, mas procurando muitas dessas palavras no Dicionário de dicionários da lingua galega não aparecem as mesmas acepções,por exemplo,Palmela(Bismilhah ou em nome de Deus)? no dicionário aparece como “reja de arado”, Muge(Muhja ,alma)?o muge é um peixe, Penela(Ben Allah,filho de Deus?penela, pequena elevação,outeiro,lomba, Malhada(lugar de travessia de um rio)?trabalho de malhar cereais efectuando um ajuntamento de pessoas, Borba(Birba,labirinto)?borba, tripas de peixe, Bobadela(Buabdallah,filho do escravo de Deus)?Bobadela, nome de uma freguesia da provincia de Ourense
É natural que assim seja. Muitos topónimos derivados do Árabe podem ter origem em diversas palavras e cada autor adopta aquela que lhe parece mais correcta.
Por exemplo, o topónimo “Bobadela” segundo Adalberto Alves tem a sua origem em “Bu Abd Allah” (cuja tradução à letra é “pai do escravo de Deus”), de onde deriva Boabdil (nome do último rei de Granada), interpretação partilhada por José Pedro Machado. Mas na Wikipédia encontramos também como sua origem a palavra “Budel”, que supostamente significa “porta franca”. Para Pinho Leal o termo provém de “abuar”, que significará “delimitar”.
Para além disso, existem palavras cuja origem Árabe não é consensual para os vários autores que as referem, como é o caso de “Borba”, que tanto surge como derivada do Árabe “birba” ou “labirinto”, como do Celta “barbo” ou “lago”.
Obrigado por esta informação. Tenho andado à procura de um dicionário árabe-português, sabe onde posso encontrar?
cmpts.
Não sei qual é o tipo de dicionário que pretende. Em relação ao Árabe-Português, que eu conheça, existem alguns dicionários bastante básicos, todos eles editados no Brasil, como é o caso do “Dicionário Árabe-Português-Árabe” de Alphonse Nagib Sabbagh, Editora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1988. Se pretender um dicionário mais elaborado e completo, e se dominar minimamente o Espanhol, não tenho dúvidas em lhe aconselhar o “Dicionário Arabe-Español” de F. Corriente, Instituto Hispano-Arabe de Cultura, Madrid, 1977, também disponível na internet para descarregar. Cumprimentos
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Parabens…Temos muitas heranças árabes. Comunidade Arabe e fundadora do Brasil…
Obrigado. Muitas heranças, diz bem.
Agradeço a partilha! Excelente trabalho.
Obrigado. É um tema que nos dá respostas surpreendentes sobre expressões comuns que utilizamos no dia a dia
Não me parece que a palavra “chá” possa ser de origem árabe porque ela é introduzida no Português somente após os Descobrimentos e provém da própria China, onde se pronúncia “tchá”, bem como na Tailândia. No resto da Europa, e daí emigrou para outras paragens, diz-se da forma como se pronuncia na respetiva língua a letra “T”, que era colocada nos sacos provindos do Extremo Oriente, transportados pelos portugueses, e destinados a Transbordo
Tem razão. Fica aqui um esclarecimento sobre a palavra Chá:
Segundo artigo da Wikipédia “O caractere chinês para chá é 茶, mas tem duas formas completamente distintas de se pronunciar. Uma é ‘te’ que vem da palavra malaia para a bebida, usada pelo dialeto Min e Amoy. Outra é usada em cantonês e mandarim, que soa como chá e significa ‘apanhar, colher’.
Esta duplicidade fez com que o nome do chá nas línguas não chinesas as dividisse em dois grupos:
Línguas que usam derivados da palavra Te: alemão, inglês, francês, dinamarquês, hebraico, húngaro, finlandês, indonésio, italiano, islandês, letão, tamil, sinhala, francês, holandês, espanhol, arménio e latim científico. Línguas que usam derivados da palavra Chá: hindi, japonês, português, persa, albanês, checo, russo, turco, tibetano, árabe, vietnamita, coreano, tailandês, grego, romeno, swahili, croata.”
Segundo Cristiane Sato em “Cultura Japonesa”, 2006, “Em chinês escrito – e em japonês também – o chá, o da Camellia sinensis, é representado pelo seguinte ideograma: 茶 Esse ideograma é lido em mandarim e em japonês como “tchá”, e no dialeto amoy, falado na região de Fujian na China – uma das principais regiões produtoras de chá do mundo – como “tê”. O chá chegou à Europa ocidental através de carregamentos vindos da Ásia, e dependendo do dialeto falado nos portos chineses que exportavam o chá, a palavra incorporou-se aos idiomas ocidentais com um som similar ao de sua origem. Assim, o “tê” da região de Fujian virou o thé francês, o te italiano, o tea inglês e o Tee alemão. Os portugueses adquiriam o chá em Macau, colônia portuguesa na China onde se falava o dialeto cantonês, que se parece com o mandarim, e assim o “tchá” falado por eles virou o nosso chá.”
No entanto Adalberto Alves no seu Dicionário de Arabismos da Língua Portuguesa refere o termo como arabismo, não sei se pelo facto de o considerar como de origem Árabe ou se pelo facto de ter sido introduzido em Portugal pelos Árabes. Convém não esquecer que o chá era uma bebida de consumo frequente no Al-Andalus, pelo que a ideia de que só chegou ao actual território de Portugal durante os Descobrimentos não é correcta.
Agradeço o comentário.
nao e a toa que em espanhol se fala te para o cha…
obrigado Frederico para todo, o seu tempo, paixão, sabedoria, e todo o resto ..
Óla,
Chamo-me Aouhal Lahsen, sou estudante na Licenciatura de Estudos Portugueses da Universidade Mohammed V de Rabat, Marrocos. Agradeço imenso Ex. Sr Fredrico Mendes por estes artigos históricos que eu li muito ontresse. Eu penssava que no idioma português exitiam somente algumas palavras mas pelo que li são afinal quase 18000.
Ex. Sr estou intresse nissa tema eu gostaria trablahar o meu progecto fim de estudo sobre essa tema ” influência da lingua arab no português . Mas falta mim a biografia. Eu gostaria imenso se vossa Ex. Sr me ajoda.
Caro Lahsen
A bibliografia está referenciada no final do artigo
Cumprimentos