
“Lagos Bridge Algarve”. Gravura ‘romântica’ de Lagos de G. Landmann e J. C. Stadler, vendo-se a Igreja e o Convento de Nossa Senhora da Glória e a Ponte de D. Maria, publicada por T. Cadell & W. Davies, Londres, 1813
No início do século XVI desenvolveu-se em Portugal uma província religiosa dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cujos membros eram conhecidos pela sua santidade. Por essa razão, o Bispo do Algarve, D. Fernando Coutinho, convidou-os a instalarem-se na região, concedendo-lhes o Convento que tinha fundado no Cabo de São Vicente. O Bispo promoveu a construção de mais três conventos, em Lagos, Silves e Faro.
D. Fernando Coutinho era um devoto de Nossa Senhora do Loreto e o Convento que mandou edificar em 1518 em Lagos foi fundado sob sua invocação, sendo também entregue aos franciscanos da Província da Piedade. O Convento foi construído num local insalubre, junto à Ribeira de Bensafrim, o que trouxe consequências funestas para a saúde dos religiosos, que estavam sempre doentes.
“Nesta Casa viveram os Religiosos quarenta anos, até que obrigados das muitas mortes, (diz o Cronista) e largas enfermidades, que ali se padeciam, e por ameaçar a casa ruína, a mudaram a outro sítio, pouco mais adiante, a um alto que não fica muito distante, pois ainda lhe ficou servindo a mesma horta, e cerca do primeiro. Fundaram nova igreja, grande e formosa.” (SANTA MARIA 1707: 432)
As obras do novo Convento foram iniciadas no ano de 1560 e denominou-se Convento de São Francisco ou dos Capuchos, sendo posteriormente dedicado a Nossa Senhora da Glória. No local do primitivo Convento, que passou a chamar-se São Francisco-o-Velho (OLIVEIRA 1908: 2), ficou uma Ermida contendo a Imagem da Senhora do Loreto, cujo paradeiro se perdeu.

Planta de Lagos de 1621, de Alexandre Massai, Museu da Cidade de Lisboa
Na Planta da Cidade de Lagos de 1621, da autoria do napolitano Alexandre Massai, o novo Convento encontra-se representado com a designação “Mosteiro de São Francisco” e, no local de São Francisco-o-Velho, surge uma fonte, ligada ao antigo aqueduto que abastecia a cidade com água da Fonte Coberta, com a designação “Chafaris”.
O aqueduto, com 4.430 metros de extensão, percorria a actual Rua D. Vasco da Gama e terminava no centro da Praça Gil Eanes, numa fonte chamada Fonte das Oito Bicas, formada por uma coluna encimada por uma esfera em pedra, com oito bicas em bronze. Da fonte saía um cano, uma espécie de gárgula, que servia para abastecer os navios de água potável. O aqueduto foi iniciado por D. João II e terminado por D. Manuel, que mandou notificar todas as nações para que fizessem aguada (abastecimento de água aos navios) do cano instalado. Hoje em dia existe uma réplica dessa fonte na Rua Garrett, desenhada pelo arquitecto Rui Paula em 1983.

Localização do Mosteiro de São Francisco, do Chafaris, da Fonte das Oito Bicas e do Aqueduto na Planta de Alexandre Massai
Esta devoção do segundo Convento a Nossa Senhora da Glória foi explicada por Frei Agostinho de Santa Maria numa história que merece a pena ser contada:
“Um homem natural de Aveiro, chamado António de Caminha, passou ao Brasil, e vivia no Rio de Janeiro, aonde apartado da Cidade sem ambição de ouro, cuidava de servir a Deus, e andava vestido em um hábito de Terceiro de São Francisco, e nele fazia vida penitente, e eremítica”. (SANTA MARIA 1707: 449)
António Caminha era escultor e pretendia fazer uma imagem dedicada a Nossa Senhora da Glória, réplica de uma outra existente numa Ermida situada a uma légua do Rio de Janeiro, para colocar numa Igreja a construir no sítio da Junqueira, em Lisboa. O escultor demorou dois anos a fazer a imagem, que colocou na mesma Ermida onde se encontrava a original, e que começou a ser venerada, sendo objecto de muitas dádivas por parte dos crentes.
Quando António Caminha decidiu regressar a Portugal, embarcou com a imagem numa nau chamada Falcão, tarefa árdua pela dimensão e peso da mesma. O embarque da Senhora da Glória provocou celeuma e uma denúncia ao Bispo do Rio Janeiro, segundo a qual o eremita levava consigo preciosidades que pertenciam à Ermida, pelo que o nosso amigo foi detido e ficou no Brasil. A imagem seguiu viagem sozinha, destinada a ser entregue como oferta ao Rei D. João V.
Corria o ano de 1708 quando a nau Falcão chegou à barra do Rio Tejo e foi acometida por uma forte tempestade que a impediu por duas vezes de entrar no porto de Lisboa. O navio seguiu então viagem até ao Algarve, vindo a naufragar na Meia Praia, onde a sua carga deu à costa. Entre os vários caixotes que ficaram no areal, estava o que continha a imagem de Nossa Senhora da Glória. A imagem foi resgatada por religiosos franciscanos, sendo colocada na Igreja do Convento de Nossa Senhora da Glória.
A descrição da imagem por Frei Agostinho de Santa Maria é a seguinte:
“É esta Sagrada Imagem, como fica dito, de escultura de madeira; a sua estatura são sete palmos, e meio; e vê-se sobre um Trono de Serafins (Anjos de seis asas. Na hierarquia celestial da mitologia dos anjos, os Serafins são os que estão mais próximos de Deus), que faz dois palmos, e meio; e como é fabricada em um só Lenho, vem a fazer com o Trono dez palmos. E o Trono, que está obrado com grande perfeição, tem treze Serafins. Tem as mãos levantadas, e o cabelo solto, e tão comprido, que tem alguns cinco palmos.” (SANTA MARIA 1707: 452)
Tratava-se de uma imagem de grande dimensão, com mais de dois metros de altura!

Efeitos do Terramoto de 1755 na Cidade de Lagos
No dia 1 de Novembro de 1755 Lagos sofreu os efeitos de um enorme terramoto a que se seguiu um tsunami especialmente destrutivo, que inundou cerca de 15 dos 30 hectares da área intramuralhas. (MENDES-VICTOR 2006)
“Pelas 9 ½ horas da manhã do predicto 1º de Novembro, estando o dia claro e sereno como de estio, vento N. O., ouviu-se um grande trovão surdo; logo passado 3 ou 4 minutos principiou a tremer a terra com espantosa violência; o mar recolheu-se em parte mais de 20 braças, deixando as praias em seco; e arremetendo imediatamente para a terra com tamanho ímpeto, entrou por ela dentro mais de uma légua, sobrepujando as mais altas rochas; tornando a retrair-se e rompendo por mais três vezes dentro de poucos minutos, arrasando no fluxo e refluxo enormes massas de penhascos e edifícios; e deixando por isso arrasadas quase todas as povoações marítimas.” (SOUSA 1919: obra citada)
A cidade ficou arruinada, e grande parte dos seus edifícios e muralhas destruídos. O Governador e o exército abandonaram Lagos e a população refugiou-se num bairro de barracas construído ao redor da Ermida de Santo Amaro.
O nosso Convento dos Padres Capuchos foi descrito nas Memórias Paroquiais como “caído, completamente arruinado e por terra”. (SOUSA 1919: obra citada)

Foto da Igreja de Nossa Senhora da Glória antes da sua demolição (do lado direito da fotografia, o antigo Quartel da GNR)

O Convento e a Igreja de Nossa Senhora da Glória vistos do rio
O Convento e a Igreja viriam a ser reconstruídos muito ao gosto do estilo barroco. A Igreja, particularmente, era um edifício majestoso, conforme atestam algumas fotos da primeira metade do século XX.
As invasões francesas e a guerra civil entre liberais e absolutistas do início do século XIX adiaram a reconstrução da cidade e agravaram a situação de degradação que o terramoto provocou.
Os franceses entraram sem resistência em Lagos em Janeiro do ano de 1808. Em Junho a população revoltou-se e atacou-os, causando um verdadeiro morticínio.
“Assassinaram eles muitos dos desprevenidos soldados franceses, cujos cadáveres lançaram, de noite, da rua da Barroca ao rio, da Piedade ao mar, ou enterraram nas casas onde os atraíram; destas ainda hoje se encontram os esqueletos ao proceder-se a reconstruções”. (ROCHA 1991: 173)
Os que sobreviveram refugiaram-se no Trem de Artilharia até encontrarem um momento propício para fugirem. Na fuga pilharam e roubaram tudo o que puderam no Trem, incluindo a Biblioteca Militar, e saquearam a Igreja de Santo António, levando “ricos paramentos e alfaias (adornos, imagens ou joias existentes nas igrejas) de prata de grande valor, tais como custódia de delicado trabalho”. (ROCHA 1991: 174)
Durante os anos da regência de D. Miguel que precederam a guerra civil de 1832-1834 viveu-se em Lagos um clima de perseguições aos malhados, nome dado pelos miguelistas aos liberais, com invasões de domicílios e espancamentos. O próprio D. Miguel deu o mote do clima que se iria viver em Portugal ao divulgar os seus objectivos:
“Salvaguardar a pessoa do Rei de um pretendido golpe de Estado e esmagar de uma vez a pestilenta cáfila dos pedreiros-livres”. (MELLO 2013: 189)
Nos anos de 1823 e 1828, realizaram-se duas devassas (inquirições oficiais que invadiam a privacidade dos indivíduos para os julgar pelas suas convicções) a cargo dos juízes de fora Costa Pinto d’Athayde e Nicolau Maria de Sousa Estrella, o estrela funesta, “afim de proceder contra todos os indivíduos que fossem apelidados de liberais e pedreiros livres” (ROCHA 1991: 274 e 276). Dezenas de Lacobrigenses foram detidos e encarcerados na Torre de São Julião da Barra e na prisão do Limoeiro, ou deportados para Angola, sob a acusação de serem liberais, constitucionalistas ou pedreiros livres (pedreiro livre ou mação era o nome dado aos membros das lojas maçónicas. Do francês maçon ou pedreiro. As lojas maçónicas eram irmandades secretas de ideais formadores de caráter e de filantropia, ferramentas de influência política e disfarce para conspirações revolucionárias). Nas devassas realizadas em Lagos, era comum o tribunal concluir sobre o julgamento de liberais com frases como a seguinte: “É maçónico moderno da loja Philanthropia ao Oriente de Lagos, de génio ardiloso e muito aferrado ao sistema Constitucional” (ROCHA 1991: 376).
Gravura de Joaquim José da Silva Souza Reis, o “Remexido” em 1838. Cabral Moncada Leilões
A guerra estalou em 1832 e, no ano seguinte, as tropas do General Napier ao serviço de D. Pedro, libertaram o Algarve do jugo miguelista. No dia 24 de Julho desse ano de 1833 os guerrilheiros do rebelde Joaquim José de Sousa Reis, conhecido por Remexido, puseram cerco a Lagos, cidade defendida pelo General Cabreira, o Barão de Faro.
Tempos conturbados, durante os quais se usavam nos chapéus as faixas vermelha ou azul e branca para distinguir miguelistas e liberais. Alguns tinham as duas faixas no bolso, por precaução, colocando no chapéu a faixa mais adequada quando se cruzavam com uma milícia. (ROCHA 1991: 349)
O cerco durou vários meses e os sitiados sofreram bastantes privações. Faltava carne, lenha, carvão, farinha e até água, porque os miguelistas cortaram o aqueduto que abastecia a cidade.
Os rebeldes instalaram o seu acampamento na Fonte Coberta. Faziam fogo de artilharia a partir do Cerro das Mós e da estrada do Monte Molião e atacavam os campos circundantes. Escondiam-se nas casas do arrabalde de Lagos conhecido como a Aldeia, zona situada junto ao Cemitério e ao Convento dos Capuchos.
Os miguelistas tentaram por várias vezes forçar a entrada na cidade, minando a fundação da muralha com a ajuda de picaretas e outras ferramentas e, inclusivamente, pegaram fogo à Porta do Postigo e à Porta dos Quartos, utilizando barricas de alcatrão em chamas. Os defensores foram obrigados a entaipar as portas do Postigo, dos Quartos e da Vila com pedra solta, em toda a largura da muralha, mais tarde substituindo a pedra solta por alvenaria de pedra e cal. (ROCHA 1991: 328-329)
Os liberais faziam frequentemente sortidas para atacar os rebeldes e procurar obter alguns víveres, como cereais, frutos e gado.
No dia 5 de Agosto de 1833 os rebeldes ocuparam o Forte do Pinhão, na tentativa de controlar a barra da Ribeira de Bensafrim e evitar os abastecimentos à cidade por via marítima. Numa sortida, feita pelos da cidade, foram capturadas as peças de artilharia que existiam no forte, tornando-o inoperacional. (ROCHA 1991: 325)

O Forte do Pinhão em detalhes das Plantas de 1554 de Miguel de Arruda e de 1621 de Alexandre Massai
Esta referência ao Forte do Pinhão no século XIX causará perplexidade aos leitores mais atentos, já que é do conhecimento geral que essa fortaleza foi arruinada pelo terramoto de 1755, que não só provocou a o seu colapso, como destruiu parcialmente a falésia em que se implantava, sendo em parte engolida pelas ondas do mar. Assim sendo, como foi possível que no século XIX o Forte tivesse sido ocupado pelos miguelistas? Passamos a explicar.
Em meados do século XVI, D. João III decide fortificar os dois lugares de Portugal considerados como os mais importantes para a estratégia defensiva do País, a Barra do Tejo e a Cidade e Baía de Lagos. De acordo com essa estratégia é construído no ano de 1550 o Forte do Pinhão, conforme consta do auto de vistoria da inspecção realizada nesse ano às defesas da cidade pelo secretário do Rei, Pedro Alcáçova Carneiro (PEREIRA 2017: 55-56). O Forte foi a primeira fortaleza moderna construída em Portugal, obra realizada pelo arquitecto Miguel de Arruda, Mestre das Obras dos Muros e Fortificações do Reino, Lugares d´Além e Índia. (MOREIRA 1986: 141)
Três anos depois iniciava-se a construção de uma Fortaleza na Barra do Tejo, o Forte de S. Gião ou de S. Julião da Barra, o Escudo do Reino, também da autoria de Miguel de Arruda. (MOREIRA 2014: 212)
Frei João de S. José refere em 1577 que Lagos tem “duas fortalezas, uma antiga chamada Solaria e outra nova que em nossos dias mandou fazer o católico Rei D. João III deste nome a que pôs o nome de Pinhão, ambas sobranceiras ao mar” (CALLIXTO 1992: 40). Carlos Pereira Callixto identifica a Fortaleza da Solaria com o local onde mais tarde se viria a construir o Forte da Ponta da Bandeira (CALLIXTO 1992: 40).
Sobre o Forte do Pinhão temos uma descrição de Henrique Fernandes Sarrão, em 1660, que diz que “sobre a baía está uma Fortaleza, que se chama o Pinhão, em uma ponta da rocha, talhada, muito alta, que no mar se mete. É Fortaleza edificada de fortíssimas muralhas e torres de cantaria, que dos inimigos defende a baía e entrada do rio” (SARRÃO 1983: 144).
Projecto da Muralha de Lagos de Miguel de Arruda de 1554, posteriormente ajustada na sua frente Nascente, Arquivo Militar de Estocolmo. Planos de cidades e fortalezas estrangeiras, Portugal, Lagos, (sem título) ref. Riksarkivet SE/KrA/0406/18/006/001a

A mesma planta incluindo desenho sobreposto como ajustamento ao projecto inicial da frente Nascente, Arquivo Militar de Estocolmo. Planos de cidades e fortalezas estrangeiras, Portugal, Lagos, (sem título) ref. Riksarkivet SE/KrA/0406/18/006/001b

Planta de Lagos de Miguel de Arruda, Arquivo Militar de Estocolmo. Nota: no Atlas do Marquês de Heliche esta planta é considerada como o “desenho original utilizado por Leonardo de Ferrari para seu atlas” (?)
A Planta de Miguel de Arruda (re)desenhada por Leonardo de Ferrari em 1699, incluída no Atlas do Marquês de Heliche, Arquivo Militar de Estocolmo, ref. Riksarkivet SE/KrA/0414/0025/0013. Nota: apesar de ter sido desenhada com as muralhas já construídas, a planta de Ferrari copia a versão que não foi implementada em obra, não correspondendo assim ao traçado das muralhas na sua frente Nascente
A fortificação de Lagos seria completada com a construção da Muralha Renascentista, cujo projecto Arruda termina em 1554 e cujas obras já estavam em curso em 1556. A nova cerca de Lagos é considerada a primeira cintura muralhada moderna construída em Portugal. Rafael Moreira não tem dúvidas em atribuir a sua autoria a Miguel de Arruda, afirmando que “pude verificar que se trata do projecto definitivo de Miguel de Arruda – a sua escrita, facilmente identificável, é impossível de confundir”. (MOREIRA 2014: 213-214)
O termo moderna, referido à Fortaleza do Pinhão e à Muralha de Lagos, exige uma explicação. No século XV começou a generalizar-se a utilização das armas de fogo, o que provocou uma alteração radical nas técnicas militares e nas características das fortificações. Até meados do século XVI viveu-se um período chamado da transição, em que o modelo medieval coexistiu com as inovações renascentistas, mas os conceitos medievais das construções militares foram sendo abandonados e as fortalezas começaram a sofrer modificações para melhor resistirem aos ataques da artilharia. É o período da transição da neurobalística, em que as armas utilizavam a força mecânica, para a pirobalística, em que as armas passam a utilizar a pólvora como força propulsora. (PAULA 2019: 41)

Sistema defensivo da cidade de Lagos (tiro frontal para terra, tiro frontal para o mar e tiro rasante) com um alcance teórico de 1.000 metros (o tiro frontal para o mar inclui as canhoneiras do Forte do Pinhão e do Forte da Ponta da Bandeira)

Sistema de ângulos de tiro a partir dos Baluartes das Freiras, da Gafaria e da Porta dos Quartos (é patente a quebra da muralha para o interior, inovação que permitia aumentar o ângulo de tiro)
Miguel de Arruda pertence à segunda geração de debuxadores (desenhadores, projectistas) da pirobalística, numa altura em que a arquitectura militar já se encontrava liberta dos conceitos medievais, tornando-se num exercício de geometria, sendo o desenho das fortificações realizado com base no estudo dos ângulos de tiro. O elemento base das fortalezas é o baluarte, de forma pentagonal, com canhoneiras para tiro flanqueado (tiro realizado com trajectória paralela a uma muralha, permitindo abranger terrenos situados próximos da mesma e anular os ângulos mortos), protegidas por orelhões (prolongamento exterior da face frontal de um baluarte com a função de proteger a sua face lateral), funcionando como um sistema no qual os vários baluartes articulam entre si os vários ângulos de tiro de modo a cobrir todo o terreno circundante. Entramos no chamado período moderno ou Período do Abaluartado. (PAULA 2019: 42-43)
O sistema defensivo de Lagos era de grande eficácia, como ficou demonstrado na tentativa falhada de ocupação da cidade por Francis Drake em 1587, que se deparou com fortificações consideradas suficientemente sólidas para resistir a um assalto, e forçaram o reembarque dos mil e cem soldados ingleses que tinham desembarcado na Meia Praia. (FONSECA 2012: 159-160)
O episódio encontra-se narrado numa carta escrita por William Borough ao Lord Almirante de Inglaterra, em Junho desse ano, a bordo do navio Lion que se encontrava ao largo de Dover, que reza o seguinte: “We landed about 1,100 men, which went before the town of Lagos within musket shot of the walls thereof, but found it so strong that they retired back to our ships without any assault given to the same.” (CORBETT 1898: 142-143. A tradução é a seguinte: “Desembarcamos cerca de 1.100 homens, que avançaram frente à da cidade de Lagos recebendo tiros de mosquete de suas muralhas, mas acharam-na tão forte que se retiraram de volta para nossos navios sem realizarem qualquer ataque”)

A Bateria do Pinhão de Baltasar Azevedo Coutinho de 18–, in Fortificaçoens do Algarve, Torre do Tombo (no desenho são representadas as ruínas do antigo Forte do Pinhão, em cima à esquerda, agora situadas numa ilha formada pelo tsunami de 1755)
Arruinado o Forte do Pinhão com o Terramoto de 1755, como vimos, cujos vestígios ainda subsistem num rochedo isolado no mar, foi construída em terra, sensivelmente no mesmo local, uma bateria, chamada Bateria do Pinhão, que José de Sande Vasconcelos e Baltasar Azevedo Coutinho desenharam e cujas obras foram terminadas em 1795. Carlos Pereira Callixto refere-se à bateria dizendo que “embora, ainda em 1945, as suas ruínas servissem de abrigo a diversas pessoas, que aí habitavam, seguiu-se a inevitável transformação numa residência, e que actualmente se pode ver, sobranceira à Praia do Pinhão, frente às ruínas do antigo Forte do mesmo nome” (CALLIXTO 1992: 44). Explica-se assim que em Agosto de 1833 os miguelistas tenham ocupado a Bateria do Pinhão, e não o Forte do Pinhão, para controlarem a barra da Ribeira de Bensafrim.
Voltemos ao século XIX e à Guerra Civil em Lagos. No mês de Outubro do ano de 1833 deu-se um acontecimento que envolveu a imagem de Nossa Senhora da Glória que se encontrava na Igreja do Convento dos Capuchos. Na sessão da Câmara Municipal do dia 9 foi decidido fazer uma sortida para resgatar as imagens e alfaias que estavam no Convento. Foi constituída uma força militar que, dois dias depois, atacou os rebeldes de surpresa e os afastou momentaneamente, permitindo aos habitantes trazer esses bens para dentro de portas, que foram depositados na Igreja de São Sebastião, entre os quais se encontrava a dita imagem de Nossa Senhora da Glória. A presença da imagem despertou a fé na população, que pedia à Senhora da Glória a defesa de Lagos e a desejada paz. (ROCHA 1991: 374-375)
Durante o cerco de Lagos foram reprimidos com prisão, varadas (ou vergastadas), e até fuzilamento, actos de traição cometidos por traidores miguelistas. Um exemplo narrado, que tem interesse por contribuir para o nosso conhecimento da Muralha, foi um episódio que envolveu um miguelista chamado Córdova. O homem tentou alargar o bueiro da Muralha na Praça D’Armas, existente no local onde hoje se encontra a Porta D’Armas e que nessa altura era uma pequena abertura para escoamento das águas provenientes do Vale da Gafaria. Ao ser surpreendido, afirmou que pretendia ir buscar uvas a um terreno que tinha no exterior, o que não impediu que fosse varado na Praça da Constituição, actual Praça do Infante, e daí levado para o Hospital. (ROCHA 1991: 349 e 351)

Antigo Baluarte e Porta do Postigo, hoje desaparecidos, no lugar do actual Largo da Torrinha
João Baptista da Silva Lopes comenta deste modo o cerco de Lagos, que terminou em Maio de 1834 após a assinatura da Convenção de Évora-Monte no dia 26 desse mês:
“Deixados a si sós os moradores, sustentaram com glória e valentia os ataques e bloqueio que lhe puseram os rebeldes desde 24 de Julho do mesmo ano, em que lhe deram o ataque (1833), no qual foram rechaçados com perda, assim como em todos os mais, até ao fim da luta em Maio de 1834. Não consistiu a sua defesa tão somente dentro das muralhas: em várias sortidas assinalaram seu denodo, ficando, em resultado, com os campos talados, arrasadas as casas fora dos muros, quintas, fazendas, moinhos e aldeias vizinhas; perdendo nos combates mais de 60 dos seus valentes defensores, e no flagelo da cólera-morbus (Lagos foi atingida por uma epidemia de cólera durante o cerco), com que ao mesmo tempo eram afligidos, de 600 a 700 pessoas. Honra e Glória seja dada a seus briosos defensores!” (LOPES 1988: 233)
Nesse ano de 1834 o Convento de Nossa Senhora da Glória foi encerrado pelo decreto de extinção das ordens religiosas. A cerca foi parcelada, vendida e ocupada por diversas fábricas e armazéns. Diz-se que a Igreja do Convento “foi profanada, desguarnecida dos seus ricos azulejos, apeadas cantarias e até muitos livros e papéis da sua valiosa biblioteca foram vendidos a peso às mercearias e outras lojas para servirem de invólucros.” (DUARTE 2005: página electrónica citada)

Edifícios do “ressurgimento” de Lagos
O ressurgimento de Lagos no pós-terramoto apenas começou nos finais do século XIX, impulsionado pela instalação na cidade de inúmeras unidades de transformação de pescado, fossem Estivas, unidades de salga de peixe, ou Fábricas, unidades de produção de conserva de peixe. Chegaram a existir um total de 34 unidades industriais, agrupadas em vários núcleos, promovidas em grande parte por estrangeiros, nomeadamente italianos e gregos. (AMARO 2020: 139)
A instalação dessas indústrias foi acompanhada por projectos públicos de infraestruturas de apoio, como um novo cais protegido por um molhe, e pela chegada do caminho-de-ferro à cidade. Em termos urbanísticos, foi criada uma nova zona de expansão urbana, o chamado Parcelamento do Rocio de S. João, a primeira área de expansão planeada. (PAULA 1992: 78)
A nova burguesia industrial afirmou a sua presença e liderança no processo urbano através da construção de muitos edifícios em estilos importados, como os estilos Arte Nova ou o Neo-Clássico, que se destacavam do contexto pelo seu desenho, materiais, texturas e cores. Podemos encontrá-los em locais como a Praça Luís de Camões ou a Rua 25 de Abril, com os seus azulejos coloridos, platibandas ricamente decoradas e sacadas em ferro fundido.
Giorgio Novak de Vincenzo, de origem Italo-Croata, chega a Lagos em 1890 com o seu irmão, um comandante naval, e fundam a primeira estiva de sardinha no Rocio de S. João, chamada Fábrica Novak (RODRIGUES 1997: 67). Giorgio ascende rapidamente ao topo da sociedade Lacobrigense. Com 26 anos de idade conheceu Marie, de 16 anos, filha de Eugène e Angélique Boulain, com quem casou em 1897. Os sogros de Giorgio também estavam ligados à indústria da transformação de pescado, sendo proprietários de uma fábrica de conservas de sardinha, a Établissements Delory Palmeiras, situada no Rocio de S. João, da qual Giorgio se torna gerente. Os pais de Marie ofereceram ao casal uma casa como presente de casamento, construída junto a essa fábrica, que se chamou Casa Novak, mas que é vulgarmente conhecida em Lagos pelo nome de Casa das Palmeiras.

Planta das fábricas de conservas existentes em Lagos em 1924 por Armando Filipe da Costa Amaro incluída no trabalho A Indústria Conserveira na Construção da Malha Urbana no Algarve: Das Estruturas Produtivas à Habitação Operária (1900-1960)
Com a instalação de muitas indústrias nas mãos de estrangeiros, e do consequente desenvolvimento da actividade de exportação, houve necessidade de instalar representações diplomáticas em Lagos. Giorgio Novak foi nomeado em 1899 Cônsul do Império Austro-Húngaro e Vice-Cônsul da Grécia, cujos consulados funcionavam na Casa Novak. O nosso Cônsul era um homem extremamente bem relacionado, privando com o Rei D. Carlos, que frequentemente se deslocava a Lagos no seu iate. Giorgio Novak era um dos convidados assíduos das almoçaradas a bordo. Os Novak tinham uma vida social intensa, deslocando-se frequentemente a Lisboa, sobretudo durante a época da ópera. Nessa altura a viagem fazia-se por coche até Portimão e a partir daí por comboio, já que o caminho-de-ferro apenas chegou a Lagos no ano de 1922. (STRANG 2014: artigo citado)
Há notícia de que Giorgio Novak era Presidente da Capitania do Porto de Lagos em 1938. (CEMAL 2021: página electrónica citada)

A Casa Novak hoje
A Casa Novak é um edifício típico dos finais do século XIX, originalmente de fachada simétrica, com cantarias, sacadas e uma varanda em ferro a toda a largura da fachada posterior. O interior era ricamente decorado com paredes revestidas com escaiolas, uma técnica que utilizava estuque queimado à colher com acabamento marmoreado (técnica que utiliza no acabamento da argamassa de revestimento o pó do material ligante, apertado com a colher de pedreiro, o que lhe confere uma aparência vidrada, sendo o efeito marmoreado conseguido com a adição de pigmentos), e tectos em estuque trabalhado. Dispunha de uma alameda de palmeiras centrada com o seu eixo, no acesso principal, que acentuava a sua simetria e lhe conferia sumptuosidade.
Do seu lado Norte encontrava-se uma pequena construção de planta quadrangular com porta voltada a Poente guarnecida com cantarias de verga arqueada, coberta com abóbada de berço, construção que seria posteriormente integrada num acrescento que a casa sofreu nos meados do século XX, conforme atestam as suas características, nomeadamente as de um janelão e de uma varanda em betão armado.

Entrada para o Chafariz, situada no interior de uma ampliação da casa realizada nos meados do século XX
Duas imagens do interior do Chafariz
No interior dessa pequena construção encontra-se uma fonte, precisamente o nosso Chafariz que pertenceu ao Convento dos Capuchos e ao qual Alexandre Massai se refere na sua Planta de Lagos de 1621. Tem dois bancos laterais e um altar com três nichos, dois deles sob o plano do altar e o terceiro em posição central e elevada, ladeado por duas pilastras e encimado por um frontão de inspiração barroca.
Actualmente a casa encontra-se ao abandono e em avançado estado de degradação. A alameda, que lhe deu o nome Casa das Palmeiras já não existe.
Diversas referências relacionam a Casa das Palmeiras com o Convento de Nossa Senhora do Loreto ou de S. Francisco-o-Velho, como são exemplo as seguintes:
“Há poucos anos encontrou-se canalização de grés que, partindo do aqueduto que abastecera Lagos com a água da Fonte Coberta se dirigia para o terreno onde hoje existe uma fábrica de peixe pertencente a Jorge Novak e onde existiu o convento fundado em 1518 pelo bispo de Silves, D. Fernando Coutinho, sob a invocação de Nossa Senhora do Loreto.” (ROCHA 1991: 290-291)
“Da igreja do antigo convento encontram-se ainda vestígios na cozinha duma habitação que pertenceu a Giorge Novak.” (VASQUES 2008: 29)

A imagem de Nossa Senhora da Glória existente na Capela-Mor da Igreja de São Sebastião de Lagos, com o seu trono de Serafins e o cabelo de cinco palmos de comprimento
Epílogo:
Em 1910 o Convento de Nossa Senhora da Glória passou a ser utilizado como quartel da Guarda Nacional Republicana. No ano de 1941 a majestosa Igreja do Convento foi desgraçadamente demolida e no seu lugar foi construída a Cadeia Comarcã de Lagos, projecto do arquitecto Rodrigues Lima elaborado para a Comissão das Construções Prisionais, a partir das orientações contidas no projecto-tipo do arquitecto Cottinelli Telmo (FERNANDES e AGAREZ 2005). O edifício da Cadeia é utilizado actualmente pelo Laboratório de Actividades Criativas.
A imagem de Nossa Senhora da Glória continua na Capela-Mor da Igreja de São Sebastião, com o seu Trono de Serafins e o cabelo solto de cinco palmos de comprimento.
A Casa das Palmeiras e o Chafariz lá estão, moribundos, à espera que a morte os leve consigo ou que melhor sorte lhes sorria.
Nota: este artigo foi publicado na obra: Autores de Lagos (2024), pp. 31-49, Lagos: Grupo dos Amigos de Lagos
Bibliografia:
AMARO, Armando Filipe da Costa (2020). A Indústria Conserveira na Construção da Malha Urbana no Algarve: Das Estruturas Produtivas à Habitação Operária (1900-1960). Mestrado Integrado em Arquitectura. Évora: Universidade de Évora – Escola de Artes
CALLIXTO, Carlos Pereira (1992). História das Fortificações Marítimas da Praça de Guerra de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos
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Um abraço que poderá até ser o último. De admiração, estima e consideração .
É de louvar esta sua extraordinária e fiel dedicação, estudo e saber
de toda a uma vida !
…..eu em breve estarei de partida,
pois a idade avança e a falta de saúde , os desgostos e o sofrimento agravam-se.
Obrigada pelos bons momentos e aprendizagem prazerosa consigo no meu amor por Marrocos,
Sr Arquitecto Frederico Mendes Paula
Sou,
Isabel Falcão
Cara Isabel Falcão
Fico triste de ler estas suas linhas e espero que seja apenas um momento menos positivo na sua vida.
Envio-lhe um grande abraço e até sempre